Sociedade Artística Musical Fafense «Banda de Golães»

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A Banda de Golães, hoje também conhecida por Sociedade Musical Fafense, é a mais antiga filarmónica local, remontando a sua fundação, segundo os seus responsáveis, ao ano de 1770. Pelos dados existentes no arquivo paroquial de Golães e designadamente ao ” Livro de Certificados da Senhora de Gulaens “, existiria na freguesia uma banda musical que não teria obviamente a estrutura instrumental que viria a formar através do tempo, mas constituiria a génese da Banda de Golães. Terão sido seus fundadores dois irmãos sacerdotes de apelido Coelho de Barros, conhecidos por Padres de Pequite e que foram igualmente fundadores da actual capela pública do mesmo lugar, que ainda continua a ser centro de piedoso culto. Sabe-se que, no final do século XVIII (1779) e princípios do século seguinte (1800 e 1817), aquela banda ” dava cor musical ás romarias da freguesia, e não só ” como afirma o Padre António Coelho de Barros que, durante décadas e até há poucos anos atrás, foi presidente da filarmónica. Em 1807, ganhava a Banda dois mil e quinhentos réis na festa de Santo António e dois anos depois quatro mil réis na Senhora do Rosário. Pode-se garantir quem uma Banda de Golães formada por maior variedade de naipes e enriquecida por mais diversificado conjunto de timbres, já existia em 1840, pelo menos.

Em termos de história da Banda, o final do século XIX surge agitado por dois acontecimentos de sinal contrário. O primeiro, negativo, foi a morte trágica, em 15 de Janeiro de 1891, em Fafe, do mestre Clementino Coelho de Barros, sobrinho dos fundadores. Esse desaparecimento teve percussões desanimadoras na vida da instituição.

O facto positivo é que, poucos anos depois, em 1895, a Banda de Golães, sem deixar de permanecer com a sua designação e conservando a sua autonomia Administrativa, foi escolhida para Banda da então jovem corporação dos Bombeiros Voluntários de Fafe. Tal facto deveu-se , sobretudo, à implementação social da Banda no concelho . Eram , ao tempo, seus directores artísticos Manuel da Silva Maia e Nicolau A. Coelho de Barros.

Já neste século, em 1924, o golanense António Dias Gonçalves, mais conhecido por ” Antoninho Seara “, trabalhou para a fusão das bandas existentes em Fafe. Antes já tinham existido mais bandas no concelho , como ficou conhecida por ” Banda do Mestrinho” no Barreiro em Serrafão, onde ocupou lugar de relevo o pai dos saudosos fafenses Drs Maximino e Parídio de Matos. Outra Banda existente foi a do Leonardo.

Da hipotética fusão, resultaria apenas uma filarmónica – a Banda de Fafe. Terão concordado os músicos das Bandas de Golães e de Revelhe, mas a última hora forma os de Golães a opor-se à unificação, quando estaria iminente, ficando tudo como até aí. É a Banda de Golães que sai mais enfraquecida deste episódio, começando aí a ascensão da concorrente Banda de Revelhe.

A Banda e Golães perde o seu incomparável maestro Manuel Maia (escolhido unanimemente para maestro da banda única, se vingasse a ideia), o contra-mestre Bernardino Mendes ( Febras) e diversos executantes e, mais tarde, deixa de contar com aquele que foi considerado um dos maiores maestros civis de todos os tempos, José Maciel.

Apesar de tudo, a Banda vai resistindo, graças ao trabalho de Cândido Mota ( Maestro, violonista e violoncelista ), sob o ponto de vista musical e administrativo, continuado depois pelo maestro Aníbal José Rodrigues.

Entretanto em 1944, como consequência da crise estalada e sobretudo por falta de regulamento interno dos bombeiros Voluntários de Fafe, que definisse os deveres recíprocos de músicos e bombeiros, a Banda de Golães deixa de ser da corporação e regressa à antiga designação e estatuto.

Mais recentemente, em 1958, um grupo de fafenses – Padre António Coelho de Barros, Alberto Alves, Cândido Mota, Eng.º Albertino Freitas Gonçalves, Damião Monteiro, Fernando João Carlos da Conceição, Paulino Gonçalves Rocha e Albino Teixeira de Castro Guimarães – fundou a sociedade Artística Musical Fafense para apoiar e dar personalidade jurídica à Banda de Golães. É eleita a primeira direcção que ficou composta por padre Coelho de Barros, Manuel Teixeira e Castro Guimarães, Alberto Alves, Gervásio Pereira e Daniel Freitas.

Os estatutos da instituição foram aprovados por alvará de 21 de Março de 1958 e alterados por escritura de 7 de Março de 1991.

Em 1973, a Banda de Golães foi distinguida pelo Presidente da República e Grão Mestre das Ordens de Mérito Civil com título de Membro honorário da Ordem de Benemerência, sendo a única filarmónica do Norte com tal distinção, o que honra e enobrece o seu historial.

A distinção foi publicado no Diário do governo de 20 de Junho daquele ano (nº 144, 2ª série). Mais recentemente, em 1995, a Banda de Golães foi agradecida pela Câmara com a Medalha de Ouro de Mérito Concelho, coroando mais de dois séculos de serviço à música e à cultura neste concelho.

Além dos maestros antes referidos, desempenharam aquelas funções na Banda Manuel Ferreira, também director artístico do saudoso Orfeão de Fafe, J. Pacheco, Manuel A. de Sousa – todos músicos militares, Ângelo Moreira e Fernando Baptista.

Em Setembro de 1998, a Banda de Golães representou o Concelho de Fafe no 1º Encontro de Bandas do Vale do Ave.

Durante mais de três décadas presidiu aos destinos da Banda o Padre António Coelho de Barros, que cedeu o cargo há poucos anos a Afonso Araújo Castro (actual Presidente).

Actualmente sedeado no n.º 230 da Rua Serpa Pinto – 4820-285 Fafe, a Banda de Golães integra cerca de sessenta músicos e tem na sua direcção Artística, o prestigiado maestro Professor Francisco Ferreira.

Em 2002, a Banda de Golães procedeu a gravação do seu 1º CD, projecto este que já se encontrava previsto a alguns anos, mas devido a problemas de timing só agora pôde ser realizado.


Dados da Banda

Presidente: Manuel Joaquim Carvalho Lima
Maestro: Francisco Ferreira

Morada: Rua Serpa Pinto, nº 230
CP: 4820 - 285 FAFE
Telefone: 253 590706 - Faxe: 253 495 157
E-mail: banda.golaes@gmail.com
Website: http://www.bandadegolaes.com