Sociedade Filarmónica Palmelense (Loureiros)

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Fundada em 25 de Outubro de 1852, com a finalidade de criar uma “Phylarmonica Marcial”, a Sociedade Filarmónica Palmelense tomou desde logo o epítote de Sociedade dos Morgados em virtude de os seus fundadores serem pessoas gradaas em Palmela. Todavia, em 1864, em consequencia de divergências internas de natureza política, elementos da nóvel sociedade fundaram uma outra colectividade; os sócios que ficaram na sociedade velha passaram a ser conhecidos por “Loureiros” devido ao facto de terem erigido um arco triunfal de louro para receberem um candidato a deputado que em campanha eleitoral visitou Palmela em busca de Votos. cuja cor politica não era a mesma dos dissidentes. Devido a estes acontecimentos a Sociedade dos Loureiros suspendeu a sua actividade musical, retomada, porém, em Junho de 1867. Apesar da diversificação das suas actividades (teatro declamado e musical, actividades de natureza desportiva e outras de âmbito cultural), a Música, quer pela Banda e agrupamentos derivados e, mais modernamente, pelos Grupos Corais, constituiu desde sempre a actividade principal dos Loureiros de Palmela. No seu todo, a actividade da Sociedade, desde a sua fundação até 2002, foi compilada no livro “S.F.P. Loureiros 150 anos de história”. A banda marcial constituída pelos fundadores da Sociedade apresentou-se pela primeira vez em 29 de Junho de 1853, isto é, cerca de oito meses depois da sua criação, desfilando a tocar uma marcha do seu maestro, José Cipriano Arronches (também um dos fundadores) até à Igreja de S, Pedro de Palmela onde estreou o seu Hino, também da autoria do seu maestro; este hino, revisto em 1935 pelo tenente chefe de banda Francisco Vila Nova, então o regente da Banda da Sociedade, continua a ser um dos símbolos musicais dos Loureiros. Foram 21 os amadores que iniciaram a actividade musical da Sociedade a que, um pouco mais tarde, se juntaram outros 12. Não se conhece, todavia, a constituição instrumental deste grupo de 33 músicos, embora se possa referir que o seu repertório seria constituído por marchas de desfile e de procissão, trechos de carácter ligeiro como polcas, mazurkas e Valsas e, também, músicas para acompanhar as missas. A actividade da banda era, pois obviamente lúdica. Por volta de 1923 estava já consolidada a formação instrumental da Banda que correspondia ao agrupamento musical que, modernamente, se designa por “pequena banda” cujo instrumento mais agudo era a requinta e o mais grave a tuba em si b, passando pelo quarteto de saxofones, pelos fliscornes e trompetes, pelos saxtrompas, trombones de pistons e barítonos; a percussão a que se chamava “bateria”, era bastante básica: caixa, bombo e pratos (por volta dos anos 50 a Banda passou a dispor de um par de tímpanos). A actividade da Banda, na primeira metade do Sec XX, revestia pois a forma comum às outras bandas do nosso País: abrilhantar festas e romarias com concertos procissões, arruadas e peditórios, sendo o repertório dos concertos constituido quase exclusivamente por transcrições orquestrais e uma ou outra peça original para banda o que demonstra já uma preocupação de ordem cultural. Em 1960 a Banda dos Loureiros participou na 1ª eliminatória do 1° Concurso Nacional de Bandas Civis, organizado pela FNAT, tendo ascendido à 2ª eliminatória que se realizou em Maio daquele ano. A injusta exclusão da Banda dos Loureiros (bem como de outras duas bandas, sendo uma de Palmela e outra do Montijo) da fase final, a realizar em Lisboa, levantou grande celeuma, tendo a imprensa da época comentado indignadamente as arbitrariedades cometidas pela organização. Em jeito de consolação, reflectindo a sua má consciência, a entidade organizadora convidou as três bandas injustiçadas a participarem num troféu especialmente instituído para o efeito, Claro que as três sociedades recusaram participar. Em 1968 a FNAT levou a efeito novo Concurso, tendo a Banda dos Loureiros, em vista dos antecedentes, decidido não participar. A actividade da Banda dos Loureiros entrou em declínio no inicio dos anos 70, chegando-se a temer a sua suspensão (na decorrência deste sentimento foi criado o Grupo Coral dos Loureiros tendo como objectivo, além de outros, manter a actividade musical na Sociedade). Tal, porém, não aconteceu mantendo-se a actividade embora com algumas deficiências, nomeadamente o número reduzido de elementos, alguns de idade bastante avançada. Em consequência, a Banda marchou pela última Vez em 25 de Outubro de 1972 assumindo-se a partir dessa data, apenas como banda de concerto. O ambiente social da época em 1974 propiciou uma aprofundada reflexão sobre o papel das banda de música em geral e da Banda dos Loureiros em particular, que conduziu à tomada de disposições necessárias à continuidade desta. Assim foi crida a Escola de Música da Banda sob a direcção do maestro José Eduardo Ferreira com a colaboração de vários elementos da Banda. Nos primeiros anos da democracia a Banda colaborou em sessões de esclarecimento levadas a cabo pelo MFA com um espectáculo diversificado em que se apresentava completa e com uma Orquestra ligeira, com o Grupo Coral e com conjuntos de música de câmara. Na vida da Banda, a reflexão atrás mencionada assumiu elevada relevância na forma de “ser” banda. Assim, nos objectivos a que se devia propor, assente que a Banda dos Loureiros deveria servir primordialmente os associados, contribuindo para a sua educação permanente. O principal significado deste objectivo foi o de assumir o papel de “banda de concerto” determinando-se não aceitar convites para actuações em festas e romarias se não fossem asseguradas boas condições de audição, iluminação e ambiente que conferissem dignidade artística à apresentação da Banda No que se referia ao repertório, dever-se-ia insistir na sua modernização, com preferência por obras compostas originalmente para Banda, sem, não obstante, repudiar as transcrições que constituíam a anterior base de música para banda. Com estas medidas a banda ganhou novo alento e assegurou a sua continuidade, tornando-se no organismo cheio de vitalidade que ainda é, anotando-se que faz em média, em Palmela, no mínimo 4 concertos por ano sempre com repertório renovado. Releva-se a participação no 1° Festival de Música Popular organizado pelo INATEL, em 1979. A década de 80 foi de grande actividade, tendo logo em 1980 ocorrido um facto que veio permitir um importante salto qualitativo da Banda: a troca do seu instrumental afinado em “brilhante” por instrumental afinado em “normal”. Com efeito sendo o instrumental da banda bastante antiquado e de fraca qualidade, esta Sociedade solicitou ajuda à Secretaria de Estado da Cultura que teve como resultado a troca parcial do seu antigo instrumental assegurando a Colectividade a obtenção da parte restante. Além da vantagem da troca de instrumentos muito velhos por outros novos o timbre da banda tomou-se menos agressivo e mais completo com a inclusão de flautas, oboé, trompas de harmonia, trombones de vara e, mais tarde, de clarinete baixo e fagote, além de um acréscimo de instrumentos de percussão indispensáveis ai tipo de repertório que a Banda já tocava. Destacam-se, ainda, os seguintes acontecimentos: Em 1981, a Banda dos Loureiros apresentou-se no Teatro da Trindade, em Lisboa, convidada pelo INATEL, realizando um concerto dirigido pelo Maestro Alves Amorim integrado no Festival para proclamação dos premiados do Certame de Composições Musicais para Bandas e Coros, organizado por aquela Instituição. Ainda a convite do INATEL a Banda participou, em 1983, no II Festival de Música Popular efectuando um concerto no Teatro da Trindade. Em 1984, em Setembro, a Fundação Gulbenkian convidou a Banda a inaugurar a 1ª temporada de concertos no seu Auditório ao Ar Livre, em Lisboa. A Banda dos Loureiros foi, portanto, a primeira Banda portuguesa a apresentar-se na Gulbenkian. Ainda neste ano, em Novembro deu-se a participação na lª fase (a nível de Centros de Distribuição) do Festival EDP de Bandas de Música (Grupo A). O mérito da sua actuação permitiu-lhe ser convidada para se exibir na 2ª fase (a nível de Regiões de Distribuião), o que ocorreu em Julho de 1985. No decurso de 1986 foi completada a troca de instrumentos com a Secretaria de Estado da Cultura, sendo ainda de anotar que, mais uma vez a convite do INATEL, a Banda realizou, em Dezembro, um concerto no Teatro da Trindade, em Lisboa, integrado nos concertos dominicais daquela Instituição. Todavia, o facto mais importante a salientar nesta década foi a deslocação a Viena de Áustria, a convite do INATEL para participar na 10ª Festa da Música de Conjuntos Instrumentais de Sopro em representação de Portugal. O programa desta Festa incluia, além de concertos – em que a Banda apresentou, música portuguesa- um desfile em conjunto com restantes participantes oriundas dos Estados Unidos da América, de França, da Alemanha, da Dinamarca, do Luxemburgo, da Hungria, além de 29 bandas austríacas. Na ocasião a Televisão Austríaca (ORF) gravou uma das peças portuguesas que foi incluida num documentário sobre Palmela que na altura transmitiu. Na década seguinte, em Julho de 1994, importa referir a participação no Certamen de Música de Valência, onde a Banda concorrendo na categoria de “até 70 músicos”, obteve um honroso terceiro prémio. Esta deslocação foi antecedida por um concerto no Centro Cultural de Belém, por convite do Banco de Fomento Nacional (banco, mais tarde, absorvido pelo BPI); em 1997, houve uma deslocação a Madrid (Espanha) onde a Banda realizou um concerto oferecido pela delegação local do Banco Espírito Santo aos seus clientes espanhóis. Questão importante para a Sociedade, foi o reconhecimento e a atribuição pelo Governo do Estatuto de Utilidade Pública, em 1990, ostentando ainda a Sociedade a comenda da Ordem de Benemerência que lhe foi atribuida a quando do centenário em 1952. Já no ano 2000 a Banda deslocou-se a Badajoz (Espanha) onde realizou um concerto integrado no XVII Festival Ibérico de Música. Em 2002 realizaram-se as comemorações do 150º Aniversário da Sociedade, tendo a Banda realizado um concerto cujo programa incluíu a estreia absoluta da Cantata “Ode a Euterpe”, para banda, coro e solista vocal que foi dirigida pelo seu autor, Jorge Salgueiro. Neste Sec XXI manteve-se o nível habitual de actividades com conceitos regulares quer em Palmela (no mínimo 4), quer acedendo a convites de outras Instituições congéneres portuguesas e de Espanha. Em 2008 a Sociedade começou a organizar ”estágios” com base na nossa banda para os quais são convidadas outras bandas a enviarem jovens músicos formando-se uma banda de grandes dimensões que, depois de trabalhar durante alguns dias repertório normalmente muito exigente, sob a direcção de prestigiados maestros convidados, se apresenta em concerto público. Em 2012, em Março, realizar-se-à o 5° Estágio que será dirigido pelo Maestro suíço Felix Hauswirth; o 4° Estágio, com uma banda de 130 músicos, foi orientado por Mark Heron, maestro inglês, que preparou e dirigiu um programa e música de compositores ingleses e por Pedro Ferreira, maestro dos Loureiros que dirigiu uma peça portuguesa (Primavera, de Jorge Salgueiro); os anteriores estágios foram dirigidos por Fernando Palacino (o 1°), Alberto Roque (o 2°) e Paulo Martins (o 3°) sempre coadjuvados pelo maestro da Banda dos Loureiros. Neste ano de 2012, além da participação no 5° Estágio que organiza, releva-se como actividades de mérito quer a participação no Concurso de Bandas do Ateneu Vilafranquense, quer a comemoração do 160“ aniversario da Sociedade a ocorrer em 25 de Outubro. Tendo em atenção as suas actividades globais, a Sociedade ostenta as seguintes condecorações: Cavaleiro da Ordem da Benemerência outorgada pelo Presidente da República em 25 de Outubro de 1952 Medalha de Reconhecimento e homenagem da Federação das Colectividades de Educação e Recreio, em 19 de Setembro de 1852. Medalha de Instrução e Arte da Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio, em 20 de Março de 1957. Medalha de Honra da Câmara Municipal de Palmela em 1 de Junho de 2005 Anota-se, finalmente que em 26 de Abril de 1990, a Sociedade recebeu o diploma de PESSOA COLECTIVA de UTILIDADE PÚBLICA


Dados da Banda

Maestro: Pedro Ricardo Henriques Ferreira

Morada: Largo dos Loureiros
CP: 2950 - 207 PALMELA
Telefone: 21 2350178
E-mail: correio@loureiros.web.pt
Website: http://www.loureiros.web.pt/