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02 Setembro
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Sociedade Antiga Filarmónica Montemorense (Carlista)
 
 

A Sociedade Antiga Filarmónica Montemorense "Carlista" é oriunda de um grupo de filarmónicos que teria sido organizado na primeira metade do séc. XIX em 1830 sob a regência de Carlos Simões.

A falta de estradas e transportes, o isolamento da vila e as muitas festas nela realizadas, foram os factores preponderantes para que o referido grupo se organizasse. Conhecido simplesmente pelo grupo do "Mestre Carlos", foi progredindo, até que a 30 de Junho de 1861, vários elementos de posição social acharam oportuno fazer do grupo uma Sociedade. E assim ela fica denominada - Antiga Sociedade Filarmónica - a "Carlista". A legalidade oficial da Sociedade que arrasta consigo a tradição de antiga, proveniente da antiguidade do grupo filarmónico, entra na sua efectivação a 21 de Abril de 1862, que é a data da carta régia que aprova o seu primeiro estatuto.

António Justino da Costa - mais tarde Conde de Santo André, Joaquim Lopes Tavares, João Rafael Mousinho, Fiuzza Gião, Luís Cayola, Laboreiros, Sousa Barreto, Dr. António Agostinho, João Manuel Malta e Pereira Rosa, são os fundadores da Sociedade.

Vivia a "Carlista" em modesta sede de aluguer, mas dentro da sua casa a única divisa era somente a politica musical. Pois dentro deste essencial principio; regeneradores, progressistas, já republicanos e socialistas, esqueciam os seus enredos políticos e partidários e só actuavam no campo da nova associação musical a sua Sociedade Filarmónica.

Mas fora irmandade de pouca duração. E poucos meses decorridos do ano de 1862, os grandes partidos dividiam-se e os respectivos cabecilhas afastam-se.
Entrava em causa a selecção de classes sociais. Os regeneradores ficam a alimentar a "Carlista" e os progressistas saem e fundam uma nova Banda, a que dão o nome de «Circulo Montemorense».

Regeneradores e progressistas começam por se odiar, procurando cada um dos dois partidos fazer extinguir a Banda adversária. A luta toma proporções inquietantes.
A nova Sociedade, por meio de acções, consegue construir um soberbo edifício para a sua sede, o que sem dúvida constitui uma afronta para a "Carlista", pois a sua modesta sede continuava a ser casa de aluguer.

Ficara na "Carlista" o chefe político local, regenerador, Visconde da Amoreira da Torre. Popular, humanitário, bondoso e de grande prestigio; dir-se-á que nunca pensou fazer para a sua querida "Carlista" qualquer pomposa sede. Mas a acção do «Circulo Montemorense», (mais tarde denominada de Pedrista) o seu desafio, a sua enorme influência associativa, tudo isso feria grandemente a carolice do Visconde. Preparando um plano de desforra começa por comprar grandes quantidades de acções da "Pedrista". Para isso servia-se de amigos, dispusera do seu prestígio e de dinheiro, e quando chegou a possuir o maior número, distribuiu essas acções pelos sócios da Sociedade de que era presidente e promove uma disputa e célebre assembleia de accionistas. Poder-se-á ainda hoje fazer uma ideia do que foi essa aguerrida assembleia cujo fim era expulsar da sua casa a entidade que, com tanto sacrifício a construíra.
A razão defendida pelos "Carlistas" era que o edifício da "Pedrista" lhes pertencia, pois possuíam a maioria das acções. O resultado da assembleia é lhes favorável. E quando notificam a direcção da "Pedrista" que tem de sair da sua sede, esta intimativa não é aceite. O caso é entregue ao poder judicial, que faz respeitar a resolução da assembleia dos accionistas.
Á margem da renhida luta da casa a Banda faz progressos, em 1885 na cidade de Évora, por ocasião de grandes festas promovidas em honra da visita do Rei D. Luís I, distingue-se a "Carlista". É que andando em destaque o cornetim, é sem dúvida de todas as Bandas em causa a que melhor cornetista apresenta na cidade Museu. E essa distinção merece-a o jovem montemorense e filho da Sociedade, Adelino Augusto da Silva - o grande Adelino, como popularmente ficou conhecido.
Em 1888 a "Carlista" abandona de vez a sua casa de aluguer e fica com uma sede cuja posse só a teimosia partidária do Visconde fora o «camartelo» que a «construíra». Eram cumpridas as determinações do poder judicial.
Depois do ciclone de 15 de Fevereiro de 1941 esta sede ficou em ruínas mas surtidos apelos e extraordinárias dedicações acorreram a dar-lhe novamente vida e entusiasmo.
Não é possível hoje dar uma completa relação dos seus regentes. Mas de alguns se podem citar:
- Amaro Augusto Romão, gastrónomo famoso e artista exímio de basta fama;
maestro da Banda da Sociedade "Carlista" mais de 30 anos e autor do Hino da Sociedade.
− Augusto Bailão.
− José Valério, amador de indiscutível mérito.
− Adelino Augusto da Silva, “o grande cornetista Montemorense”
− Vicente António dos Reis.
− José Pires da Cruz, maestro da Banda da Sociedade "Carlista" perto de 20 anos, regente de hábil mestria que, não obstante a sua patente de capitão é com estranha devoção que se entregou á "Carlista". Tem como qualquer humilde e natural entusiasta, exercido durante largo tempo o cargo de tesoureiro da Sociedade, sentindo as suas faltas, atenuando-as por vezes com prejuízo próprio e com fina inteligência e tacto administrativo refez a Sociedade do desastre do ciclone.
− Nicolau Catita.
− José Saragaço, 1974 / 1990
− Jaime Rego, 1990 / 1995
− Tiago Pires, 1995 / 1997
− José Pedro Barreiros; professor da escola de música da Banda, Clarinetista e Maestro 1997/2002.
Contribuiu e muito para elevar e manter o bom-nome desta colectividade. Durante estes largos anos enquanto responsável pela escola de música da Banda desenvolveu inúmeros projectos, o de maior destaque foi alargar a Escola de Música, não só aos alunos da Banda mas também a outros, com o objectivo de captar para a colectividade o maior numero possível de alunos que pretendessem aprender outro tipo de instrumentos, nomeadamente teclas e cordas. Conseguiu o apoio da Academia de Música Eborense e este novo projecto começou a funcionar, como pólo daquela instituição em 1990.
Passámos assim a ter uma escola de música oficial em Montemor-o-Novo, foi um grande passo para o desenvolvimento cultural desta cidade. No entanto surgiram algumas divergências, entre as duas direcções, Academia de Música Eborense/Sociedade Carlista e levaram a que em 1993 este pólo termine em Montemor.
Manteve a escola de música da Banda só com instrumentos de sopro e percussão os alunos frequentavam aulas de instrumento e Formação Musical, dada por músicos da Banda.

− Luís Massano, Fevereiro a Outubro 2002
− Sérgio Frazão, actual maestro desde 12 de Outubro de 2002.
Quando foi convidado a dirigir esta Banda, sabia que tinha pela frente uma tarefa complicada, pois os últimos meses desta Banda não tinham sido os melhores. Com dedicação e entusiasmo, foi motivando os músicos e proporcionando-lhes novos desafios conseguindo elevar a qualidade musical.
Músicos que já haviam saído começaram a mostrar interesse pelo trabalho desenvolvido, voltando assim a fazer parte desta antiga mas remodelada Banda.
Para melhorar as qualidades técnicas da Banda maestro e direcção pediram apoio a instituições de elevado mérito no ano de 2003/2004 para a aquisição de instrumentos imprescindíveis á concretização das novas propostas de trabalho apresentadas. Tendo uma resposta afirmativa conseguiu-se assim adquirir novos instrumentos e desenvolver novos projectos.
Desde Janeiro de 2005 a sociedade tem como presidente, João Macedo.
A Banda da Sociedade "Carlista" com 35 elementos é um dos principais locais de cultura da Cidade de Montemor-o-Novo, durante este longo percurso, efectuou concertos um pouco por todo o país e em Espanha. No ano de 2003 deslocou-se aos Açores a fim de realizar um intercâmbio com a banda Filarmónica Liberdade do Cais do Pico da ilha do Pico. Efectuou ainda concertos em conjunto com as duas Bandas do concelho, (Lavre e Cabrela) realçando o dia Mundial da Música 1 de Outubro, organizado pela sociedade "Carlista" no ano de 2004, no Cine teatro Curvo Semedo em Montemor-o-Novo.
Em ocasiões mais solenes realiza concertos em conjunto com o Coral São Domingos, coro da mesma cidade e de grande importância cultural.
Conta ainda com uma escola de música e um Ensemble de Clarinetes. A escola realiza duas audições por ano e promove intercâmbios com outras escolas de instituições semelhantes, o Ensemble de Clarinetes realiza concertos junto da população mais jovem, nas escolas ou em concertos de animação cultural, com o fim de dar a conhecer a importância da tão maravilhosa arte de combinar os sons.

Contactos
Praça da República, 11
7050-132 MONTEMOR-O-NOVO
Évora
Portugal

Telefone: 266 088 214
Email: carlista@sapo.pt
Site: http://carlista.blogs.sapo.pt
 
Última actualização: 21.Set.2005

 

 
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