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 | | Francisco Ferreira 21.Out.2004 | | | 35 anos feitos a 19 de Julho. Professor no Conservatório do Porto desde 1988.
O mais comentado maestro de todos os tempos à frente de uma Banda Filarmónica.
O Professor que revolucionou o ensino do saxofone.
O personagem cuja argúcia e engenho ultrapassa o entendimento de muita gente. | | | Considera-se uma pessoa polémica?
Não. De forma alguma. Cada pessoa deve assumir a sua própria personalidade. Sob o meu ponto de vista, depois de se verificar que algo não esta correcto e se queremos e podemos melhorar, deveremos impor-nos. Fazer ver que se pode mudar para melhor não é uma questão de polémica. Há é pessoas que não estão preparadas para entender determinadas atitudes. Para seguir em frente, muitas vezes, é preciso responsabilidade, respeito, empenho, coragem e determinação. 
| Não se preocupa muito com a polémica?
Não me preocupo nada com a polémica quando ela não tem fundamento. Na maior parte das vezes, as minha posições não são nada polémicas. São até bastante claras e objectivas. O objectivo é sempre melhorar. Se eu verifico que as minhas posições não estão correctas, sou a primeira pessoa a reflectir e a revê-las ou pedir desculpa. Não tenho problema nenhum em rever a minha posição quando me mostram que estou errado e verifico que é verdade. 
| Se tiver de manter a sua posição fundamenta-a?
Fundamento-a e tento levá-la por diante. Faço é ver às pessoas que as coisas têm de mudar. Musicalmente falando nestes últimos 10, 15 anos, houve muita coisa que teve de mudar e que de principio foi complicado. Mas as pessoas acabaram por verificar que eu tinha razão. Alguém tinha de tomar a iniciativa. 
| Tem então consciência que é polémico?
Tenho consciência que me envolve uma certa polémica, apesar de ela nunca ter existido, mas também lhes posso dizer que há pessoas que falam a meu respeito mas que nunca falaram comigo para se inteirarem das minhas ideias, não me conhecem, porventura algumas nunca me viram. Ora, ouvir apenas uma parte num processo desta natureza não é justo. Não sei como há pessoas que são capazes de fazer determinados comentários ou criticas a meu respeito, alguns que até extravasam os limites da razoabilidade, sem se inteirarem da verdade ou ouvindo primeiro todas as partes. Tive casos em que tive de recorrer a processos judiciais no sentido de proteger o bom nome, a que tenho direito por lei. Mas as pessoas acabaram por reconhecer o seu erro e tudo foi resolvido. As pessoas envolvidas tiveram de pedir desculpas formais e retractaram-se por escrito. Nunca quis mal a ninguém, não tenho inveja de ninguém, procuro sempre ajudar em tudo o que posso. 
| Quando começou a dirigir filarmónicas e qual foi a sua primeira Banda?
Há 15 anos atrás. Comecei a dirigir com 20 anos. A minha primeira banda foi a Banda Marcial de Cinfães. Estive aí três anos. No fim de três anos fui convidado para a Banda da Trofa. 
| Que trabalho desenvolveu na Banda de Cinfães?
Em Outubro de 1989, quando fui convidado a dirigir a Banda de Cinfães, tinha apenas 40 Músicos, entre os quais vinte e poucos jovens. Entendendo eu que a única possibilidade de evolução é aprendendo com bons professores, incentivei-os a matricularem-se no conservatório. Foram mais de 20 jovens oriundos de Cinfães estudar para o Conservatório de Música do Porto. Aliás, os testes de admissão desse ano culminaram com a contratação dos professores de trombone / tuba e trompa, atendendo o único professor de metais existente naquela altura era o saudoso Prof. de trompete José Macedo que leccionava os metais todos. É evidente que a banda evoluiu, como veio a confirmar depois o próprio Prof. António Gomes. 
| Como se operou a sua entrada na Banda da Trofa?
Um dia, um dos directores da Banda de Cinfães, o Sr. Mendes, que era secretário judicial, disse-me que o Maestro da Banda da Trofa era casado com uma senhora, natural de Cinfães, a Dª. Alice. Eu disse-lhe que já tinha ouvido falar muitas vezes do professor Gomes mas nunca tinha tido o prazer de o conhecer, apesar de já ter escutado a Banda da Trofa. Numa determinada altura, inesperadamente, o Sr. Mendes convidou o Professor Gomes e a esposa para um almoço em sua casa e convidou-me também. Fomos apresentados. O prof. Gomes perguntou-me como estava a banda e eu expliquei-lhe, tendo em conta as limitações do momento. Convidei-o a ir assistir a um ensaio em Agosto. Ele aceitou e no dia combinado lá apareceu. Imediatamente se apercebeu das limitações existentes. Eu disse-lhe que tinha pouca experiência, ainda estava ali há muito pouco tempo mas estava ciente de que iria fazer um trabalho interessante e digno de registo. O professor Gomes foi-se embora, desiludido (mais tarde confirmou-me isso) e desejou-me muitas felicidades. Na segunda época ele não ouviu a Banda. No início do terceiro ano, em Fevereiro, apareceu um domingo de manhã num ensaio. Estávamos a ensaiar o Gulherme Tell. Ouviu, e no fim pediu para proferir umas palavras. Referiu nesse pequeno discurso que estava completamente surpreendido com o nível que a Banda tinha atingido. Considerou o pouco tempo havido entre a sua última visita – Há um ano e meio atrás. Era inacreditável o progresso que a Banda teve em tão pouco tempo. E foi a partir daí que me recomendou à direcção da Banda da Trofa. Eu fazia dois ensaios por semana. Como sabem o trajecto do Porto para Cinfães era muito difícil. No entanto eu ia lá duas vezes por semana. 
| A direcção da Banda da Trofa contratou-o então para assumir o papel do Prof. Ant. Gomes?
Quando a direcção da Banda da Trofa me convidou, declinei o convite. Aleguei a minha pouca experiência para uma banda com muito prestigio e muito nível. A responsabilidade era muito grande. Eu era muito novo e considerava que não era a pessoa indicada para dirigir a banda quando se falava de tantos nomes, pessoas com décadas de experiência e de prestigio também. Nessa altura, estava também a fazer o curso superior de saxofone em França e não era nada oportuno. Em abril, depois de acabar o curso regressei e o Prof. Gomes insistiu de novo. Eu comecei a pensar sobre o assunto. Depois de reflectir e dada que a distância da Trofa ao Porto era muito mais pequena que para Cinfães e como estava a frequentar a Universidade Católica no Curso de Direito, precisava de tempo para estudar, aceitei sob algumas condições. Uma delas era que durante a primeira época o professor devia acompanhar-me em todas as festas e ensaios. Durante a semana, encontrava-me com o Prof. Gomes para esclarecer algumas questões. Entendi que era muito importante a sua presença nos ensaios uma vez que eu era muito novo, poderia haver alguma fricção com os músicos e só a presença do prof. Gomes era suficiente para estabelecer o equilíbrio. Foi para preparar a mudança. Eu sabia que ele tinha muito gosto na Banda, muito carinho e não era conveniente ele perder o contacto com a banda de um momento para o outro. Inclusivamente, nas festas, ele tinha uma obra da qual gostava muito os “Ecos de Espanha” do Ilídio Costa, e eu passava-lhe sempre a batuta para ele a dirigir. Ouve quem dissesse que não tinha jeito nenhum esse acto, mas nunca me preocupei com isso. O homem tinha 84 anos na altura, havia muita gente que era apreciadora do Prof. Gomes e entendi que enquanto pudesse ele teria sempre o seu espaço e a sua intervenção. Permitiu-me assumir as coisas com tempo e com calma e com uma pessoa por quem todos tinham a maior admiração, sempre ao meu lado. Outra das exigências era que eu tocasse na Banda durante um ano antes de eu assumir a direcção. Fiz lá uma época o que me permitiu conhecer a banda por dentro e por fora. 
| Considera a Banda da Trofa a melhor Banda Filarmónica do país?
Para mim era a melhor Banda. Se perguntar a outro maestro de uma outra banda com prestigio dirá a mesma coisa em relação à sua banda, naturalmente. Contudo a Banda tinha muitos valores individuais de grande qualidade, que se empenharam muito pela Banda e se mantiveram fiéis a minha pessoa por vários anos consecutivos. Isso como sabem era um valor acrescentado. Agora não sei como será no futuro. 
| Voltando à questão do António Gomes, porque será que ele o recomendou a si, quando na praça, na altura, haviam maestros com carisma, que reuniam características e cumpriam requisitos, aparentemente mais que suficientes para o cargo? O que terá pesado para que o Maestro António Gomes o recomendasse a si?
Nunca lhe perguntei porquê. Não sei porque se decidiu por mim. Eu estava a fazer um curso de direito na Universidade Católica e também por isso não foi fácil para mim aceitar o cargo. Ele insistiu muito e chegou a substituir-me numa ou noutra festa que eu tive de estudar para exames na faculdade. Mas repito, não sei porque me escolheu a mim. O seu conselho pesou totalmente na decisão da direcção da Banda e esta não oscilou absolutamente nada em fazer o que o prof. Gomes aconselhou. 
| Considera a Banda da Trofa uma Banda filarmónica ou uma Banda semi-profissional?
Considero a banda da Trofa uma Banda Filarmónica. 
| Dizem que aliciava os músicos das outras bandas para irem tocar para a Trofa?
Tive muitos músicos que se ofereceram para tocar na Banda da Trofa, efectivamente pela qualidade que lhe era reconhecida. Nunca aliciei ninguém que pertencesse a outra Banda para vir tocar para a Trofa. Convidei isso sim alguns músicos com quem mantinha algum contacto além de que nos últimos oito anos também fazia parte da direcção da banda, designadamente sendo vice-presidente da direcção. De qualquer forma, hoje não podemos considerar que um musico que aprende as primeiras notas numa banda lhe pertença definitivamente. Um jovem começa os primeiros passos na Banda, mas de seguida segue o seu percurso artístico para o conservatório, academia, escola profissional ou outra, investe no seu próprio instrumento, nas suas partituras e acessórios, nas suas deslocações, paga também as suas propinas e é lógico que é independente. 
| Dizem que aliciou alunos seus ou pressionou-os para irem para a Trofa, sob pena de serem penalizados na avaliação?
São totalmente falsas essas declarações. Nunca aliciei nem nunca coagi ninguém. Abordei efectivamente vários alunos, perguntando-lhes se queriam ir tocar para a Trofa. Alguns respondiam-me dizendo que seria um prestigio tocar na minha Banda, aceitando ou não. Tenho vários alunos formados que nunca tocaram na banda da Trofa e obtiveram classificações elevadíssimas nos seus exames finais. Agora que eu exercesse algum tipo de coacção, isso é totalmente falso e desafio aqui qualquer pessoa a vir comprovar isso. Todos os meus alunos que tocaram comigo podiam sair quando quisessem e isto aconteceu algumas vezes. 
| Alguma vez teve dificuldade em encontrar musicos para a completar o quadro da Banda?
Nunca tive grandes dificuldades em encontrar músicos para trabalharem comigo, mesmo até junto de músicos da vizinha Espanha. 
| Que opinião tem dos músicos em termos de carácter?
Cada vez mais é importante que os músicos saibam integrar-se no meio, que tenham algum espirito de sacrifício, que façam música por amor à musica para além da compensação financeira, e que saibam assumir as suas responsabilidade, com dignidade. 
| Dizem os seus “rivais” que se tivessem os seus recursos, em termos de músicos, fariam um trabalho muito melhor que o seu. Que comentário lhe merece a este respeito?
É muito fácil falar ou opinar. Conheço muito bem o meio e muitos dos meus colegas. Mas na verdade, apesar dos excelentes músicos que alguns desses tem, - alguns tomara eu tê-los na minha banda - não vejo nada de transcendente no seu trabalho.... Aliás, sei até que há bandas que têm custos superiores aos da Banda da Trofa, por incrível que pareça, e nem por isso o nível ou o prestígio que essas bandas possuem corresponde exactamente ao real desempenho artístico que elas apresentam. 
| Que método de trabalho usou para atingir o excelente nível que tinha a Banda da Trofa?
Organização em primeiro lugar. Em Janeiro, entregava aos músicos, um mapa de ensaios e a pasta com o repertório referente à nova época. Definia tudo com pormenor quanto ao trabalho da pré-época. Privilegiava essencialmente os ensaios de naipe. Fazia poucos ensaios gerais, mas muitos parciais. Nos ensaios gerais apenas tratava-mos do conjunto, do equilíbrio sonoro e pouco mais... 
| Como se considera em termos musicais: Músico, maestro, professor, doutor?
Músico apenas. 
| Fez dois estágios na Banda Sinfónica do Conservatório do Porto com sucesso reconhecido. Actuou nas melhores salas do país e fez repertório de grande nível. Porque é que esta Banda “Orquestra de Sopros” só sob a sua batuta se tornou conhecida e admirada?
Não sei. Que me deu muito trabalho é pura verdade. Que tudo foi bem sucedido também é verdade. Que se fez algo diferente do que havia sido feito, também é verdade. É necessário correr riscos para tudo. Mas quando esses riscos são devidamente calculados transformam-se em motivação e energia indispensáveis a qualquer projecto de envergadura. 
| Que refere sobre o Antonio Gomes, com quem privou durante muito tempo?
Era um músico de conhecimentos inquestionáveis, expressividade sublime e ouvido apuradissimo; Afável, simples, bondoso, muito educado, respeitador, e muito divertido. Joguei à sueca com ele muitas vezes. Nunca gostava de perder. Queria ganhar sempre. Não conheço área na musica em que ele fosse mais frágil. Toda a gente tinha muito respeito por ele. O seu nível musical era claramente superior ao nível médio dos músicos na altura. O seu curriculum artístico era invejável. 
| Porque a nova direcção da Banda da Trofa não “afinou” pelo seu diapasão?
Na minha opinião, a nova direcção da Trofa deixou-se influenciar por um colega que vive na Trofa e sempre sonhou ser maestro daquela banda, tendo para o efeito inclusivamente sido colocado como 1º vice-presidente o sogro do mesmo. Esse novo maestro já chegou a ser contramestre da banda no tempo do Prof. António Gomes. Portanto, não se trata de uma questão de afinação, mas somente, a meu ver, de uma cabala que alguém, sem ética, moral ou respeito procurou montar-me. 
| Sente-se injustiçado?
Não me sinto injustiçado, mas sim muito desiludido com algumas pessoas que viveram de perto ou até mesmo mais afastado os assuntos internos da banda. 
| O que falhou na sua acção?
Penso que fui transparente e objectivo de mais. Deveria ter feito o jogo do rato e do gato. Mas como sou uma pessoa frontal, digo aquilo que penso e não penso naquilo que digo, algumas pessoas aproveitaram-se da minha seriedade e sinceridade. Paciência. 
| Havia um projecto de academia com a colaboração da Câmara. Como será agora?
É verdade que existia um excelente projecto de futuro em que a Câmara iria ter um papel preponderante. Relativamente ao futuro, este já não me pertence. 
| O Comendador J. Serra, decepcionou-o?
O Comendador é uma pessoa que me deu muito apoio ao longo da minha passagem pela Banda da Trofa. No que concerne a este processo, prefiro, neste momento, até porque poderia ser muito mal interpretado, não tecer quaisquer comentários a seu respeito. Uma coisa é certa, assumo a responsabilidade de todos os meus actos ao longo dos últimos 13 anos à frente da Banda da Trofa, tendo a consciência tranquila de que os tomei sempre para dignificar no seu expoente máximo o Bom nome daquela instituição. 
| A nova direcção: Que influências sofreu e de quem?
Reitero tudo o que disse na pergunta referente à afinação. 
| O novo maestro: Considera que está à altura do projecto?
Desconheço o curriculum vitae do novo maestro, muito menos as suas verdadeiras habilitações musicais para poder avaliar se ele está ou não à altura do projecto. De qualquer forma, a nova direcção certamente está confiante que o novo maestro terá muitos êxitos à frente desta banda. 
| Que projectos pessoais tem para o futuro?
O primeiro projecto pessoal é poder dar aos meus filhos a melhor educação possível bem como o seu respectivo acompanhamento. Musicalmente falando, estou envolvido actualmente em alguns projectos, desde o meu próprio trabalho pedagógico com os meus alunos, o meu Quarteto de Saxofones do Porto que irá, em princípio este ano lectivo, gravar um CD e efectuar vários concertos em Portugal e no estrangeiro, recitais a solo e com orquestra. Estou a pensar desenvolver talvez uma tese de doutoramento ou então um mestrado em direcção de orquestra. A nível de bandas filarmónicas, é provável que um dia venha a assumir um projecto como aquele que tinha idealizado para a banda da Trofa, sobretudo no que diz respeito à componente de orquestra ou banda sinfónica. Atendendo à qualidade dos músicos que hoje existe e irá continuar a existir, é urgente pensar-se num projecto que engloba, não só a parte filarmónica porque este faz parte da nossa cultura popular mas também a parte de escola oficial associada a banda e finalmente o lado concertístico em recintos fechados na época mais baixa. Espero que mais cedo ou mais tarde as bandas comecem a integrar nas suas fileiras contrabaixos de cordas e violoncelos bem como outros instrumentos de sopro como sejam o corne inglês, o saxofone baixo, os clarinetes baixo e contrabaixo, o contrafagote, marimbas, vibrafone, etc. Nesse momento, será também interessante fazer-se uma reflexão profunda sobre o repertório das bandas. 
| Que futuro prevê para a Banda da Trofa?
Espero que a Banda da Trofa continue a ser a banda que era, pois o trabalho desenvolvido pelo Prof. Gomes a que eu procurei dar continuidade e dignidade e que hoje é indubitavelmente uma referência nacional não deve descorado. Mas também tenho que dizer que, por exemplo a Banda dos Mineiros do Pejão que foi outrora também considerada uma das melhores bandas do país é hoje uma banda modesta. Portanto, fazer futurologia nas bandas filarmónicas é imprevisível. 
| Que acha do site bandasfilarmonicas.com?
É um site que dá a conhecer o nosso mundo filarmónico a todo o mundo e isso é fantástico. É um site extremamente importante que cada vez mais envolve a música e os músicos. Há que controlar a utilização do fórum, evitando a calunia e a critica gratuita sem se identificarem os responsáveis. Tudo o resto é de grande valor e mais valia para o meio musical, especialmente para as Bandas Filarmónicas. 
|  | Curriculum de Francisco Ferreira | Nascido em Brest-França em 1969, começou por estudar Acordeão aos seis anos, sob a orientação do Prof. Roger Peyrieras, tendo alcançado um alto nível neste instrumento.
Aos oito anos, ingressou no Conservatório de Música de Limoges onde iniciou os seus estudos em Saxofone com o Prof. René Decouais.
Em 1983, obteve na classe de Formação Musical da Profª. Marie Desfrançois o Certificat de Fin d´Études. Nesse mesmo ano, obteve o “Premier Prix” do Concurso U.N.A.F. (União Nacional dos Acordeonistas de França), na categoria “Excellence” da Ville de Saint-Junien.
A partir de 1986, prosseguiu os seus estudos musicais no Conservatório de Música do Porto, onde dois anos mais tarde concluiu o Curso de Saxofone com a classificação máxima, na classe do Prof. Costa Santos.
Actuou inúmeras vezes na RTP e na RDP para além de se ter apresentado, quer como solista, quer integrado em diversos grupos de música de câmara, em vários concertos de norte a sul do país, ilha de São Jorge - Açores, bem como no estrangeiro (França, Irlanda, Áustria, Espanha, Bélgica, Holanda e território de Macau). Tocou a solo com a extinta Orquestra Sinfónica do Porto e com a Orquestra Clássica do Porto sob a regência, respectivamente, dos Maestros Gunther Arglebe e Meir Minsky. Colaborou, sob a direcção do Maestro Álvaro Salazar, com a Oficina Musical nos Encontros de Música Contemporânea organizados pela Fundação Calouste Gulbenkian. Foi bolseiro desta mesma Fundação, do Instituto Camões e premiado pela Fundação Engº. António de Almeida. Em 1997, à convite da organização do XI Congresso Mundial de Saxofone realizado em Valencia-Espanha, interpreta obras exclusivamente de compositores portugueses. Tem igualmente colaborado na gravação de CDs integrado em diversas formações de música de Câmara.
Frequentou já vários estágios e master classes de Saxofone tanto no país como no estrangeiro, tendo trabalhado nomeadamente com os Profs. Jean-Yves Fourmeau, Pierric Leman, Stéphane Laporte, Joel Batteau, Frédéric Frouin, René Decouais, Daniel Deffayet (ex-prof. honorário do Conservatório Superior de Paris) e Claude Delangle (actual Prof. do Conservatório Superior de Paris). Desde 1990, tem sido o principal responsável pela organização e orientação de Master Classes de Saxofone na zona norte do país com a presença de alguns dos melhores pedagogos nessa área. É monitor do INATEL desde 1998, tendo orientado já diversos cursos de saxofone e de regência de bandas filarmónicas.
Trabalhou Direcção de Orquestra com Robert Houlhian, Marc Tadue e foi Maestro-Assistente de Jan Cober com quem trabalhou na Orquestra d’ Harmonie da União Europeia, tendo dirigido esta mesma orquestra em Abril de 2000 aquando da sua tournée de concertos em Portugal.
Concluiu em 1992 o Curso Superior de Saxofone no Conservatório de Música de Limoges na classe do seu primeiro professor.
Em 1993, integrado no duo Saxofone e Piano com a ilustre e distinta pianista Manuela Araújo, participou no programa “concurso” «Ouvir e Falar» da responsabilidade do Maestro António Victorino d’Almeida, apresentado pela RTP, ficando classificado em 1º lugar e premiado com uma digressão e recital na Áustria.
Em 1996, a convite do Maestro António Victorino d’Almeida, participou com a Orquestra Gaudeamus na gravação de um CD “A União Europeia canta os seus grandes Poetas”, realizando posteriormente diversos concertos quer em Portugal, quer no estrangeiro.
Em 1998, participou no II Concurso Internacional Adolphe Sax, em Dinant-Bélgica, tendo aí conseguido uma muito boa prestação.
Exerceu de 1998 a 2001 o cargo de Director Pedagógico da Academia de Música de Paços de Brandão - Santa Maria da Feira.
É actualmente professor de Saxofone no Conservatório de Música do Porto (desde 1988), Academia de Música de Costa Cabral - Porto e na Escola Profissional de Música de Espinho, Maestro da Banda de Música da Trofa e membro fundador do Quarteto de Saxofones do Porto.
Paralelamente à sua carreira artística, licenciou-se em Direito em 1994 pela Universidade Católica Portuguesa. |
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