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Grande concerto do Conservatório de Música de Vila Real
16.Jul.2012

A sala ovacionou de pé e o maestro soube retribuir..
 

O Teatro Municipal de Vila Real tem uma aura que desperta interesses e cobiças para se poder lá atuar. Aqui já se realizaram centenas de concertos com sala apinhada. Para gozar um pouco dessa aura o Conservatório Regional de Música de Vila Real (CRMVR) esteve bem representado com as suas duas orquestras no concerto de encerramento do ano letivo.

Ouvimos um programa muito variado ao mesmo tempo espiritual e desopilante, comovente ou divertido que enlevou e sacudiu o público, misturando erudição e atrevimento mágico. Momentos bem-humorados e transbordantes com a Suite Harry Potter de J. Williams num arranjo excelente que fez vibrar e envolver toda a plateia. O professor Victor Gomes conseguiu fazer renascer com a sua veia artística a poética mágica da música, ora suspensa entre raios e trovões, ora assente na terra misturada e diluída entre os seres vivos…uma adaptação muito inspirada que fez renascer a fantasia das aventuras escritas pela britânica J. K. Rowling…
A Orquestra de Câmara do CRMVR correspondeu exponencialmente à grandeza da obra. O coro que a acompanhou espiritualizou-a com as vozes afinadas e cândidas em noivado genial. O que se ouviu no conjunto foi um timbre límpido, afinação segura, técnica escorreita levando ao deslumbramento da assistência que encheu por completo o grande auditório.

O intervalo surgiu rápido e com muita expectativa para uma segunda parte que havia de ser fulgurante ao nível de um programa bem concebido e da sua execução. A Orquestra de Sopros já nos habituou a interpretações fantásticas que nos deixaram sucumbir à emoção e ao prazer. Mais uma vez isso aconteceu neste concerto em obras emblemáticas de compositores bem conhecidos de todos os melómanos do nosso planeta. “Overture for wind instruments, de Félix Mendelssohn/ Jazz Suite nº 2 de Dimitri Shostakovick/ e Danças Eslavas de Anton Dvorak”, deram à segunda parte um brilho mágico…todo o espaço físico da sala funcionou numa espécie de santuário onde músicos e público pareciam estar sintonizados no mesmo encanto e feitiço, proporcionando momentos de cortar a respiração. A música destes três compositores continua a fascinar audiências e a levar grandes plateias às melhores salas de espectáculos.

O maestro Filipe Fonseca soube transformar a música num fio de som ou numa torrente avassaladora. Nele não há arestas nem transições bruscas: tudo é envolvente e maleável. Só um grande maestro consegue de uma orquestra tão jovem a obtenção de pianíssimos sem que os timbres percam o rosto da beleza e da cor…

Todos os picos de emoção atingidos por uma qualidade acima da média são o resultado do trabalho, dedicação e profissionalismo de todos os professores que lecionam na grande escola de música do nosso Conservatório. Depois de ouvirmos as duas orquestras não temos dúvidas que estamos perante uma das melhores formações de orquestras jovens do país. Foi gratificante ouvir tantos instrumentos como o Eufónio tocado pelo Luís Marques… e todas as notas fluíam sem que nenhuma se escapasse…Que doces e graciosas estiveram as flautas e que misterioso foi o oboé. Que belas execuções e solos se ouviram em clarinetes, requinta, saxofones, trombones, violinos, trompas, trompetes, tubas, percussão, celesta, piano, fagotes, viola de arco…
Todos os artistas em palco pareciam iluminados como se estivessem numa grande catedral acompanhados por um coro de sacerdotes impregnados de alegria e de exaltação à música. Isso sentiu-se num tema coral…viu-se os sons a deslizar em cascata, ouvindo-se ao mesmo tempo o bramir do mar sereno que abraçava as vozes e as acariciava…
Já no final do concerto programado a sala ovacionou de pé calorosamente e o maestro soube retribuir com uma música estonteante, cheia de ritmo e de cor…o palco era agora espaço de total liberdade e os músicos movimentavam-se como se cada lugar fosse seu…as coreografias desenhadas levaram o público ao rubro e o delírio quase aconteceu…

Dada a juventude dos elementos das duas orquestras é de esperar que alguns músicos venham a fazer parte, num futuro próximo, de orquestras de excelência espalhadas pelos países mais desenvolvidos da Europa. É sabido que os músicos de sopros das escolas portuguesas gozam de boa fama no estrangeiro e muitos deles são já autênticas revelações, ocupando até lugares de destaque como solistas e professores.

Fica uma interrogação: se todo o programa apresentado foi preparado em apenas 5 dias, o que não fariam estes jovens com um pouco mais de tempo?


Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real

 

 
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