... incompleta!
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Luís Pinho
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... incompleta!
No caminho para casa, vinha a ouvir na Antena 2 uma entrevista com o compositor Jorge Salgueiro, em que ele comentava a sua sinfonia nº 2 "Mare Nostrum",
obra que ouvi pela primeira vez, não foi na totalidade porque apanhei o programa meio, mas o que ouvi gostei muito.
Serve esta introdução para quê ?
Apenas porque me fez recordar que no passado dia 12 de Novembro não me recordo de ter lido ou ouvido qualquer comentário à "Fantasia Ligeira",
ou seja, ficamos a saber um pouco sobre o que inspirou cada um dos autores das outras obras interpretadas pela BF,
mas nada sobre a Fantasia Ligeira (corrijam-me se estou errado).
O que eu gostaria de pedir, e penso que todos concordarão, é que o Antero Ávila dispense um pouco do seu tempo e nos conte sobre o que o inspirou,
como surgiu o nome, a história, etc. Só assim a obra ficará completa.
obra que ouvi pela primeira vez, não foi na totalidade porque apanhei o programa meio, mas o que ouvi gostei muito.
Serve esta introdução para quê ?
Apenas porque me fez recordar que no passado dia 12 de Novembro não me recordo de ter lido ou ouvido qualquer comentário à "Fantasia Ligeira",
ou seja, ficamos a saber um pouco sobre o que inspirou cada um dos autores das outras obras interpretadas pela BF,
mas nada sobre a Fantasia Ligeira (corrijam-me se estou errado).
O que eu gostaria de pedir, e penso que todos concordarão, é que o Antero Ávila dispense um pouco do seu tempo e nos conte sobre o que o inspirou,
como surgiu o nome, a história, etc. Só assim a obra ficará completa.
- Marlene Dias
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Luis creio não estar enganada (e se estiver peço perdão) mas penso que o maestro Afonso Alves falou algo acerca da Fantasia Ligeira.
Confesso que a justificações das obras que me ficaram mais presentes foram a do "Til El" e a da "Fórum Magnum".
Foi tanta coisa para assimilar naquele dia que é natural que nos escape sempre alguma coisa.
Confesso que a justificações das obras que me ficaram mais presentes foram a do "Til El" e a da "Fórum Magnum".
Foi tanta coisa para assimilar naquele dia que é natural que nos escape sempre alguma coisa.
Última edição por Marlene Dias em 05 dez 2005, 11:02, editado 1 vez no total.
- Renata Oliveira
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Marlene nao havia nenhuma peça chamada "banda forum" (corrijam-me se me tiver esquecido).
Havia a "bandasfilarmonicas.com" e o "forum magnum"
Em relaçao á "fantasia ligeira" o maestro Afonso alves falou nela mas nao me recordo se foi no concerto ou no ensaio. De qualquer maneira acho que era bom o Antero dizer o que o inspirou e todas as outras coisas ja referidas
Havia a "bandasfilarmonicas.com" e o "forum magnum"
Em relaçao á "fantasia ligeira" o maestro Afonso alves falou nela mas nao me recordo se foi no concerto ou no ensaio. De qualquer maneira acho que era bom o Antero dizer o que o inspirou e todas as outras coisas ja referidas
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Luís Pinho
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A verdade é que não me recordo desse momento, mas mesmo que esse
comentário tenha sido feito (acredito que sim), acho que seria mais
interessante ouvirmos (ler-mos) os comentários do próprio compositor.
comentário tenha sido feito (acredito que sim), acho que seria mais
interessante ouvirmos (ler-mos) os comentários do próprio compositor.
Última edição por Luís Pinho em 03 dez 2005, 22:47, editado 1 vez no total.
- Renata Oliveira
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- Angela Gonçalves
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Bom, na verdade, o que se passa é que eu gosto muito de falar e gosto muito de música.
Mas não gosto de falar muito sobre música...
Não é por mal, nem por pretensiosismo. É talvez porque para mim a música tem algo de mágico. E quando se explica uma magia ela perde o encanto...
Mas há também muita gente que gosta tanto de música que mesmo sendo desvendados os mistérios da obra, continua a ouvir com ouvidos de criança e a encontrar magia em cada acorde.
Vou falar-vos então um pouco, na prespectiva do compositor, da Fantasia Ligeira.
Esta peça foi escrita já há algum tempo. E, salvo erro, terá sido a primeira obra minha para filarmónica daquele tamanho em que não procurei inspiração em temas do folclore da minha região.
Na verdade não procurei inspiração em tema musical nenhum.
A procura da perfeição é uma coisa que me irrita. Gosto de coisas tortas. Orelhudas. Divertidas. De cores vivas. Inconsequentes. Contrastantes.
A Fantasia Ligeira começa com uma marcha. Marchada por um coxo.
Em todo o primeiro andamento temos um ambiente alegre, brilhante, ligeiro. Até Cómico, diria eu. Tipo Cartoon. Cheio de surpresas rítmicas, harmónicas e de instrumentação.
Este andamento divide-se em várias partes. Há repetições.
Algumas caracteristicas harmónicas importantes para colorir este andamento foram:
os acordes de sétima da dominante com quinta aumentada,
as sextas napolitanas, etc.
Cadências interrompidas,
Politonalidades.
São harmonias relativamente pouco comuns em música para filarmónica aplicadas no contexto em que as apliquei.
Como vêm, estes são aspectos mais técnicos e que mostram que a inspiração não é tudo! Na minha opinião.
Vou falar depois sobre o segundo e terceir andamentos. e estou disponível para responder a qualquer questão sobre a peça.
Abraço
Antero.
Mas não gosto de falar muito sobre música...
Não é por mal, nem por pretensiosismo. É talvez porque para mim a música tem algo de mágico. E quando se explica uma magia ela perde o encanto...
Mas há também muita gente que gosta tanto de música que mesmo sendo desvendados os mistérios da obra, continua a ouvir com ouvidos de criança e a encontrar magia em cada acorde.
Vou falar-vos então um pouco, na prespectiva do compositor, da Fantasia Ligeira.
Esta peça foi escrita já há algum tempo. E, salvo erro, terá sido a primeira obra minha para filarmónica daquele tamanho em que não procurei inspiração em temas do folclore da minha região.
Na verdade não procurei inspiração em tema musical nenhum.
A procura da perfeição é uma coisa que me irrita. Gosto de coisas tortas. Orelhudas. Divertidas. De cores vivas. Inconsequentes. Contrastantes.
A Fantasia Ligeira começa com uma marcha. Marchada por um coxo.
Em todo o primeiro andamento temos um ambiente alegre, brilhante, ligeiro. Até Cómico, diria eu. Tipo Cartoon. Cheio de surpresas rítmicas, harmónicas e de instrumentação.
Este andamento divide-se em várias partes. Há repetições.
Algumas caracteristicas harmónicas importantes para colorir este andamento foram:
os acordes de sétima da dominante com quinta aumentada,
as sextas napolitanas, etc.
Cadências interrompidas,
Politonalidades.
São harmonias relativamente pouco comuns em música para filarmónica aplicadas no contexto em que as apliquei.
Como vêm, estes são aspectos mais técnicos e que mostram que a inspiração não é tudo! Na minha opinião.
Vou falar depois sobre o segundo e terceir andamentos. e estou disponível para responder a qualquer questão sobre a peça.
Abraço
Antero.
- Angela Gonçalves
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Olá Amigos
De facto a explicação no dia 12/11/2005, da peça do Antero, Fantasia Ligeira foi feita pelo Maestro Afonso Alves, depois segundo ele de uma conversa com o Antero.
É verdade que nós gostavamos que tivesse sido o Antero, pois era sinal de que estava junto de nós, mas a vida é como é e o Antero quando puder de certeza que trás outra obra linda como a Fantasia Ligeira e faz ele próprio a explicação.
Esperamos por ti, Antero.
Um abraço a todos.
De facto a explicação no dia 12/11/2005, da peça do Antero, Fantasia Ligeira foi feita pelo Maestro Afonso Alves, depois segundo ele de uma conversa com o Antero.
É verdade que nós gostavamos que tivesse sido o Antero, pois era sinal de que estava junto de nós, mas a vida é como é e o Antero quando puder de certeza que trás outra obra linda como a Fantasia Ligeira e faz ele próprio a explicação.
Esperamos por ti, Antero.
Um abraço a todos.
- Marlene Dias
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Luís Pinho
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Marlene Dias Escreveu:Luis creio não estar enganada (e se estiver peço perdão) mas penso que o maestro Afonso Alves falou algo acerca da Fantasia Ligeira.
Ao que parece estava mesmo distraídoAlbino Magalhães Escreveu:De facto a explicação no dia 12/11/2005, da peça do Antero, Fantasia Ligeira foi feita pelo Maestro Afonso Alves, depois segundo ele de uma conversa com o Antero.
As minhas sinceras desculpas por esse facto.
No entanto acho que essa distração foi positiva, pois assim tivemos a
oportunidade de "ouvir" os comentários feitos à Fantasia Ligeira pelo Antero.
- Antero Ávila
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Sobre o Segundo Andamento
Sobre o Segundo Andamento:
A parte central da peça é lenta. O Maestro Afonço Alves soube, de forma magistral, transformar em MÚSICA uma série de retardos.
É o andamento que tem uma harmonia mais tradicional. Mas também mais complexa. Um dos aspectos que sempre quis imprimir à minha música, seja ela de que género for, é a sensação de Tensão e Relaxe.
É esta relação que faz a música andar prá frente. Há sempre uma dissonância seguida de consonância de onde nasce outra dissonância, e assim por aí fora. É uma música se se empurra a si própria. Não apetece fugir daquele ciclo de sucessões de retardos.
Depois dos graves, os agudos, pelo meio um apontamento do trompete. E para sair desse ciclo usei uma cadência evitada e ficámos em Dó Menor para uma pequena marcha fúnebre. A sua melodia é muito simples, descendente, com notas muito longas intercaladas com notas curtas. O acompanhamento parece marcar uma passada lenta e cansada.
Com uma passagem cromática nos baixos entramos no terceiro andamento do qual falarei a seguir.
Quero só acrescentar que este segundo andamento é, a nível de composição, o mais técnico. Não significa, talvez, que seja menos inspirado. De que serve a inspiração se não houver técnica para a por em prática?
E quero que saibam que, na minha prespectiva, música não é o que está escrito. Música é o que vocês fizeram com o que escrevi. O meu computador toca o que está escrito e não soa, nem de longe nem de perto, à música que a banda Forum fez. A música está em nós. No nosso cérebro, no nosso coração, na nossa alma, onde quiserem. mas está em nós. E nenhum programa de computador consegue fazer o mesmo. (mas é engraçado tentar...)
A seguir, o terceiro andamento e a sua relação com o primeiro e com o segundo.
Abraço
Antero
A parte central da peça é lenta. O Maestro Afonço Alves soube, de forma magistral, transformar em MÚSICA uma série de retardos.
É o andamento que tem uma harmonia mais tradicional. Mas também mais complexa. Um dos aspectos que sempre quis imprimir à minha música, seja ela de que género for, é a sensação de Tensão e Relaxe.
É esta relação que faz a música andar prá frente. Há sempre uma dissonância seguida de consonância de onde nasce outra dissonância, e assim por aí fora. É uma música se se empurra a si própria. Não apetece fugir daquele ciclo de sucessões de retardos.
Depois dos graves, os agudos, pelo meio um apontamento do trompete. E para sair desse ciclo usei uma cadência evitada e ficámos em Dó Menor para uma pequena marcha fúnebre. A sua melodia é muito simples, descendente, com notas muito longas intercaladas com notas curtas. O acompanhamento parece marcar uma passada lenta e cansada.
Com uma passagem cromática nos baixos entramos no terceiro andamento do qual falarei a seguir.
Quero só acrescentar que este segundo andamento é, a nível de composição, o mais técnico. Não significa, talvez, que seja menos inspirado. De que serve a inspiração se não houver técnica para a por em prática?
E quero que saibam que, na minha prespectiva, música não é o que está escrito. Música é o que vocês fizeram com o que escrevi. O meu computador toca o que está escrito e não soa, nem de longe nem de perto, à música que a banda Forum fez. A música está em nós. No nosso cérebro, no nosso coração, na nossa alma, onde quiserem. mas está em nós. E nenhum programa de computador consegue fazer o mesmo. (mas é engraçado tentar...)
A seguir, o terceiro andamento e a sua relação com o primeiro e com o segundo.
Abraço
Antero
- Antero Ávila
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O Terceiro Andamento
O Terceiro Andamento
A forma da Fantasia Ligeira é A B A' Representando cada letra um andamento, o primeiro está muito relacionado com o terceiro (usa os mesmos materiais e faz mesmo citações do primeiro.) e o segundo é contrastante com os outros dois.
Este terceiro andamento é como o primeiro mas com algumas alterações importantes:
1 - Orquestração diferente do motivo inicial.
2 - Não tem repetições. toda a acção se passa muito mais rápidamente. É uma recapitulação, apenas. Um pouco como o que era habitual no Minueto e Trio do barroco.
3 - ao contrário das partes que encolheram, a parte mais calma do primeiro andamento alarga-se no terceiro. A ideia aqui, foi criar um SUPER-INSTRUMENTO. O trompete toca a melodia em fff. Os outros tocam ao mesmo tempo mas não as mesmas notas. Fazem politonalidade.
O que se ouve é um trompete com um som muito grande e algo sujo e dissonante. Um Super - Trompete.
Resumindo:
Imaginem que no final do segundo andamento, em vez de ir para o terceiro tinha um Da Capo. E, do princípio novamente, os músicos resolviam improvisar um pouco e não dar muita importância ao que já foi mais explorado no primeiro andamento e dar mais atenção ao que não foi tão explorado.
No final há uma pequena coda em que a música fica mais frenética como se o coxo, mais do que marchar, quisesse correr a fugir sábe-se lá do quê. Mas não consegue e vê-se outra vez rodeado daquilo que o fazia fugir. E termina a peça.
A peça tem a estrutura de uma Abertura. O seu nome original é Light Fantasy.
É Fantasy porque me faz sonhar.
É Light porque é adoçada com sorbitol.
(desculpem. não resisti
)
Resta-me dizer que a vossa interpretação da Fantasia Ligeira superou as minhas expectativas. E não falo das expectativas quanto à banda. Falo mesmo das expectativas quanto à obra.
Abraço.
Antero.
A forma da Fantasia Ligeira é A B A' Representando cada letra um andamento, o primeiro está muito relacionado com o terceiro (usa os mesmos materiais e faz mesmo citações do primeiro.) e o segundo é contrastante com os outros dois.
Este terceiro andamento é como o primeiro mas com algumas alterações importantes:
1 - Orquestração diferente do motivo inicial.
2 - Não tem repetições. toda a acção se passa muito mais rápidamente. É uma recapitulação, apenas. Um pouco como o que era habitual no Minueto e Trio do barroco.
3 - ao contrário das partes que encolheram, a parte mais calma do primeiro andamento alarga-se no terceiro. A ideia aqui, foi criar um SUPER-INSTRUMENTO. O trompete toca a melodia em fff. Os outros tocam ao mesmo tempo mas não as mesmas notas. Fazem politonalidade.
O que se ouve é um trompete com um som muito grande e algo sujo e dissonante. Um Super - Trompete.
Resumindo:
Imaginem que no final do segundo andamento, em vez de ir para o terceiro tinha um Da Capo. E, do princípio novamente, os músicos resolviam improvisar um pouco e não dar muita importância ao que já foi mais explorado no primeiro andamento e dar mais atenção ao que não foi tão explorado.
No final há uma pequena coda em que a música fica mais frenética como se o coxo, mais do que marchar, quisesse correr a fugir sábe-se lá do quê. Mas não consegue e vê-se outra vez rodeado daquilo que o fazia fugir. E termina a peça.
A peça tem a estrutura de uma Abertura. O seu nome original é Light Fantasy.
É Fantasy porque me faz sonhar.
É Light porque é adoçada com sorbitol.
(desculpem. não resisti
Resta-me dizer que a vossa interpretação da Fantasia Ligeira superou as minhas expectativas. E não falo das expectativas quanto à banda. Falo mesmo das expectativas quanto à obra.
Abraço.
Antero.

