A Associação denominada Filarmónica Severense, tem a sua sede na Vila e Concelho de Sever do Vouga, no Distrito de Aveiro.
Oficialmente 1883 é considerado ano do nascimento da Filarmónica, por ter sido a data da sua primeira actuação em público.
No entanto, existem documentos que comprovam a sua existência antes desta era, porque, no dia 6 de Novembro de 1881, nesta Vila e perante o tabelião José Nunes Monteiro foi lavrada uma Escritura de compromisso para a constituição da “Filarmónica de Sever do Vouga”.
Todavia, tal aspiração ganhara forma uns anos antes por iniciativa do abade Justino Tavares, de José Rodrigues da Costa e de Joaquim António Roge, que foi o seu primeiro regente.
Foram dezasseis as pessoas que assinaram supracitado compromisso e, portanto, os primeiros fundadores da aludida Associação, todas elas camponesas, simples e modestas a julgar pelas suas profissões, mas também todas elas, sem qualquer sombra de dúvida, amantes da “Arte e ciência de combinar os sons de maneira agradável ao ouvido”.
No mês de Março do ano de 1918 foi redigido e aprovado o novo compromisso, contendo as bases da nova organização e constituição da Sociedade Filarmónica de Sever do Vouga.
Em 1952 o benemérito José do Carmo, da Póvoa do Meio, passou a colaborar com a Banda com o seus donativos e César de Figueiredo Bastos, da Vila, com o seu saber, talento e experiência (a este bom severense se ficou a dever a música do hino de Sever do Vouga), ambos com o seu extraordinário amor à sua terra e à Filarmónica conseguiram superar as dificuldades existentes na época.
No ano de 1982 foram aprovados os Estatutos desta Associação (Diário da República n.o 17, de 21 de Outubro).
A Filarmónica Severense comemorou em 1983 o centenário da sua fundação, com a presença de 15 bandas, sendo um acontecimento inédito e nunca visto no concelho.
Desde o ano de 1986 que a Banda é orientada por uma nova Direcção, que lhe transmitiu nova dinâmica, mais estabilidade e prestígio, continuando a honrar o panorama cultural do concelho, a que tem jus por mérito próprio, e cujos esforços se tem desenvolvido com vista à construção de uma sede própria.
É de referir que esta Filarmónica com um historial já secular e abundante prestígio, que granjeou por muitas terras deste rectângulo “à beira mar plantado”, teve uma vivência difícil até meados do século passado, só superada graças á inquebrantável vontade e bairrismo dos seus elementos e uma profunda ligação à instituição.
Pelo Diário da República n.o 185, de 11 de Agosto de 1988, a Filarmónica Severense foi declarada como Pessoa Colectiva de Utilidade Pública.
A Banda foi dirigida ao longo da sua ininterrupta existência por os seguintes Maestros: Joaquim António Roge (o primeiro), José Rodrigues da Costa, António Francisco Tavares, Virgílio Augusto de Oliveira, Pedro José Liberato, António Fernando, José de Figueiredo Bastos, Américo Gomes Amaral, José Redondo, Pedro José Liberato, Manuel Marques, Celestino Bastos, Gualdemiro Soares Oliveira, Hernâni Lima, Flávio dos Santos, Severino dos Anjos Vieira, Carlos Firmino, Benjamim Rodrigues Soares de Almeida, Joaquim Chaves, Manuel Leite e actualmente por António Vieira Pereira.
Presentemente a Filarmónica é constituída por cerca de sessenta elementos, de ambos os sexos.
Esta Sociedade tem a funcionar uma escola de música, frequentada por trinta jovens, na qual recebem aulas de solfejo, de instrumento e de conjunto, que serão o seu futuro.
Durante a sua centenária existência esta Agremiação tem procurado sempre dignificar o concelho a que pertence e as suas gentes nas apresentações nos mais diversos pontos do nosso País, como nas duas deslocações que efectuou a França.
Em 23 de Julho de 2005 a Banda foi agraciada com a Medalha de Mérito, em ouro, na categoria da Cultura, pela CÂMARA MUNICIPAL DE SEVER DO VOUGA por iniciativa da Assembleia Municipal deste concelho - que na proposta salientava “a homenagem que agora se presta à Filarmónica Severense é, pois, justíssima, louvável e a todos os títulos merecida”. |