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A chave para o sucesso…
A chave para o sucesso, seja em que área for, é inegavelmente o “querer”. Porque querer é poder. E depois trabalho.
Mas não de qualquer maneira, porque se for mal orientado de pouco servirá trabalhar muito. Delinear um plano de trabalho baseado num método que tenha já sido comprovado, com pequenos reajustes e com o devido acompanhamento, aliado à perseverança sempre necessária, para ultrapassar os momentos difíceis, então ter-se-á entrado no caminho certo. Não são raras a vezes que ouvimos dizer que este ou aquele jovem gostaria de estudar música – ou outra arte – e que demonstra vocação especial para essa arte, e que até poderia ser “um grande artista”, mas que não tem professores na área da residência, não tem instrumento, não tem uma escola, não tem meios, enfim, uma série de argumentos que à partida parecem ser a justificação para tudo. Acontece que muitos têm tudo isso e muito mais, e não passam do nível médio ou até medíocre. É que não basta a manifesta vocação.
Trabalho árduo e orientado
É preciso desenvolvê-la e trabalhar arduamente com esse objectivo. Aprender a superar os momentos adversos e não perder de vista o objectivo principal. É aí que se vê a têmpera do indivíduo. É aí começam os dissabores. Não são as deslocações, eventualmente longas, perder horas na viagem, pagar caro pela aprendizagem, a alimentação, a compra do seu instrumento, o custo da manutenção do mesmo, o tempo de estudo extra, as repreensões do professor, dos pais, etc, etc. Não são esses os factores que impedem um jovem de vir a ser músico de carreira. Se quiser mesmo, nada ou quase nada, impede o jovem de conseguir os seus intentos.
Há sempre alguém ao lado…
Há sempre alguém para ajudar. Sabendo-se das qualidades, do interesse, e provando-se a vontade férrea sempre aparece a ajuda. Há bolsas de estudo de entidades públicas e privadas, há Bandas que compram instrumentos caríssimos em detrimento de naipes inteiros, para ajudar um músico que manifesta essa tal “vocação” e providenciam os seus transportes até aos estabelecimentos de ensino, e há também os “carolas” que quando é preciso estão lá. É do domínio público que casos destes, (de apoio e protecção aos estudos de jovens músicos) não são raros nas Bandas Filarmónicas. Não obstante, e apesar de reunidas todas as condições para que um jovem possa ter tudo para ser um artista com sucesso, há um factor que pode não ser possível controlar.
Os imprevistos também se ultrapassam
A falta de saúde. Um revés na saúde, uma enfermidade grave, é um verdadeiro problema. De que importa trabalhar arduamente, ter “montanhas” de vocação, sentir o progresso de dia para dia, sentir que floresce dentro de si um grande artista, sonhar com o sucesso, com as alegrias de uma vida radiante de felicidade, com o futuro risonho, sentir o aproximar da realização, do climax da arte, se, de repente, um problema sério de saúde o impede de continuar ?!…
Só falha quem desiste
Pois, “que o diabo seja surdo”, mas se acontecer a algum dos nossos leitores, ou a algum dos seus amigos, um quadro destes, talvez a leitura da história do Prof. Manuel Joaquim Silva, o primeiro músico a ser licenciado em Saxofone pelo ESMAE do Porto e o primeiro a frequentar Mestrado nesse instrumento em Portugal, seja suficiente para levantar o ânimo, para fazer entender que só fracassa quem desiste. Só quem caindo e se deixa ficar no chão jamais se levantará. Quantos génios da história tiveram insucessos atrás de insucessos até conseguirem o primeiro êxito? Quantos passaram privações, momentos de desânimo, períodos de indigência até que conseguiram o reconhecimento? Mas depois os sucessos sucederam-se. Foi assim que aconteceu com o nosso protagonista. Apesar da adversidade lhe ter batido à porta, “na flor da idade”, não esmoreceu, não ficou com as mãos fechadas na cabeça com pânico do futuro. Pelo contrário, não parou um momento. Remou, remou contra a maré e chegou a bom porto, como seria de esperar de quem assim procede.
Aprender com a experiência dos outros é ser inteligente
Cremos que esta é uma história muito interessante e digna de registo. Conhecer esta difícil experiência e a forma de a ultrapassar poderá ser útil a muitos dos nos nossos jovens, que passam ou poderão passar por situações similares nalgum período da sua vida e precisam de alento para continuar. Conhecer o que foi uma má experiência, o impacto que teve na vida de um jovem e como este a conseguiu ultrapassar, é uma fórmula que cai do céu, uma graça, para nos ensinar a ser gratos com o que temos e a aproveitar todas as oportunidades para aprender enquanto somos jovens e gozamos de boa saúde.
Manuel Joaquim Mendes Silva
Natural de Castelo de Paiva, nasceu 9 de Setembro de 1976 e iniciou a sua aprendizagem numa Banda de Musica de (Bairros) como muitos dos grandes nomes da música em Portugal. Frequentava a Academia de Castelo de Paiva, no 5º de Saxofone, pelos 17 anos, quando foi vítima de uma paralisia facial, que lhe atrofiou os músculos impedido-o de tocar por tempo indeterminado.
Um período traumático
Foi a pior coisa que lhe podia ter acontecido na vida. Tinha aspirações a ser músico, tudo estava a correr dentro da normalidade e esta alteração veio atirar por terra todos os seus sonhos. A visita constante ao médico, os recursos a medicinas alternativas, a fisioterapia, tudo o que parecia útil para resolver a doença era bem-vindo e utilizado.
Foi um período traumático na sua vida. Era um adolescente que sonhava como sonha qualquer um da sua idade. O mundo caiu-lhe aos pés, desabou completamente. No momento, o quadro que se lhe apresentou era o pior. Foram-se as aspirações, os projectos, os sonhos, a ilusão, tudo….
Que fazer?
Fazer “das tripas coração” para conseguir atingir os seus objectivos. O caso do Prof. Manuel Joaquim é de exemplar inconformismo face à adversidade; de resistência às situações extremas e de perseverança máxima.
Desistir nem pensar!
Manuel Joaquim não é homem para desistir por uma doença qualquer. Manteve-se firme nos seus princípios e continuou a estudar. Continuou com as disciplinas teóricas acreditando que a doença haveria de ser vencida e que havia de continuar a tocar. Fez tudo o que foi possível e impossível para ultrapassar a crise. Não se deixou abalar pelas lamentações dos seus amigos, que ingenuamente lhe manifestavam o seu pesar e a sua solidariedade face à situação do momento, nem pelas limitações que a enfermidade lhe causou. Durante um ano não conseguiu tocar. Começou a recuperar pouco a pouco no segundo ano.
Um exemplo a ter em conta
Hoje é o 1º em várias áreas relacionadas com o Saxofone. É um exemplo a ter em conta para muitos jovens que pensam que, por não terem trabalho no momento ou porque tiveram um revés na sua vida, seja ele complicado ou complicadíssimo, como foi o caso, o mundo lhe cai aos pés e não há mais nada a fazer. Nada disso! Levantar o moral. Afastar-se de quem só pensa o pior e lembrar-se de que “só falha quem desiste”.
O professor – Um amigo sempre ao lado
O Manuel Joaquim está eternamente grato ao seu ex-professor, Paulo Martins, pelo apoio moral que este lhe prestou durante essa terrível fase. As suas palavras de incentivo e de força foram uma ajuda preciosa para seguir em frente.
Curriculum Vitæ
Habilitações profissionais:
Ano 2003/04 Frequenta Mestrado em Música, área especifica de Saxofone (primeiro aluno a frequentar este curso, em Portugal).
Instituição: Universidade de Aveiro
Classe do Professor Henk van Twillert.
Ano 2003 Licenciatura em instrumento/Saxofone (primeiro aluno a terminar o referido grau, nesta instituição), com classificação de 17 (dezassete) valores a instrumento, e 19 (dezanove) valores a música de câmara.
Instituição: Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo,
Instituto Politécnico do Porto
Classe do Professor Henk van Twillert.
Ano 1998 Curso complementar de Saxofone na Academia de Música de Castelo de Paiva
Classe do Professor Paulo Martins.
Ano 1997 Ingresso na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, Instituto Politécnico do Porto( primeiro ano de funcionamento do curso na referida escola)
Classe dos Professores Henk van Twillert / Paulo Martins.
Actividade Lectiva
Ano 2000/2003 Professor de Saxofone e Música de Câmara, na Academia de Música de S. João da Madeira.
Ano 1999/2002 Professor de Saxofone, na Academia de Música de Castelo de Paiva.
Ano 2000/2001 Professor de Saxofone e Música de câmara, na Academia de Música da Póvoa do Varzim, e Conservatório de Música da Maia.
Actualmente Professor de Saxofone e Música de Câmara, na Escola de Música do Coral de Fornos, Academia da Música de Arouca, Academia de Música de Oliveira de Azeméis.
Professor Assistente na classe de saxofone da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, Instituto Politécnico do Porto.
Professor de Saxofone e Musica de Câmara no curso superior de música do Instituto Piaget de Viseu – Ensino Universitário.
Experiência Artística
Ano 1997 concerto com o conceituado pianista, António Rosado, sob direcção do maestro António Saiote, interpretando “ Rhapsody in Blue” de G. Gerswin – apresentação no grande auditório da Culturgest Lisboa.
Ano 1998 concerto a solo, com a Orquestra da Escola de Música do Coral de Fornos, sob direcção do maestro Paulo Martins.
Ano 1998 participação no Festival Internacional de Música de Macau, como musico da Orquestra Nacional do Porto.
Ano 1999 concerto na prestigiada sala de Amsterdão, “Concert Gebouw” como musico da Orquestra Portuguesa de Saxofones.
Ano 2000 digressão pelas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, onde realizou vários concertos com a formação de quarteto.
Ano 2000 várias apresentações a solo com a Orquestra Filarmonia das Beiras, interpretando obras de Heitor Villa Lobos.
Ano 2001 recital no Conservatório Superior de Música de Amsterdão.
Ano 2003 recital com Piano e Orquestra na Biblioteca de Santa Maria da Feira.
Ano 2004 apresentação a solo com Orquestra de Sopros da Academia de Música de Oliveira de Azeméis.
Orquestras
Orquestra Nacional do Porto
Orquestra Filarmonia das Beiras
Orquestra do Norte
Orquestra Solistas do Porto
Orquestra de Sopros dos Templários
Orquestra de Sopros de Jovens Músicos
Banda Sinfónica de Santa Maria da Feira
Actividades Artísticas
Membro fundador do Quarteto InvictaSax, grupo com o qual se apresenta regularmente em concertos em Portugal e no estrangeiro.
Músico da Corleone Big Band e da Solverde Big Band (casino de Espinho), dirigidas pelo maestro Arlindo Silva.
E chefe de naipe na Orquestra Portuguesa de Saxofones, dirigida pelo maestro Henk vanTwillert
Dirige a Orquestra de Sopros da Escola de Música do Coral de Fornos.
Dirige a Orquestra de Saxofones Sax in Feira.
Dirige a Orquestra de Sopros da Academia de Música de Oliveira de Azeméis.
È maestro assistente da Orquestra Clássica de Fornos, Santa Maria da Feira.
Como formando, frequentou Master Classes com:
Roob Houser, Claude Delangle, Fabrice Moreti, Ed Boogard, James Houlik, Arno Borncamp, Bart Cok , Quarteto de Amsterdão, Fernando Valente, Major Montezo (curso de direcção de banda)
Como formador, orientou Master Classes:
No Conservatório Regional da Madeira, Na ilha da Graciosa – Açores, Academia de Música de S. João da Madeira, Escola de Música do Coral de Fornos
Dos seus alunos, um já terminou o curso complementar de saxofone, e ingressou no ensino superior na área especifica do instrumento. Outros quatro alunos frequentam ensino superior na área da música.