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19 de Setembro, 2019

Fernando Marinho

Data da entrevista: 05 de Fevereiro de 2015

A Banda de Famalicão participou e ganhou sob a direção de Fernando Marinho, o 1º prémio da 1ª Secção, do 1º Concurso de Bandas Filarmonia D'Ouro, organizado pela APB em parceria com Cardoso & Conceição, dia 22-11-2014 no Europarque. Com quatro reforços apenas e com um repertório de grande dificuldade técnica e interpretativa, Fernando Marinho conseguiu rentabilizar ao máximo todo o potencial do grupo de filarmónicos que teve sob a sua batuta. É um jovem inconformado com o status quo que procura melhorar constantemente a sua performance artistica em todos os projetos em que se envolve. A Banda de Famalicão não só venceu este concurso a 22 de Novembro 2014 como venceu logo a seguir, a 7 de Dezembro, outro Concurso de Bandas em Braga a par com outros "colossos" das Bandas do Norte. Fernando Marinho explica-nos que não há coincidências. Se há um objetivo definido que todo o grupo entende e um planeamento eficaz do trabalho a desenvolver, a par da organização e conhecimento claro do que se pretende atingir, havendo estabilidade no grupo os resultados surgem...

  • Maestro, que significado tem este prémio para a Banda de Famalição e para si?

    Este prémio é uma recompensa pelo trabalho sério que a Banda de Famalicão tem desenvolvido ao longo dos últimos anos. É também um reconhecimento público desse mesmo trabalho e um estímulo para tentarmos chegar sempre mais longe.

  • De que forma planeou este concurso em termos de trabalho?

    Este concurso foi planificado de uma forma minuciosa. Em primeiro lugar, foi criada uma comissão de trabalho dentro da estrutura da banda, que coordenou todo o envolvimento no concurso. Em seguida, foi feita uma análise cuidada do regulamento e da sua adaptabilidade à Banda de Famalicão, no que diz respeito ao programa a apresentar. Depois, idealizei um plano de trabalho do qual fez parte uma sequência pensada de ensaios de naipe parciais, ensaios tutti, ensaio geral e concerto de preparação. No fim de cada ensaio foi feita uma análise que serviu de mote para a planificação dos ensaios seguintes.

  • O objetivo era participar segundo anterior entrevista ao site. Mas ganhar um prémio nunca foi opção importante?

    Já participei em vários concursos, enquanto instrumentista e maestro. O primeiro e principal objetivo é sempre participar, mas claro que quando sentimos que o processo preparativo corre bem a recompensa com um prémio é sempre um objetivo e desejo de todos.

  • Concorda com a classificação que obteve?

    Pessoalmente, parece-me uma classificação ajustada ao que foi a performance da Banda de Famalicão. Fico contente por termos conseguido passar a nossa mensagem musical e pelo júri nos ter avaliado assim.

  • Reforços: Levou muitos reforços a este concurso maestro Fernando Marinho?

    Infelizmente, e face à alteração da data inicialmente prevista para a nossa atuação (foi mudada de domingo, dia 23 de novembro para sábado, dia 22 de novembro), tivemos que proceder a algumas substituições de músicos efetivos que, por motivos profissionais, tiveram que faltar. Tendo por base a constituição instrumental que a banda apresentou durante o ano 2014, o efetivo instrumental foi reforçado com quatro músicos.

  • Tem algum significado especial para si, ser maestro de uma Banda como a Banda de Famalicão?

    É uma honra e um privilégio, para mim, dirigir a Banda de Famalicão. É uma honra porque se trata de uma instituição com um grande historial musical e associativo e com uma tradição bandística bem afirmada, a nível nacional. É um privilégio pela oportunidade que me foi dada de poder dirigir um grupo com tanta qualidade artística e humana e pela confiança que depositaram em mim dando-me a possibilidade de moldar o grupo à imagem daquilo que eu idealizo, permitindo concretizar objetivos e atingir as metas estabelecidas.

  • Considera que a sua Banda é uma das melhores do país ou a melhor?

    Acho que a Banda de Famalicão faz parte de um leque restrito de bandas que tem um bom nível musical e que, acima de tudo, se preocupa todos os dias por melhorá-lo. É uma banda com um grupo de músicos coeso, do qual fazem parte alguns músicos profissionais, estudantes de música, mas em que são os músicos amadores e uma estrutura diretiva muito dedicada e voluntariosa o grande suporte da instituição.

  • Sobre a “batuta de ouro”, prémio atribuído a outro maestro, concorda, discorda, que comenta?

    Em primeiro lugar, quero que saiba que sou uma pessoa muito exigente e autocrítica comigo, antes de o ser com os outros. Tenho uma opinião muito pessoal sobre a minha prestação enquanto maestro neste concurso. Como (único) maestro superiormente diplomado a concurso (por coincidência, pela mesma escola que três dos elementos do júri), e já com vários anos de experiência na área, acredito que fiz aquilo que deveria ter feito: tentei ajudar a minha banda na execução do programa apresentado, de elevado grau de dificuldade técnica; criei empatia e solidariedade com os músicos, que nos fez partilhar momentos incríveis naquele palco. Fiquei feliz por sentir que todas as horas de árduo estudo individual e ensaio me permitiram estimular a banda da forma certa e por ter conseguido fazer uma direção funcional e tecnicamente “limpa”. Ainda não tive a oportunidade de ter acesso à ata do júri para tentar compensar o que não fiz e saber o que fazer para evoluir ainda mais. Por uma questão de cordialidade com o colega vencedor do prémio batuta de ouro, o qual felicitei pessoalmente, e por respeito à decisão do júri, que é irrevogável, abstenho-me de tecer comentários mais específicos em relação à sua decisão.
    O júri é soberano. Parabéns ao vencedor!

  • No final da atuação, depois de passar o stress do palco, (se é que existiu!) que reações verificou na banda e também quais foram as suas próprias reações?

    Quando saí do palco, e após o alívio do stress natural existente, fiquei com a sensação clara de “dever cumprido”. Tive a noção de a banda ter estado a um nível altíssimo, acima de tudo pelos momentos fantásticos de rigor técnico e partilha musical. Senti confiança e realização por parte dos músicos da banda. Pessoalmente, senti-me muito contente com a minha prestação, porque o programa a concurso era tecnicamente muito exigente e a mínima hesitação técnica da minha parte podia ser fatal para a performance da banda.

  • Sentiu-se bem classificado ou injustiçado nesse concurso?

    Como já disse anteriormente, acho que a Banda teve uma avaliação condizente com a sua performance.

  • Sente que valeu a pena participar?

    Sem margem para dúvidas. A participação neste concurso, além de todo o esforço exigido às partes envolvidas na sua preparação, revelou muito daquilo que a banda é capaz. Foram transmitidas responsabilidades que tiveram repercussões ao nível do desempenho individual e coletivo. Ajudou a uma sedimentação musical da banda e reforçou os laços que unem este grupo.
    Valeu a pena participar e deixou-nos um forte estímulo para repetir.

  • Quanto à organização: Esteve bem, poderia ser melhor? Se diverge da forma como foi organizado como o faria se fosse você a faze-lo?

    Vou ser conciso e honesto: acho que a organização do concurso foi extraordinária. Há sempre pequenas coisas das quais discordamos e achamos que podem ser melhoradas mas, no computo geral, estão de parabéns!

  • Obrigado e parabéns pelo sucesso.

    S.M.Feira, 30 de Dezembro de 2014