A Banda Marcial de Cambres pertence ao concelho de Lamego do distrito de Viseu. É considerada uma das Bandas mais antigas a nível nacional, não podendo precisar a data da sua criação. Contudo, tendo como base a fotografia mais antiga da dita associação, que permite um cálculo relativamente à idade dos elementos nela presentes, e segundo várias fontes de informação oral supõe-se que terá surgido em Janeiro do ano de 1881, com 32 elementos do sexo masculinos.
A primeira denominação desta Banda foi “Banda Filarmónica de Cambres”. Mais tarde, “Banda da Casa do Povo de Cambres”, por estar agregada a esta instituição durante 12 anos (de 1987 a 1990). Em 1996 foi legalizada como associação, passando a denominar-se “Banda Marcial de Cambres”.
Segundo várias fontes a criação da Banda teve origem num conjunto de pessoas, essencialmente jovens, que sabiam tocar vários instrumento e se juntavam para ocupar os tempos livres e divertirem-se. Por outro lado, fazer parte da Banda era visto como um pretexto para os jovens saírem de casa pois o “regime” das suas famílias, na época, era muito rigoroso.
Comemora então no presente ano 126 anos de existência a animar e abrilhantar romarias, festas popular, encontros de Bandas civis e concertos por todo o País. Presume-se que os elementos mais antigos da Banda tenham sido das famílias Canelas e Bigaílos e o elemento, que se conhece como sendo o mais antigo ligado à direcção e músico, terá sido o Sr. Manuel Rodrigues Canelas.
Durante muitos anos a Banda Marcial de Cambres não tinha qualquer fim lucrativo. O único fim desta associação traduzia-se, como já foi referido, num entretenimento para as pessoas e dar nome à terra. Os músicos não tinham qualquer contrapartida económica e as poucas receitas destinavam-se à aquisição e manutenção dos instrumentos musicais. Para além disso ainda se submetiam a sacrifícios como, percorrer longas distâncias a pé para fazer as actuações para que eram solicitados, nomeadamente além Douro.
A termo de curiosidade, o primeiro valor monetário de uma actuação da Banda, de que se tem conhecimento, é entre 700$00 (3,49€) a 1000$00 (4,99€), e de 15$00 (0.07€) para cada elemento. Estes valores referem-se aos anos 60 do século XX. Nesta altura o valor das quotas dos associados era de 2$50 (0,01€).
Contudo, como a maioria das Bandas, também a Banda Marcial de Cambres ao longo de todos estes anos, registou momentos altos e momentos baixos. Na origem dos períodos de declínio, estariam alguns conflitos internos, devido a desentendimentos entre músicos e o próprio maestro (nessa altura denominado mestre ou regente), ou mesmo na direcção (denominada então por comissão).
A referida Banda chegou mesmo a parar a sua actividade entre 1987 e 1988. Nessa altura, uma vez que esta Associação era vista como um símbolo da terra de Cambres, um grupo de pessoas resolveu activá-la, tomando conta da direcção e angariando novos sócios. Desse grupo contavam os senhores José Pinto Ferreira, José Magalhães, Álvaro Caetano da Rocha, João Luís Natividade e José Joaquim Ferreira.
Para os períodos áureos entre outros factores, contribui sem duvida a influências de alguns maestros.
È de salientar o elevado nível musical que esta Banda teve já nos anos 20 e 30, conforme aparece em notícias de jornais locais da época presentes na biblioteca municipal do concelho. O nível reconhecido não era só local mas sim quase nacional. Como se sabe os meios de comunicação eram escassos e os músicos que a banda contratava para alguns “combates” importantes com outras bandas levavam para o norte e centro do País o bom-nome da Banda.
Tendo em conta, como já foi referido, ser fundamental o carisma do maestro para o sucesso da Banda, é de referir os que mais contribuíram para tal. Na lembranças dos mais antigos como sendo um dos melhores maestros do passado, João Figueiredo Tonda, ao qual eram reconhecidas qualidades como, exigência, disciplina, rigor, empenho, e gosto pelo bom desempenho dos seus músicos querendo sempre mais. Hoje em dia, é carismático e comparado, embora com conhecimentos mais actualizados e aperfeiçoados, o actual maestro Professor Orlando Rocha, ao qual lhe são atribuídas grandes qualidades.
Tomaram a batuta da Banda vários mestres, entre eles o mestre Tonda, de Lamego; Manuel Ferreira, do Porto; Tavares, de Ferreiros; Raposo, de Lamego; Gonçalo Pinto Cardoso, de Rio Bom; Cereijinha, de Lamego; Santana, de Leomil; Santos, de Ferreiros; João Correia Pinto, de Cambres; Fonseca, de Cinfães; Cardoso, de Figueira.
No que concerne a actuações, a Banda Marcial de Cambres conta com enumeras saídas, podendo destacar-se algumas, como por exemplo: a actuação no Palácio de Cristal no Porto (Pavilhão Rosa Mota) há cerca de 35 anos; a actuação na Casa Regional de Lisboa em 1993 e 2004; a participação na Festa Distrital de Bandas Filarmónicas (1999) em Viseu; a participação no IV Festival de Bandas Filarmónicas de Marvila (Lisboa) 2002; a recepção do novo Bispo de Lamego na sua passagem por Cambres em 2000; a participação e realização do Iº Encontro de Bandas de Cambres em 2005; a participação no encontro de Bandas de Vila Cova-á-Coelheira (Vila Nova de Paiva) em 2006;a sua selecção entre as melhores bandas de Trás-os-Montes e Alto Douro para receber o Presidente da Republica Prof. Cavaco Silva nas Comemorações dos 200 anos na Região Demarcada do Douro em Lamego (2006) e a participação no Iº Encontro de Bandas em Santa Marinha do Zêzere Baião (2007).
Esta banda entrou num período designado por “nova era”, em finais de 1999, com a mudança de Maestro, repertório, músicos e fardamento. Todos estes factores estão na origem da adesão de um maior número de jovens de ambos os sexos. Esta mudança trouxe á Banda melhor e maior reconhecimento nacional, sendo notório de ano para ano a melhoria da Banda quer ao nível quantitativo quer ao nível qualitativo.
Actualmente, apresenta-se com cerca de 60 músicos, na sua maioria jovens formados pela escola de música da Banda e pelas escolas de música da região. Esta executa todo o tipo de repertório, do religioso ao profano, que existe para este tipo de formação.
O Professor Orlando Rocha, maestro actual (desde 1999) trouxe à banda "novos ares" e novas técnicas de ensino, arte e execução, fazendo com que os músicos acompanhem a Banda nesta longa caminhada, motivados e com vontade de trabalhar.
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