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15 de Dezembro, 2019

Entrevista ao diretor da Banda da Carris de Lisboa

Data da entrevista: 17 de Janeiro de 2017

Segundo Manuel Marcelino, a Banda de Musica dos empregados da Carris de Lisboa é uma instituição artistica e cultural quase centenária com boa saude e energia e é para continuar. A congénere do Porto, existiu, com bom nível artístico, mas não resistiu. Porque resiste a Banda de Lisboa? Que organização tem, quem a dirige, como funciona?

  • PORQUE SERÁ MARCELINO QUE A BANDA DA CARRIS DE LISBOA SE MANTEM E NO PORTO, A CONGENERE, NÃO SE AGUENTOU?

    Se bem me lembro a Banda congénere da Carris do Porto sempre se destacou pela sua qualidade musical, contudo, parece-me que alguns problemas de ordem política, económica, entre outros, influenciaram o seu desfecho.
    Felizmente, nos últimos 10 anos de existência, a Banda de Música dos Empregados da Companhia Carris de Ferro de Lisboa tem ultrapassado desafios semelhantes e alcançado objetivos essencialmente através da promoção da motivação, dedicação, responsabilidade e paixão de todos os intervenientes (desde a Direção aos Músicos), transmitindo uma imagem positiva da música, nas variadíssimas solicitações socioculturais que tem abraçado. Para além de unir laços e incentivar o convívio entre os trabalhadores, a identidade da Banda de Música dos Empregados da Carris de Lisboa espelha a cultura interna de uma empresa pública, provavelmente única no país.

  • COMO SE FINANCIA? COMO CONSEGUE SUPRIR OS CUSTOS COM FUNCIONAMENTO? OU NÃO TEM CUSTOS?

    De uma forma geral, o financiamento para os custos mensais advém de uma quota mensal dos associados da Banda da Carris. No entanto, o contributo e apoio da empresa Carris por exemplo ao nível das instalações, equipamentos, logística e outras regalias, tem-se revelado importantíssimo para a sustentabilidade, gestão e qualidade da Banda de Música dos Empregados da Companhia Carris de Ferro de Lisboa.

  • QUEM SÃO OS UTILIZADORES?

    A Banda de Música dos Empregados da Companhia Carris de Ferro de Lisboa até há cerca de 10 anos apenas permitia a admissão de funcionários da Carris; filhos/familiares de funcionários da Carris, estudantes da Escola de Música, contudo, atualmente podem ser também integrados colaboradores/músicos externos.


  • QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS QUE EXISTEM PARA QUEM TOCA NA BANDA DA CARRIS?

    Um executante da Banda de Música da Carris beneficia de um estatuto de músico, que foi previamente acordado pela empresa Carris, onde claramente se estabeleceram normas de conduta e funcionamento, direitos e deveres do músico; contemplando, por exemplo, benefícios ao nível dos horários de trabalho. Desta forma, no que se refere aos funcionários da Carris, em particular, o tempo relativo aos ensaios da Banda são contabilizadas para a média semanal, por exemplo. Por outro lado, no caso dos colaboradores (externos), é-lhes facultado um apoio mensal ao nível dos transportes (isto é, um passe para a deslocação aos ensaios).

  • QUE TIPO DE TRABALHO DESENVOLVEM?

    Anualmente estruturamos um plano de atividades, que contextualiza as diversas atividades a desenvolver, envolvendo por exemplo iniciativas/projetos de cariz solidário, educativo e cultural, no intuito de promover ao máximo uma visão eclética da música.
    Desde a sua criação, há já 86 anos, a Banda de Música dos Empregados da Companhia Carris de Ferro de Lisboa tem como objetivo primordial a promoção e o desenvolvimento musical e cultural, baseado num repertório robusto e moderno, e simultaneamente adaptado às competências técnicas e artísticas dos seus músicos.

  • QUAL FOI O MOMENTO ALTO DA CARREIRA (EXISTÊNCIA) DA BANDA DA CARRIS NA SUA OPINIÃO?

    É sempre difícil responder a essa questão, mesmo porque a Banda de Música da Carris, tem participado de forma entusiasta e dedicada, ao longo da sua existência, em diversos eventos que são merecedores de distinção. Contudo, a título de exemplo, em 2008, quando a Banda de Música da Carris celebrou as bodas de diamante, realizou 23 atuações em diferentes locais de Lisboa, marcando assim um ano intenso de trabalho e organização por parte de toda a comunidade Carris. Como resultado, a gravação de CDs (com faixas interativas), medalhas, participações/eventos em programas televisivos e em concursos, têm contribuído claramente para o prestígio e promoção da qualidade musical deste grupo, do qual tenho a honra de pertencer. Seguem-se alguns exemplos de participações especiais mais recentes e relevantes em múltiplos contextos da presença da Banda de Música da Carris:
    • Interpretação da peça “Love is in the Air” (1977) (entre outras), no âmbito das Noivas de Santo António 2016, marca incontornável na tradição popular de Lisboa;
    • Interpretação da peça “Fantasia de um Fruto Imperfeito”, opus 123 do compositor português Jorge Salgueiro, “Concert Prelude” (1975), “Beijo do Tejo” (2016), “Puenteareas” (1929) na 6ª edição do Concurso de Bandas (Ateneu Artístico Vilafranquense);
    • Interpretação do tema “O pica do 7” do álbum “Rua da Emenda”, a bordo do elétrico 28E, com o prestigiado músico António Azambujo;
    • Interpretação de temas alusivos aos Santos Populares de Lisboa 2016, integrados no programa “Agora Nós” da RTP 1; e
    • Interpretação de vários temas integrados na programação do Museu Nacional de Arte Antiga.

  • COMO ESCOLHEM O DIRETOR ARTISTICO (MAESTRO) E QUE PLANO DE TRABALHO, OU RESPONSABILIDADE, LHE ATRIBUEM?

    O Maestro é o elemento fundamental para a evolução artística e qualidade do grupo. Por tal, esta tomada de decisão é feita essencialmente tendo em conta as competências específicas de formação e direção musical, currículo, experiência, competências interpessoais e trabalho em equipe/liderança. Privilegiamos um perfil de Maestro que tenha como ambição um plano de trabalho criativo, dinâmico, moderno e sustentável, essencialmente adaptado aos músicos em questão. De forma geral, o Maestro da Banda de Música da Carris assume por completo toda a responsabilidade artística, contando com o apoio e colaboração por parte da Direção da Carris.

  • QUAL FOI O MAESTRO(S) QUE MAIS SE DESTACOU NA BANDA DA CARRIS, DIGNO(S) DE HOMENAGEM? E PORQUÊ?

    O Maestro que notoriamente mais se destacou foi o Sr. Comandante Carlos da Silva Ribeiro, que esteve ao serviço da Banda de Música da Carris durante 23 anos, à frente da qual dirigiu mais de 300 atuações públicas, que tiveram lugar de norte a sul do país e em salas prestigiadas de espetáculo (por exemplo: Coliseu de Lisboa, Pavilhão Atlântico do Parque das Nações, Teatro de S. Luís, Fórum Lisboa). A meu ver, essa longevidade deveu-se essencialmente às relações de afetividade e pedagógicas que criou e que de certa forma contribuíram para uma evolução continuada do repertório executado pela Banda de Música da Carris (incluindo, por exemplo repertório de música tradicional Portuguesa).
    Ao Maestro Carlos da Silva Ribeiro um Muito Obrigado e reconhecimento pela forma apaixonada e genuína que abraçou este desafio durante estes anos!