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Trompa


Da origem até aos nossos dias

A trompa teve a sua origem no Olifante e no Chofar Hebreu, instrumentos estes ainda em uso nas cerimónias ligadas ao Ano Novo judeu e à Festa da Expiação.

Além dos egípcios e hebreus, também os gregos fizeram uso do Chofar e do Kegos (trompa) para anunciar ao povo as suas reuniões religiosas e profanas.

A construção da trompa de metal data do ano de 1400, aproximadamente, e foi um instrumento muito utilizado em França até ao reinado de Luís XV, tendo neste país encontrado a sua grande expansão. Daí que os ingleses lhe tenham passado a chamar French Horn (Trompa Francesa).

A trompa foi sofrendo, através dos tempos, várias modificações, até no próprio nome: Trompa de caça, Trompa Lisa ou de Mão, Trompa Cromática ou de Pistões e Trompa de Harmonia, como hoje é conhecida.

Trompa de Caça

Era usada nos grandes festins venatórios que outrora se realizavam nas cortes europeias. É um instrumento de tubo cilíndrico e cónico.


Trompa Lisa ou de Mão

É uma cópia da Trompa de Caça, mas à qual se podia adaptar uns tubos enroscados (em português, roscas), que lhe aumentava o comprimento e, consequentemente, a fundamental.

Hampel imaginou esse sistema de tubos ou roscas que, de vários tamanhos, cada um produzia a respectiva fundamental, sobre a qual se podia executar uma série de harmónicos de quinze sons (roscas de si, lá, sol, etc.). Começa aqui a chamar-se Trompa de Harmonia, porque, com base nos respectivos harmónicos, já se podia executar todo o tipo de melodias. Os meios tons eram produzidos com a ajuda da mão direita na campânula, tornando assim possível uma maior amplitude das potencialidades do instrumento.

Foi no princípio do século XIX que o instrumento sofreu a sua maior evolução, quando Blumhel e Stolzel inventaram, respectivamente, os cilindros e os pistões. Com esta inovação foi criada a Trompa Cromática, permitindo assim o desenvolvimento que hoje lhe conhecemos.

Quando o trompista introduz a mão na campânula, os sons tornam-se mais baixos e o timbre mais aveludado. À medida que a mão avança e que o orifício interior do tubo se torna mais estreito, se fazem sentir esses efeitos. Desta forma, pode o executante baixar todos os graus da escala harmónica, desde a fracção mais imperceptível até ao intervalo de um tom, fenómeno este descoberto pelo trompista alemão Hampel. Uma das formas de se aplicar este processo é adaptar à nossa escala actual os harmónicos discordantes: o som 11 (fá# muito baixo) torna-se fá natural; o som 13 (lá natural muito baixo) transformam-se em lá bemol; os sons 7 e 14 (si bemol muito baixo) transformam-se em lá natural. Estes quatro sons, produzidos por um abaixamento de menos de meio tom, têm uma sonoridade extraordinária, podendo considerar-se os melhores entre os sons fechados.

Efeitos Tímbricos

Aproveitando a técnica da mão dentro da campânula, pode-se produzir vários efeitos sonoros na trompa:
- efeito bouché – obtêm-se introduzindo a mão em forma de concha dentro da campânula;
- efeito eco – produzido como na forma anterior, mas desta vez, deixando uma pequena abertura entre a palma da mão.

Com tais recursos, a trompa actual permite aos compositores e instrumentistas optimizar, de forma muito criativa e variada, as potencialidades do instrumento. É possível, por exemplo, baixar meio tom a cada um dos sons do instrumento e produzir assim, a par da escala cromática em sons abertos, uma segunda escala exclusivamente composta de sons fechados.

Com um vastíssimo repertório (sonatas e concertos), desde o estilo Barroco até ao Contemporâneo, a trompa encontrou em Richard Strauss, um compositor de excelência, que soube explorar de forma genial, em pleno Romantismo, todas as virtuosidades do instrumento.

É nos finais do século XX que, com António Vitorino D’Almeida, Eurico Carrapatoso, Sérgio Azevedo e Clotilde Rosa, se começa a escrever para a trompa em Portugal.


Dados fornecidos pelo prof. António Costa, a quem agradecemos.
 

 

 

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