Sociedade Filarmónica União e Progresso de Abrigada

No século XIX Abrigada era uma terra em franco progresso, desenvolvendo-se muito para além do lugar que foi, até 1855, o da sede da paróquia - Atouguia das Cabras. No trajecto de prosperidade social e económica, surgiu em 1856 uma sociedade filarmónica em Abrigada. Nasceu sob a égide da Fábrica de Produtos Cerâmicos à qual permaneceu intimamente ligada durante alguns anos. De início a banda filarmónica tinha poucos elementos e as pessoas mais distintas da terra não desdenhavam ser executantes da mesma. Em 1908, já a Filarmónica tinha total autonomia e, nesse ano, recebia os seus primeiros estatutos, elaborados por António da Cunha Mascarenhas e aprovados em assembleia. Nesse mesmo ano, a banda actuou nos grandiosos festejos que tiveram lugar em Abrigada, para assinalar a aclamação do Rei D. Manuel II e aos quais se deslocaram muitos forasteiros. A Sociedade Filarmónica soube sempre manter-se à margem das divisões político partidárias e a isso mesmo se deve a sua longevidade. No entanto, devido às contradições dos tempos e a política acabou por ter algum papel na vida associativa. Mas a S.F.U.P.A. acabou por aprender que a política é inimiga deste tipo de instituições e foi-se progressivamente assumindo como uma colectividade aberta a todos os Abrigadenses, independentemente das suas ideias religiosas ou políticas. Os velhos Estatutos foram actualizados em 1929, 1948 e 1975 na tentativa de se adaptarem às novas exigências da massa associativa e à dimensão crescente da colectividade. De início a SFUPA não tinha sede, nem local próprio para ensaio. Estes faziam-se, primeiro numa casa pertencente ao Sr. Manuel Barreto, mais tarde, noutra pertencente ao Sr. José Pereira Serrano, pessoas que generosamente puseram as suas casas à disposição da Banda, demonstrando uma dedicação aos interesses colectivos, que hoje é rara. Porém, a Sociedade adquirira uma dinâmica que já não se compadecia com a falta de instalações sociais. Os símbolos materiais mais importantes da S.F.U.P.A. são o estandarte e o hino, símbolos da identidade colectiva. É com eles que a Colectividade presta a derradeira homenagem aos seus sócios falecidos. A 1ª farda data da década de 30 e era de cotim militar e em 26-12-1948 foi estreada uma nova farda, esta azul. Foi em 1929 que se começou a pensar-se na necessidade de construção de uma sede e, para isso, foi constituída uma comissão para angariar os fundos necessários. Faziam parte desta os seguintes sócios: António Bento Serrador, Luís Marceliano Pedro, Ernesto Marceliano Pedro, José Maria Pedro, Júlio Hermano Pedro, António Francisco Valente, António da Silva Mascarenhas, José Bento Serrano, António Marceliano Pedro, João Pereira Caracol e Silvestre da Silva Pinheiro. Através de várias iniciativas, entre elas a de um grupo de teatro, se reuniu o capital necessário para se poder pensar, a sério, na compra da sede. Para não atrasar a satisfação do interesse colectivo, os senhores Carlota Maria Pedro e José Bento Serrano emprestaram o dinheiro que ainda faltava e, em 1936, foi adquirida a casa que, após obras de adaptação serviu de sede à S.F.U.P.A. até 1982. Todavia, Abrigada cresceu e desenvolveu-se bastante e depressa. Face aos novos valores sociais e económicos a “velha” sede, tão rica de tradições, de sacrifícios e de sentido comunitário, já não chegava para as aspirações da colectividade. Com o 25 de Abril, a consciência do povo foi abalada e apareceu uma nova forma de se encarar as coisas e expor as ideias, o que resultou numa nova identidade social. As pessoas, que em especial a juventude, punham em dúvida os valores que lhe foram transmitidos. Com toda esta mutação, o sonho de uma nova sede vinha colmatar a necessidade de um espaço colectivo adequado à realidade existente. Foi, para isso, desenvolvido um esforço imenso, com especial destaque para o Dr. Leopoldo Castela, que deu tudo de si e conseguiu quase tudo dos outros, no sentido de se erguer este Monumento Popular que é a actual sede da S.F.U.P.A. Um autêntico palácio da Cultura e do Desporto, construído num terreno doado à colectividade pelo Sr. Ramiro F. H. Ferreira e a Sra. Manuela Geraldes. E pensarmos nós que tudo isto começou com uma Banda sem fardamento que ensaiava em salas emprestadas! Uma coisa é certa, sem o sacrifício dos antigos, dos que sonharam sempre além dos seus limites, não teria sido possível chegar ao que hoje a S.F.U.P.A. é. No entanto, o esforço dos de 1976 não foi maior nem menor que o de 1929, foi igual, as circunstancias exteriores é que mudaram. Finalmente, em 11 de Setembro de 1982, a nova Sede é solenemente inaugurada pelo Presidente da República, General Ramalho Eanes. Fundada a 1 de Dezembro de 1856 orgulha-se de nunca ter interrompido a sua actividade tendo participado em eventos culturais dentro e fora do Concelho de Alenquer – Encontros de Bandas, tendo também se deslocado aos Açores (Ilha do Pico), em 2001, num intercâmbio de Bandas. Como reconhecimento de todo o seu trabalho recebeu a 10 de Junho de 1997 a Medalha do Município “Grau Ouro”. Actualmente, a S.F.U.P.A. tem uma Banda com 48 músicos assim como uma Escola de Música (gratuita) com 42 elementos a qual contribui como uma mais valia para todos os estudantes deste Concelho a nível musical. Para que o esforço despendido por aqueles que contribuíram para o crescimento da S.F.U.P.A. não tenha sido em vão, espera-se que as gerações presentes e as vindouras dêem vida longa a esta Colectividade, que desde 1929 tem sabido impor-se às controvérsias politicas, económicas e sociais, resultantes das mutações próprias de qualquer época.


Dados da Banda

Morada: R. Soc. Filarmónica - Abrigada
CP: 2580 ABRIGADA
Telefone: 263 799107
E-mail:
Website: