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Entrevista ao Maestro António Menino no con...

 
 
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 Délio Gonçalves
17.Jul.2005
 

 

 Antes de mais gostaríamos de lhe dar os parabéns pelo êxito conseguido na Áustria.
Maestro Délio, que experiência tem de concursos de Bandas?

Antes de mais gostaria, desde já e antes de responder à vossa entrevista, agradecer toda a vossa consideração pela minha pessoa e pelo meu trabalho, bem como o vosso interesse em me entrevistar, e manifesto aqui também todo o meu regozijo por esse facto.

Olhem, a minha experiência em concursos de bandas é a mais variada e alargada possível. Vai desde simples assistente, a concorrente e a membro de Júri nos mais variados e distintos locais, e um pouco por toda a Europa. Penso que em termos de experiência concreta só faltará mesmo a organização de um evento com as mesmas características.



 Como obtiveram conhecimento do Concurso na Áustria?

Foi através de um ex. colega meu de faculdade na Holanda, que é o Maestro da banda da vila organizadora, e do meu ex. professor que é um dos directores artísticos do concurso, para alem de já ter feito parte do júri do mesmo.



 Em que momento decidiram concorrer e que estratégia de trabalho adoptaram?

Primeiro a necessária abertura financeira para o efeito. Deixem que lhes diga que a banda teve de abdicar de algumas coisas muito importantes - como é o caso do instrumental e do fardamento - para o poder fazer, para alem dos próprios elementos da banda terem trabalhado muito e desenvolvido muitas iniciativas próprias nesse sentido. Considero por varias razões que era mais importante voltar a passar por uma experiência de um concurso novamente do que comprar instrumentos naquele momento, e todas as pessoas à volta da banda e da sociedade compreenderam isso também. Foi muito importante que assim fosse. Há agora ainda mais vontade de trabalhar e fazer coisas. Para quem esperou tanto tempo para ter instrumentos não é por mais 5 ou 6 meses que não vai fazer o trabalho devidamente. Agora em lugar de 1 instrumento de cada vez, sou capaz de ter 3 ou 4 do mesmo valor ao mesmo tempo. A partir deste momento todo o trabalho da banda foi canalizado só para esse fim: O Concurso.



 Quanto tempo necessitou, com a Banda, artisticamente, para preparar este concurso?

O trabalho artístico não se resume a um concurso. É um processo longo e gradual que começa na escola de música e acaba nos ensaios da banda. E ali já começou à nove anos. A questão não é assim tão linear como me está a pôr, mas acho que o que quer saber é que de Janeiro até ao início de Maio, que foi a data do concurso, a banda canalizou todo o seu trabalho só para um objectivo: O concurso. E todo o trabalho feito durante esse período foi só com essa finalidade e com esse objectivo. Não deixei a banda fazer mais nada para alem de se preparar para o concurso. Um concurso é algo muito exigente, não só do ponto de vista artístico, mas também físico e psicológico. É preciso estar-se muito bem preparado para isso. Engana-se quem pensa que é só mais um concerto. Porque não é! Um concurso “É O CONCERTO”!



 O repertório era fácil?

Fácil???? Nunca na vida vi repertório fácil. Já tenho é visto infelizmente repertório muito mal tocado e muito mal interpretado, isso sim. E não falo só no nosso pais, porque neste contexto infelizmente a contaminação é geral. Não vai dar para tomar qualquer coisa como exemplo e pelo que tenho visto a vacina vai ser muito difícil de encontrar. Há no entanto alguns remédios para ajudar a atenuar a dor, só espero é que saibam escolher o melhor ou o mais adequado para cada doença individualmente. Assim, de vez em quando, esporadicamente: tiro a barriga da miséria e houve-se algumas coisas muito boas aqui e ali.



 O nível a que se candidataram estava perfeitamente ao alcance da Banda de Porto Salvo?

Na arte da música, num concurso, a obra nunca está ao alcance efectivo de alguém. Mas tudo é possível de alcançar quando se trabalha muito, com seriedade, honestidade e humildade. Este tem sido uns dos meus princípios, e pelo menos comigo tem sido assim, eventualmente alguém poderá ter outras facilidades que eu também não duvido que as tenha, mas acredito mais no trabalho sério. Ninguém pode controlar ou prever o que vai acontecer naquele momento, e se vai correr tudo bem, nem muito menos que bandas é que aparecem para competir connosco. Há uma série incontornável de factores que são impossíveis de controlar, mas este era um patamar que eu necessitava de finalizar na banda antes de passar ao próximo, e respondo-lhe concretamente à pergunta assim: O mais importante não foi ter ganho e ter trazido o troféu, o verdadeiro prémio foi os 94.20 pontos em 100, e por publicamente ver reconhecido o trabalho de pessoas que dia após dia sacrificam a sua vida para o bem comum, e esse sacrifício resulta na melhoria da qualidade intelectual de vida dos próprios e dos próximos através da música. Este era o nível certo para a banda concorrer e para ver finalizada uma fase do trabalho que já leva 9 anos e passar à seguinte.



 Quantas bandas concorriam ao vosso nível?

Cinco, aliás cinco em cada nível.



 Quantos níveis tinham a concurso?

Três.



 Na sua opinião, poderia a Banda de Porto Salvo ter-se candidatado a um nível superior?

Claro.



 Porquê?

Porque a banda já vem há aproximadamente ano e meio, a fazer um trabalho e a atravessar uma fase de transição. Nunca tenho limites nos meus objectivos e muito menos por patamar máximo onde estou, mas sim exactamente onde não estou. O sucesso do presente resulta da compreensão do passado e da preparação do futuro, e todo o trabalho da banda é preparado dentro desta base de funcionamento. Por isso mesmo poderia ter concorrido noutro nível que não aquele, mas era necessário também à banda perceber para onde caminha o trabalho e os novos objectivos que se avizinham, e por isso mesmo era melhor fechar este capítulo.



 Quantos músicos - extra Banda de Porto Salvo - “reforços” levaram a este concurso?

No total 60. Normalmente não faço distinção entre os músicos que cresceram na banda, os que se propõem para se juntar ao trabalho da banda, e aqueles que sou obrigado a pedir para colaborar com o trabalho da banda. Mas estou a perceber o conteúdo da pergunta: é relacionado com aqueles que sou obrigado a pedir para colaborar com o trabalho da banda, e também gostaria de aproveitar a oportunidade para esclarecer alguns idiotas da música futebol clube, que gostam de justificar a sua incompetência com o sucesso do trabalho dos outros, ou ainda pior tentando minimizar o trabalho que é desenvolvido noutros lados, e noutras bandas, não é só na de Porto Salvo. Nesta perspectiva, deixe-me dizer-lhe que por norma não costumo defraudar as expectativas dos músicos que trabalham comigo e tão pouco do público que vai ouvir esta ou outra banda dirigida por mim. E isto resume-se a que se algum dia (os que têm dúvidas) tivessem por acaso sido músicos a sério e sérios, saberiam bem que em parte alguma se ouve um concerto por qualquer agrupamento responsável com músicos em falta. Também nunca ouvi ninguém, depois de um concerto onde se toque uma sinfonia qualquer de Malher, vir cá para fora dizer barbaridades do estilo: “ pois tocaram bem, mas só tem quatro trompas, os outros quatro ou cinco eram todos reforços” e infelizmente esta mentalidade demasiadamente medíocre está presente no meio musical das bandas, ora umas vezes à custa dos seus digníssimos “maestros” ora outras vezes à custa dos seus “corpos gerentes” que não fazem a mínima idéia do que lá estão a fazer e do que deveriam lá andar a fazer, e o seu trabalho resume-se somente a encher o seu ego político e status social no meio local onde estão inseridos.
Reforços para ocupar lugares em falta
Sendo assim os meus “reforços” foram 8, e retirando daqui 2 que são os monitores da escola de musica e que por coincidência eram necessários à instrumentação, e que fiz questão de levar comigo, mais um grande amigo e aluno. Restam 5, como deverá imaginar num concurso a banda actuar sem a instrumentação completa é a mesma coisa que uma equipa entrar em campo sem os jogadores todos! É começar a perder para alem de nem ser admitida a entrada nessas circunstancias, e deixe que lhe diga também que não levei ninguém para fazer o lugar dos músicos da banda mas sim, para fazer o lugar dos músicos que não tenho na banda. Se por norma não abdico de ter um quarto trompa se necessitar dele em alguma peça de repertório que interprete, muito menos isso aconteceria nestas circunstancias, até pelo que já mencionei anteriormente.
Os instrumentos em falta na Banda
E sabe? Infelizmente não tenho dois Oboés na banda, tenho só um, e não tenho dois Fagotistas, tenho só um, e não tenho um Contrabaixo de cordas, nem seis percussionistas, tenho só quatro. A banda não tem uma orgânica perfeita, e muito dificilmente algum dia terá, até por estar-mos a falar de amadores, mas acha que o trabalho é menos valido pelos reforços? Ou não será mais difícil encontrar reforços adequados ao perfil musical e de trabalho da banda? Profissionais disponíveis para trabalhar da mesma maneira, trabalharem como amadores? Alguém por ventura acredita que o trabalho só teve valor por causa de cinco pessoas exteriores à banda? Ou mesmo que fossem 10? O grosso do agrupamento é quem afinal? Ou se estão a tentar minimizar o meu trabalho e o trabalho dos outros 55, tem muita sopa que comer ainda, e o tempo dos idiotas está a chegar ao fim, é o recado que lhes tenho para dar. É que felizmente há muita gente nova com vontade e disponibilidade para trabalhar, e que já não se cala facilmente.
A valorização do trabalho do grupo, motivação e entusiasmo
Hoje em dia a informação circula por todo o lado e rapidamente e há muita gente com instrução não só musical, no meio amador e já não se enganam como à uns anos atrás. Acha que seria honesto boicotar por completo, como andam ai uns idiotazitos a fazer, a enganar as pessoas, de uma banda inteira só porque faltam 5, 6 ou 7 músicos? E o trabalho dos outros 50 ou 60? Não merece a maior consideração musical? O maestro acima de tudo não deve ser o grande instrutor? Pode ser que algum dia se dignem a passar por uma experiência semelhante, e ter de acordar miúdos com 12 anos que já se levantam ás 5 da manhã em pânico, com medo de tocar mal!!!!! Pode ser que algum dia saibam do que estou a falar. Aliás, eu pessoalmente até agradecia que o fizessem, é que assim eu e mais alguns colegas que já passamos por esta experiência, e que sabem do que falo, teríamos o trabalho mais facilitado sabe? É que em vez de termos de ser muito melhores que os outros para ganhar alguma coisa, basta sermos só melhores.



 Em que naipes?

Percussão, Oboé, Fagote, contrabaixo de Cordas e Tuba.



 Eram todos profissionais?

Claro.



 De uma forma geral valeu a pena participar neste concurso?!

Não é de uma forma geral que valeu a pena participar, valeu por tudo o que implica a deslocação a um concurso desta natureza, e das repercussões que advêm da participação num evento com estas características, em especial no trabalho que se desenvolve durante a fase de preparação para a participação.



 Qual era o seu maior “trunfo” e o seu maior receio, neste concurso?

Olhe, o meu maior “trunfo”, e não sei se será propriamente o termo mais apropriado, mas foi sem duvida saber e conhecer o meio musical um pouco por toda a Europa, de já ter passado por experiências semelhantes e inclusive por uma de concurso com a banda, e isso inibiu qualquer receio da minha parte ou da dos músicos. Sou por norma uma pessoa consciente e sabia que desta vez se conseguisse alear a melhoria da capacidade técnica da banda com uma coisa que nós temos muito melhor que no resto da Europa, mas que por si só não chega, que teríamos um bom resultado com certeza, e isso chama-se MUSICALIDADE, e esta capacidade está um pouco nata em nós, e no momento certo utilizada devidamente faz a diferença, e foi sem duvida a simbiose entre estes dois factores que resultou no sucesso da banda em termos pontuais. Foi um grande orgulho ser português durante aqueles dias. O meu maior receio??? Não sei se lhe poderemos chamar de receio, ou mesmo medo, mas que durante os dias do concurso acontece-se algo de paranormal que prejudica-se a performance da banda, e deixe que lhe diga que nesse capitulo as coisas não tiveram tão boas como eu desejaria para aqueles dias que deveriam ter sido o mais relaxados possível. Desde uma Tuba que chegou completamente desfeita ao Aeroporto, a ter de utilizar solistas diferentes, porque por exemplo um dos músicos partiu uma mão uns dias antes de irmos e outro teve uma aftose já na Áustria um dia antes da nossa prova o que o deixou sem poder tocar também quase uma semana!!!!!!! Sendo os dois solistas!!!!!! Imagine!!!!!!! Mas no fim tudo correu bem, e sabe porquê? Porque normalmente conto com os músicos todos, e não só com meia dúzia, quem está na banda tem de estar sempre e isso faz com que a preparação seja para todos e simultânea, e normalmente não conto só com uma pessoa para fazer o mesmo trabalho, estimulo sempre todos para fazerem tudo.



 Este ousado cometimento que realizou com a Banda de Porto Salvo poderia ter sido realizado, por si evidentemente, com outra Banda qualquer? Ou seja: Se o Maestro Délio pretendesse levar outra banda qualquer a este concurso poderia ter obtido o mesmo resultado?

Isso não é assim tão linear, mas seria possível com certeza se estivessem reunidos uma série de factores que são de extrema importância. Começando na direcção da banda e acabando nos músicos, tudo é possível. Mas estas coisas não se conseguem em meia dúzia de dias, e muito menos disfarçando o que não se é, só para satisfazer a ocasião. Mas respondendo em concreto, Sim era possível!



 Considera que foi justa a classificação?

Em absoluto. Não costumo questionar as observações que fazem acerca do meu trabalho, quando vem de pessoas com extrema credibilidade, como é o caso, e mesmo que não concorde com elas. Já houve alturas em que não concordei com classificações atribuídas a mim directamente ou em circunstâncias em que a classificação por mim atribuída estivesse envolvida no resultado, mas respeitei sempre as decisões finais, inclusive aquelas por mim corroboradas. Temos de admitir por princípio que a apreciação de cada um é sempre diferente, e desde que amplamente justificada terá sempre a sua razão, é por isto que a arte move paixões!!! É que nunca existe em absoluto o mesmo consenso sobre a mesma obra de arte ou sobre a mesma interpretação, o que existe sim é consenso sobre a actuação ou sobre a perfeição do acto no momento, especialmente no que toca à parte técnica. No que toca a interpretação é que já é diferente, e ai existem sempre muitas divergências, o que é normal, mas há uma coisa: Boa Musica é boa música em todo o lado, por isso engane-se quem pense o contrário, alem disso num júri internacional estão sempre 5 elementos, o que faz do consenso uma metáfora que é impossível de obter naquele momento, e quando falo de divergências de pontuação estou a falar na ordem de um valor em dez, o que já é significativo, não estou a falar de diferenças de mais de um valor. È destas divergências a que me refiro quando digo que não existe nunca consenso, e isto só acontece por haver muita, e idêntica qualidade nas pessoas que estão no júri. Se acha-se que os membros do júri não eram pessoas de alta competência, nem sequer pensava em ter ido àquele ou a outro concurso com a banda.



 Explique-nos que classificação obteve e como se processou?

Como já mencionei anteriormente a banda obteve 94.20 Valores, em 100. O júri é composto por cinco elementos, que pontuam todos os mesmos itens que são 10, de 0 a 10 em cada item, perfazendo o total de 100 pontos cada membro do júri, depois dividido por cinco dá o resultado para cada peça, porque cada peça é avaliada individualmente, soma-se os finas das duas peças que dividido por dois dá a pontuação final para cada membro do júri, soma-se todos e divide-se tudo por cinco e temos o resultado final da banda. As pontuações são dadas às décimas. È avaliado tudo: desde afinação, interpretação, equilíbrio, sonoridade, escolha do repertório, …!!!



 Como era composto o Júri?

Por cinco elementos, todos de nacionalidades diferentes. Sendo o presidente do júri austríaco como é obvio.



 Conhecia o Júri?

Claro!!! Todos!!! Mas agora que estava a acalmar, e fazendo vocês essa pergunta, vão ter de me deixar concluir. É que eu gosto pouco que me mordam pelas costas, e alem disso não sou arrogante nem petulante e muito menos convencido, mas posso com tudo!!!
Os idiotazitos da música futebol clube
Tenho as costas largas e já nem me preocupo com isso, mas sabe é que os idiotazitos da música futebol clube que por ai andam à solta também fizeram questão de dizer por exemplo que a banda só ganhou porque eu conhecia o júri, mas olhem: Eu acredito que nem é preciso ser muito inteligente para perceber que estas coisas não funcionam assim lá fora, e infelizmente este tipo de pensamento só revela o tipo de comportamento e de mentalidade que infelizmente está associado ao nosso ambiente musical, em especial no que concerne às bandas!
Mas mesmo assim eu explico uma ou duas coisas. É que não é de facto preciso ser muito inteligente para perceber que no espaço geopolítico em que o concurso se encontra, não é sem mais nem menos que chega uma banda portuguesa pela primeira vez em 10 anos que o concurso já leva e ganha o nível em que compete, - alias basta olhar à volta e perceber que uma das razões que leva a que não apareçam bandas portuguesas é exactamente a distancia e não é por acaso que as bandas que alimentam o concurso são de todo o lado menos portuguesas: Alemãs à farta, Suíças, Austríacas, Eslovenas, Lituanas, Italianas, Polacas, Etc ou seja: de toda uma série de países que não é o nosso.
A Banda não cai do céu
Então alguém acha que uma banda portuguesa caída do céu, ganha o concurso assim sem mais nem menos e toda a gente fica contente e volta lá outra vez daqui por dois anos? E depois quem é que vai ao concurso? São as bandas Portuguesas? Ou são as que estão ali por perto que vão ano após ano e ainda nunca ganharam? Sim é que há bandas que se deslocam ao concurso repetidamente e não é por isso que ganham! Alias deixe que lhe diga que a banda da Cidade que organiza ganhou a primeira vez à quatro anos atrás, e à dois anos não foi capaz e este ano voltou a ganhar, e nunca tinha ganho nas primeiras edições, e alguém deixa de concorrer no nível deles porque acham que vão ganhar por ser da Cidade organizadora?
As coisas feitas às claras só dignificam
Acha que um júri em igualdade de circunstâncias ou em circunstâncias idênticas dá assim a vitória à toa a uma banda de um pais que nunca lá teve representantes, e que caíram estes do céu e que se calhar são necessários mais 10 anos para lá voltar outra desse país? Ou dará mais facilmente a vitória a uma banda de um Pais que todos os anos metem lá inúmeras bandas? Quem é que alimenta o concurso afinal? Não acha que as coisas têm de ser extremamente claras para que a organização possa funcionar devidamente? O que é justo é justo e não é por acaso que toda a competição é gravada e filmada, e sempre que uma banda acaba a sua prova as pontuações são postas num computador onde está um membro do governo civil Austríaco, e a partir desse momento acabou, alem de que a gravação integral do concurso é dada a todas as bandas, inclusive gravação vídeo. Agora repare em mais: nós ganhamos com 94.20, e a banda Alemã que ficou em segundo ficou com 76,70.
A evidência
Não acham que foi evidente, inclusive para quem lá estava? Imagine como se sentiram os Alemães? E vão lá todos os anos, e sabe o que é que aconteceu por exemplo: Houve uma banda Suiça que ficou “basada” de tal forma que veio ter com o nosso pessoal e andaram a noite toda a pagares-lhe imperial, e sabe porquê? Porque tinham estado a gozar na brincadeira com a nossa banda, daquelas brincadeiras que não matam mas moem do estilo: Coitadinhos!!! Há vocês são Portugueses!!!! Aqueles desabafos sabe como é????? No final renderam-se!!!
A experiência adquirida em Itália
Entristece-me que aqui à uns anos atrás fui a Itália a um concurso, também conhecia o júri todo que era composto inclusive por colegas, e achei que a banda foi COMIDA, mas enfim percebi e tive que me aguentar à bronca é mesmo assim, quem vai à guerra dá e leva, fiquei em quinto com a banda. Mas é necessário enfrentar e continuar. Só que nessa altura ninguém me veio dar condolências nem sequer confortar sabem? Agora toda a gente anda incomodada porque a banda ganhou alguma coisa, em vez de aproveitarem para aparecer porque o caminho já começa a estar desbravado. Não! fazem exactamente o contrário.
Temos de deixar de ser “pequeninos”
Assim iremos ser sempre pequeninos. Andamos sempre com medo e em vez de ambicionarmos o que o vizinho tem melhor, andamos sempre a ver se o vizinho fica é mal como nós! Eu não partilho disso e comigo nunca contarão. Sabe eu já estive em júris onde pelo menos dois dos elementos que estavam neste, concorreram com as suas bandas e não ganharam, à seis anos atrás um deles também estava em Itália e eu não ganhei, aliás: fiquei em quinto com a banda num nível bem mais baixo, e ninguém anda aqui a fazer favores ou vinganças pelo que acontece nos concursos, as coisas são o que são e pronto, ganha quem faz melhor.
Os concursos existem é para os músicos e não para os maestros.
Se o procedimento dos concursos fosse o espelho dos medos e da mentalidade dos idiotas, já não haveria concursos. Os concursos existem é para os músicos e não para os maestros. Concluindo: Eu comecei a trabalhar em direcção lá fora, não foi cá em Portugal, alem disso continuo a trabalhar muito lá fora, até mais do que o que queria, preferia fazer o mesmo por cá, mas confesso que tem sido difícil, e que as forças de pressão contrárias têm sido muitas: mas estão a acabar, o ambiente está a mudar e a seu tempo as coisas vão acontecendo, e por isso conheço muita gente lá fora ligada ás bandas e ao mundo da musica e por isso obviamente que conhecia o júri todo.



 Todos os elementos do Júri eram músicos ou estavam relacionados com a música de Banda?

Sim, todos.



 Como se sentiram os seus músicos, a direcção e toda a comitiva, no momento em que souberam do feito que tinham conseguido?

Extremamente felizes e eufóricos claro!!!! Nem era para menos. Não só pelo trabalho que se desenvolveu para aquele objectivo, mas acima de tudo pelo orgulho de se ser português, até porque a prudência por experiências vividas anteriormente, deixava-nos parafraseando:” prognósticos só no fim”.



 Como se processou a entrega do “prémio”? Estavam todas as candidatas presentes? Receberam muitos elogios dos presentes, não presenteados com o prémio?

A entrega do prémio é feita no último dia numa festa final, onde há a entrega de prémios aos vencedores e um espectáculo final com um agrupamento musical convidado. Todos os concorrentes do nível respeitante ao prémio que se entrega são chamados ao palco, e depois são dadas publicamente um a um as pontuações finais, e é nesse momento que se fica a saber os vencedores e as respectivas pontuações, e que é feita a entrega do prémio. Na verdade muita gente nos elogiou, inclusive de níveis que não o nosso pela pontuação alcançada pela banda, e claro pelos concorrentes do nosso nível. A pontuação foi muito alta, mas mesmo que não fosse, nestas alturas é preciso saber cultivar o desportivismo a boa educação, e a compreensão. Já fiz o mesmo em situações inversas, é preciso saber ganhar e não ganhar!!! Não é perder! Ninguém perde, toda a gente ganha e esta é que é a grande lição.



 As Bandas não contempladas aceitaram bem a decisão do júri?

Sim! Sem reservas, a euforia foi geral não foi só nossa, e mantenho hoje contactos com todas, não só com as do nosso nível mas também com as dos outros níveis, com finalidades académicas, profissionais, e intelectuais. Todos ouvem as provas de todos, são concertos públicos, e nessas alturas fica-se sempre a conhecer outras coisas, que no nosso caso dizem respeito por exemplo ao repertório Português que é uma coisa completamente desconhecida na Europa. Elogiado por todos, ignorado por cá!!! È assim que vamos infelizmente.



 Receberam alguns parabéns ou palavras de apreço dos nossos conterrâneos antes de cá chegarem?

Sim recebemos! Houve muita gente amiga que me telefonou a felicitar, amigos da banda também, gente que me era completamente desconhecida e que nem sei como obtiveram o meu contacto, e algumas pessoas que nunca pensei, pessoas importantes da nossa sociedade.



 Até onde acha que pode ir com a Banda de Porto Salvo, em termos artísticos?

Só o futuro o dirá. Há muito mais coisas para alem da música que condicionam o tipo, a qualidade, e a dimensão da progressão desta, e de qualquer outra banda.



 Há quanto tempo está á frente desta Banda?

Há nove anos.



 Que Banda é - artisticamente - a Banda de Porto Salvo?

É uma banda que vive para aquilo que é, vai-se adaptando com muita perseverança ao seu próprio desenvolvimento, e que funciona na base da formação e da educação de quem por lá passa. Está desenvolvida artisticamente em conformidade com o desenvolvimento intelectual, e musical dos seus músicos. A formação e a educação não existem só aquando da passagem pela escola de música, continua depois na banda, e é isso que faz com que o desenvolvimento artístico do grupo seja contínuo. Está artisticamente ligada à dualidade: qualidade/responsabilidade.



 Que projectos têm para a Banda, se é que lá vai continuar por muito tempo?...

Por muito tempo, não sei! O futuro a Deus pertence, se se mantiver a filosofia que tenho exigido, e que se tem mantido em relação à banda até aqui, penso que continuarei muito tempo, e se for esse o desejo dos corpos directivos. Os projectos são sempre muitos, mas são isso mesmo projectos…!!!!!!! Tudo a seu tempo. Mas o grande projecto é sem duvida alguma, o do desenvolvimento artístico, intelectual, e o da formação e educação de todos os que passam pela banda de Porto Salvo, não só no que diz respeito aos músicos, mas também a maestros que por lá iniciam e complementam a sua formação, e a esse respeito a responsabilidade da banda é sem duvida alguma enorme.



 Por que será que as nossas Bandas não concorrem mais a concursos internacionais?

Razões:
È simples. Primeiro não há vontade, depois porque não há vontade, e por ultimo não há qualquer vontade. Resumindo: A sala está sempre torta, e as janelas fazem muita corrente de ar, no Verão faz calor e no Inverno faz frio.
Razões artísticas, logísticas, geográficas e financeiras
Estas são as razões de fundamento artístico, as de aspecto logístico são as mais difíceis, é que temos um tampão geográfico aqui ao lado que se chama Espanha que leva 24H a passar de autocarro, o que inviabiliza quase sempre qualquer tentativa de se deslocar uma banda de autocarro. Qualquer banda no centro da Europa desloca-se facilmente de autocarro em 5, 6 ou 7 horas para um outro pais, ás vezes em muito menos tempo, 2 ou 3 horas e isso torna tudo muito mais fácil, no que toca a deslocações. Aliando isso à falta de apoios financeiros, ou à falta de estratégia financeira no que toca às opções das bandas, resulta numa total falta de comparência das nossas bandas em concursos internacionais. As deslocações de avião são caras e dão imensos problemas no que toca à logística do transporte de instrumentos, nós próprios fomos vitimas disso mesmo.” (Só as viagens de intercâmbio aos Açores que são em regra ao mesmo preço e mais caras do que algumas para alguns locais da Europa, é que não dão chatice, e são em regra muito fáceis de conseguir fazer com apoios”).
Concurso em Itália
Olhe à seis anos atrás quando fomos a Itália também a um concurso, cada musico da banda pagou a sua estadia, e já nessa altura ouvi algumas barbaridades do estilo: “ A banda vai passear para Itália não é?”, mas para os Açores não é passeio!!! Engraçado!!! É intercâmbio cultural! Muito bonito!!!!
Colaboração dos músicos em Itália
Procure, e deve de contar pelos dedos, porque eu sei que também o há, uma banda onde os músicos se disponibilizam para pagar do seu próprio bolso a estadia e alimentação de uma ida a um concurso ou a um outro sitio qualquer!!! Para mim é simplesmente uma questão de prioridades que se devem de estabelecer e escolher para a banda. Cada um escolhe aquelas que acha melhores para si e para a sua banda. Eu escolho as minhas, e cada um escolhe as suas. Opções!!!!!



 Que benefícios traz para uma banda a participação em concursos desta natureza?

Imensos, e de todo o tipo.
Começando no artístico que é sem dúvida para mim o mais importante, não nos podemos esquecer também do benefício cultural que advêm da troca de experiências e de conhecimento entre as bandas dos vários países participantes, para alem do amadurecimento que se cria na banda por atravessar uma experiência deste tipo, e contactar com outras realidades musicais e culturais no que respeita a bandas e à musica para banda
Auscultar o que se faz lá fora
Aprende-se sempre muito só de ver e ouvir o que se faz lá por fora, e perceber que os problemas que nós temos por cá também existem nos outros países, sem duvida de maneiras diferentes, e uns melhores que ouros, mas o que faz a diferença é somente uma questão de atitude.
Nunca alimentei a postura e filosofia do “COITADINHOS DE NÓS”.
Se não há ou não temos, trabalha-se para se conseguir, é tão simples quanto isso. Ficar sentado à sombra da bananeira é que não, pelo menos eu não, e nem sequer admito esse tipo de postura com quem comigo trabalha.



 Acha que temos bom nível nas Bandas Filarmónicas em Portugal?

Acho que podíamos ter muito melhor.



 Sabemos, como com certeza saberá também, que irão aparecer concursos em Portugal organizados pelas Federações e Confederação de Bandas Filarmónicas. Vai concorrer com a Banda de Porto Salvo?

Espécie de concurso!
Concursos não sei. O que sei sim, é que vai haver uma espécie de concurso organizado pela Federação das Associações Musicais do Distrito de Aveiro, e se forem todos organizados como este..... NEM PENSAR!!!!! Com este perfil, e da maneira como está pensado e organizado, não é um concurso é outra coisa qualquer, que ainda estou por descobrir o nome adequado.
Como de costume e à Portuguesa, está-se a começar tudo ao contrário, e mal.
Faz-se tudo de qualquer maneira, e tudo serve para dizer que se faz também. Não aceito isso, e muito menos alimento organizações, eventos, ou filosofias de “modus operandi”, com as quais nos moldes apresentados, não me identifico. Mas gostaria muito de participar com a Banda de Porto Salvo, ou com outra qualquer dirigida por mim, em concursos nacionais, mas com padrões idênticos aos internacionais. De outra forma não contem comigo.



 Porque não se identifica com este "modus operandi"?

Porque é que não sorteiam os prémios também? Já que sortearam as Bandas!!!
Era mais fácil. Em vez de se estratizar o concurso pelo nível, não!.. Nivela-se pelo sorteio e o que vem à rede é peixe! Depois não há qualquer nível estabelecido no concurso. Parte-se do princípio de que as bandas são todas iguais, e não são. As bandas têm todas capacidades diferentes e por isso devem de desenvolver o seu trabalho em patamares de exigência também diferentes.
Todas as Bandas tem capacidades diferentes, e qualidades artísticas diferentes
Há bandas com 30 elementos, outras com 20, outras com 50, e 70, e todas elas tem capacidades diferentes, e qualidades artísticas diferentes. Desde quando é que a qualidade está relacionada com a quantidade? Não há qualquer critério artístico relacionado com a selecção das bandas. O facto de estar limitada a participação até é normal, já não o é o facto de se sortearem as bandas em vez de se escolherem pela qualidade artística, mesmo não havendo excesso.
Ausência de sabedoria na matéria, de confiança e de transparência
Depois não há qualquer conhecimento dos elementos do júri, dos critérios de avaliação, nem da peça obrigatória. Enfim, uma série de pormenores que revelam em absoluto a total ausência de sabedoria na matéria, de confiança, e de transparência de métodos naquilo que se procura para os resultados finais.
As pessoas sérias não precisam de andar ocultas nem no anonimato
É, na realidade, por todas estas pequenas coisas que ninguém confia nem no trabalho nem nas organizações. É isto que vai mostrando a real falta de credibilidade das coisas que por cá se faz, e o quanto andamos afastados da seriedade de outras organizações congéneres.
Há mais gente preocupada com o jogo de cintura do que em trabalhar para evoluir e crescer
Anteriormente quando lhes falei que conhecia todos os elementos do júri, estava precisamente a falar disto, e sei que por mais que explique, grande parte das pessoas vai continuar a achar que eu conhecia o júri e pronto! Ganhamos por isso! E é por isto que estamos tão afastados, é por se misturar sistematicamente tudo, em especial a Amizade com o Trabalho, as Relações pessoais com o Sucesso, enfim, inúmeras misturas. A realidade é que há mais gente preocupada com o jogo de cintura do que em efectivamente trabalhar para evoluir e crescer, querem crescer mais há custa dos conhecimentos.



 De quem é a culpa?

A culpa não é toda da organização. Eu até os entendo. Entendo os seus receios, mas este não é de maneira alguma o caminho a seguir. Mas louvo pelo menos na mesma o esforço de se fazer algo. Preferia que não fosse assim mas olhe é o que há!!!!!!



 Poderemos em Portugal realizar concursos com o mesmo nível e com a mesma organização que os outros países? É fácil, em sua opinião, realizar um concurso como aquele em que participou?

Sim, poderemos realizar concursos com o mesmo nível e até mesmo melhores. Já foi demonstrado por varias vezes, e com situações diferentes que de facto no nosso país as capacidades organizadoras são enormes. O problema que se coloca é ao nível da credibilidade do mesmo, e no que respeita à internacionalização de uma organização deste estilo, coloca-se a mesma questão, no sentido em que as nossas dificuldades de deslocação também se põem em sentido inverso, e isso pode por alguma dificuldade inicial na internacionalização do vento, mas se o evento tiver uma boa organização e for sempre credibilizado, e isso só se consegue com o tempo, ai sim poderemos ter um evento semelhante ou mesmo melhor. Para mim tem sempre de ser pensado em ser melhor em termos futuros, e a credibilidade de um evento destes passa não só pela organização, mas também pela credibilidade das pessoas que compõem a organização e os júris do evento.



 Defendem alguns ilustres maestros que a Banda é sempre uma imagem deles próprios. Tem a mesma opinião?

Sem dúvida que sim. Embora lhe diga também, que uma imagem não se cria em dois dias, mas pode transparecer alguma cor logo no primeiro ensaio. A imagem da banda não está associada somente à sua capacidade artística imediata, e muito menos a um único momento, mas sim ao caminho traçado pelo maestro para a construção dessa mesma imagem, e à boa gestão de todos os recursos e condicionantes que estão disponíveis para a mesma.



 Considera que a preparação da Banda para um concurso, de forma a conseguir um 1º lugar ou uma excelente classificação se deve exclusivamente ao Maestro, à Banda, ou ao maestro e à Banda? Porquê?

Ao maestro somente. O maestro é o responsável por tudo o que se passa de bom e de mau, no campo artístico na sua banda. O campo artístico é muito vasto, e não se resume somente ao ensaio geral. É toda uma série de coisas que evolvem o trabalho da banda, começando pela boa programação de ensaios e acabando na responsabilização musical dos elementos da mesma. As desculpas com os músicos são poeira para o ar. Não há maus músicos, há é imensos maus maestros, e se a banda por ventura não corresponde ao perfil de trabalho pretendido pelo maestro, então a solução é fácil: deixe a banda e procure outra que se adeqúe, porque também é verdade que há muitas bandas onde pura e simplesmente os músicos por mais estimulados que sejam, e por melhores condições de trabalho que tenham, não querem fazer nada, mas querem aparecer quando lhes convém. Para mim isso não serve, o grupo deve dignificar ao máximo as suas capacidades, que serão sem duvida diferentes de banda para banda, mas essa responsabilidade é sem dúvida inteiramente do maestro, a todos os níveis.



 Como maestro de carreira, militar, entende que algumas Bandas Filarmónicas rivalizam com as Bandas Militares ou estão em vias disso, em termos artísticos? Porquê?

Peço imensa desculpa, mas como entenderá prefiro não me prenunciar sobre esse assunto, porque essa questão não é assim tão simples como a pergunta. De toda a maneira digo-lhe que não misturo duas realidades completamente distintas, e que trabalham com problemas completamente diferentes. Acha que músicos profissionais e músicos amadores são a mesma coisa? Faz-se muitas comparações idiotas, muitas das vezes só para alimentar o próprio ego, ou para enganar o ego dos próprios músicos. Temos de ser um pouco mais realistas, e perceber o que se passa à nossa volta.



 Considera-se famoso?

De forma alguma!



 Era capaz de aceitar outros projectos arrojados em termos de Bandas Filarmónicas?

Depende do que entende por arrojado. Aceito sim projectos que estejam de acordo com os meus princípios musicais no que concerne a bandas e à música para banda, mesmo que elas envolvam ideias diferentes. Idiotices!!!! NÃO!!!!! Projectos válidos sim!!!!!!



 Em qualquer ponto do país?

Claro! Desde que devidamente válido. A distância não está relacionada com a qualidade do trabalho e com a qualidade dos projectos, e se o projecto merecer o esforço físico, pode contar comigo de corpo e alma.



 Quem são as suas referências, em termos de direcção artística de Banda, quer em Portugal quer no estrangeiro? Porquê?

Em Portugal ninguém! Não me posso identificar com pessoas que não são da minha área, espero pelo que vejo que em pouco tempo a situação se altere, até porque caso não saiba eu fui o primeiro, e penso que único para já a licenciar-me especificamente em Direcção de Banda. Penso que há mais um ou dois jovens que começaram agora também a estudar Direcção de Banda. Pelo menos um há, até porque foi por indicação minha que ele foi exactamente para a mesma escola que eu, embora com um professor diferente. Trata-se do Paulo Martins, (Maestro da Banda Sinfónica de Jovens de Sta.Maria da Feira) que tem feito um trabalho fabuloso por onde tem passado, e trocamos muitas impressões e opiniões regularmente. Há sim alguns senhores que fazem um bom trabalho dentro do possível, e do que lhes foi possível ter como experiência em Direcção de Banda, mas é mais à custa da carolice própria, e esta vai ser a lacuna mais difícil de algum dia ser preenchida nas nossas Bandas. A falta de maestros com conhecimento real daquilo que é uma banda e o que se pretende desse agrupamento, e o que é realmente esse instrumento (Banda) e as suas capacidades e potencialidades. Ser músico profissional, ou estudar qualquer outro tipo de direcção, por si só não basta nem serve. Cada macaco no seu galho, mas confesso que sempre é melhor que nada, e temos de utilizar o que temos para já. No estrangeiro, é obvio que mesmo sem querer soar caseiro, a minha grande admiração, é para com o meu ex. Professor. ( ô Conjaerts). Tenho uma grande admiração pelo músico e pelo homem, e temos uma grande amizade. Quem me conhece a mim, e já teve o privilégio de poder privar com ele também, sabe do que falo. Há alguns maestros na Europa, E.U.A e Japão, que são maestros de grande referência, mas não queria personalizar demasiado as coisas, até porque me pode passar algum ao lado, e tenho muitos amigos entre eles e não os quero magoar como é obvio.



 O que é para si um grande maestro?

Será sem duvida um músico completo e ao mesmo tempo um grande comunicador. Capaz de transformar o zero musical em algo de absolutamente extraordinário, capaz de motivar e cativar a atenção de um grupo em função da mesma interpretação e do mesmo objectivo. Capaz de fazer qualquer um esquecer o seu interesse pessoal em prol do interesse comum. Capaz de transformar o simples em complicado e o complicado em simples, capaz de por o grupo e o púbico em simbiose absoluta. Enfim, há muitas coisas que definem um grande maestro, estas são só uma gota de água.



 Conhece o famoso Maestro Jan Cober? Que opinião tem sobre ele?

Sim, conheço! Era também professor, onde estudei. É famoso!



 Sem pretender estabelecer comparações entre Jan Cober e o maestro Jo Conjaerts, seu professor, em sua opinião, ambos compartilham da mesma escola ou são coisas diferentes?

Para mim são duas pessoas totalmente diferentes! E nem sequer falo de café, com ou sem açúcar! Falo mais de TER ou NÃO TER, CAFÉ!! Mas isto é como tudo e muita gente achará o contrário, por isso não vale a pena chover no molhado!!! São gostos muito pessoais.



 Em direcção o gesto é tudo?

Não! É só uma das partes da direcção.



 Como deve, em sua opinião, ser seleccionado o repertório para uma Banda Filarmónica?

Deve ser seleccionado sempre em função da qualidade do grupo, e do tipo de actuação.



 Que refere sobre o site Bandasfilarmonicas.com?

Penso que é um site fundamental para a divulgação das bandas e de tudo o que com elas está relacionado, em especial às suas actividades. Tem promovido sem dúvida alguma a divulgação da musica e de eventos musicais que se revestem de grande importância para as Bandas e para os seus músicos e contribuído para muitos esclarecimentos através das entrevistas prestadas, debates e do seu fórum. Confesso que no início do seu lançamento, fiquei um pouco desgostoso com o nível de algumas intervenções e observações que por lá eram depositadas (refiro-me ao fórum). Mas parece-me que tem havido um pouco mais de cuidado com os conteúdos e atribuído muito mais importância a questões fora do âmbito pessoal. É um espaço de divulgação muito importante para a cultura do nosso pais, em especial para as bandas, no âmbito dos seus temas de interesse e necessidades, e na abordagem de novas temáticas. Neste vosso terceiro aniversário, deixo os votos de um grande futuro, repleto de sucessos! Cordiais saudações musicais para todos!

Agradecemos muito a honra de nos ter concedido esta entrevista e desejamos também ao maestro e às Bandas que dirige, em especial à Banda de Porto Salvo, as maiores felicidades.




 

Curriculum de Délio Gonçalves

Nasceu em Azambuja, onde iniciou os seus estudos musicais, no Centro Cultural Azambujense com o maestro João Ribeiro da Silva Teófilo. Foi também em Azambuja que iniciou os seus estudos em Fagote com o professor Carolino Carreira.

Em 1990 frequentou o Curso Superior de Técnicas Orquestrais, e Solos de Orquestra para Fagote , na Universidade Internacional Ménendez Pelayo, em Barcelona, com bolsa de estudo da própria universidade, que veio assim marcar definitivamente a sua opção pela carreira artística.

Em 1991, após concurso nacional, ingressou na Banda da Armada Portuguesa, na qual passou a ocupar, desde então, o cargo de 1ºFagote Solista.
Em 1992, ingressou na Escola Profissional de Musica de Almada, na qual continuou os seus estudos com o professor Carolino Carreira, onde viria a terminar o Curso de Instrumento em 1995.

Como jovem Fagotista, fez parte de várias orquestras de jovens existentes, nomeadamente: Orquestra Sinfónica Juvenil de Lisboa, Orquestra Portuguesa da Juventude, Orquestra Luso-Alemã, Orquestra Luso-Francesa e Orquestra de Escolas Particulares, tendo nesta ultima participado como convidado e em todas elas desempenhando o papel de 1ºFagote Solista.

Como instrumentista, a sua actividade englobou várias actividades musicais, que vão desde os recitais a solo, concertos de musica de câmara, gravações, até à colaboração com as mais importantes orquestras da cena musical do nosso país, como Orquestra Clássica do Porto, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Sinfónica Portuguesa, tendo nesta ultima tido uma participação bastante intensa como 1ºFagote solista.

Nos últimos anos tem-se dedicado essencialmente à direcção, dirigindo vários agrupamentos profissionais e amadores, como ensambles e orquestras de sopros.
Actualmente, a sua actividade centra-se essencialmente na direcção de bandas amadoras, e no ensino, não só institucionalmente mas também particularmente, leccionando aulas de direcção a vários alunos, bem como em workshops de direcção, e em estágios de bandas amadoras.

Em 2001 licenciou-se em direcção de Orquestra de Sopros, Fanfarra e Brass Band, no Royal Music Conservatorium of Maastricht, na Holanda, com o professor Jo Conjaerts.
É frequentemente convidado a dirigir concertos no estrangeiro, não só com agrupamentos profissionais mas também amadores, tendo dirigido em alguns países como a Itália, Alemanha, Áustria, Bélgica e Holanda, algumas das melhores orquestras de sopros da Europa.

Alem de dirigir, é também membro frequente em júris de concursos internacionais de música, um pouco por toda a Europa.

Em Março de 2002, e após prestar as devidas provas públicas, concorreu a Oficial da Banda da Armada, onde actualmente com o posto de Segundo-tenente, é o Oficial Adjunto do Chefe da Banda da Armada Portuguesa.

 

 
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Reportagens
 
 

V Aniversário do Ensemble Palhetas Duplas

Entrevista/Reportagem: Banda Juvenil de São João da Madeira

Banda V.U. Sanjoanense em França

 
 
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