Banda Musical da Casa do Povo de Tangil

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A Fundação da Banda Musical Da Casa do Povo de Tangil perde-se na bruma dos tempos e não se conhece até ao momento qualquer documento escrito que, de alguma forma faça alusão ao seu nascimento. A sua longa história tem passado dos mais velhos aos mais novos, chegando assim aos nossos dias. Existem, porém, factos paralelos, como os casamentos do segundo e terceiro Regentes, que, os quais tendo vindo de Arcos de Valdevez para reger a Banda, aqui acabaram por contrair matrimónio e dos quais existem os respectivos registos no Arquivo Paroquial. Conta-se que a Banda teria sido fundada no ano de 1838, tendo saído a público pela primeira vez no dia 06 de Agosto desse ano, na festa do Divino Salvador, Padroeiro da freguesia, motivo pelo qual se chamou, durante muitos anos, Banda de Música Do Divino Salvador de Tangil. Do seu Fundador e primeiro regente, apenas se sabe chamar-se Delfim e ser natural de Braga. Passando por Tangil a caminho de Espanha, teria pedido abrigo para passar a noite e repousar, mas depois de dar a conhecer o que fazia na vida e de instado a ficar por cá, ficou a residir no lugar de Fornelos, trabalhando na sua profissão - sapateiro. Depressa conquistou a simpatia de todos e a sua oficina passou a ser o centro de convívio dos homens e dos rapazes do lugar, que os quais animava com as melodias que executava no Clarinete. Assim começou a nascer o gosto pela divina arte dos sons e a ideia da formação de uma pequena Banda de Música. Tal Projecto começa a contagiar os Tangilenses e o entusiasmo é tal que D.ª Francisca Rosa Joana de Barbeitos Padrão, da Casa de Ladreda, decide oferecer à Banda o seu primeiro instrumental. Conta-se que a Banda, como reconhecimento por tal gesto, quis prestar à benemérita justa homenagem, mas a festa não foi aceite por se encontrar de luto pelo falecimento de seu marido, o Capitão João Manuel de Sousa Lobato, Falecido no ano de 1837, facto que nos leva a concluir do nascimento da Banda em 1838. Inicia assim a Banda a sua actividade com o seu fundador, que durante cerca de 37 anos se manteve como seu regente, vindo a falecer nesta freguesia que adoptara como sua e onde havia constituído família. Em 1926, em certame organizado em Riba de Mouro e no qual participou também a extinta Banda de Valadares - Monção, foi a Banda de Tangil que ganhou a medalha de ouro, pela melhor execução da obra obrigatória. A partir de 1926, a Banda começou a ter certa projecção além fronteiras e da Galiza todos os anos surgiram convites para a Banda actuar nas festas daquela zona. Em 1933, divergências surgidas no seio da Banda entre o regente João Luís Rodrigues e vários componentes, deram origem ao seu desmembramento e à criação de nova Banda de Música, passando a existir duas Bandas de Musica na freguesia, a Música Velha e a Música Nova, como então eram conhecidas. Foram seus regentes os maestros João Luís Rodrigues e Amadeu Neves (Abílio Oliveira Cardoso), respectivamente. A rivalidade entre as duas Bandas era grande, provocando constantemente conflitos entre os componentes e apoiantes de ambas as Bandas. Teve por isso vida efémera a Música Nova, pois em 1936 a divisão e rivalidade deram lugar à concórdia e as duas Bandas voltaram a unir-se. Em 1955, devido ao estilo do seu novo fardamento (Tipo oficial militar) e à sua apresentação, adoptou o nome de Banda Musical dos Cadetes de Tangil, designação que usou até à sua integração na Casa do Povo. Mas, apesar da sua existência secular e actividade constante, a Banda não passava de uma pequena Banda com pouco mais de duas dezenas de elementos. Foi a partir de 1965, pela acção do actual regente, regressado do serviço militar, onde prestara serviço como músico da Banda do Regimento de Infantaria nº6 - Porto, que a Banda começa a ter maior evolução, pois não só se dedica aos ensaios da música como cativa jovens para a Banda, aumentando ano após ano o número dos seus componentes e melhorando a sua preparação artística. Em 1970, por despacho do Secretário de estado do Trabalho e Previdência foi integrada na Casa do Povo de Tangil, passando a chamar-se Banda Musical da Casa do Povo de Tangil e a usufruir das suas instalações como sede. Em Junho de 1986 concretizou-se um velho anseio - a substituição do velho instrumental brilhante por novo instrumental de afinação normal. Em Maio de 1997 foi condecorada pela Câmara Municipal de Monção com a medalha de ouro do Município, sendo considerada Instituição de Mérito no Campo Cultural. 27 de Dezembro de 2003 foi um dia memorável, pois foi o dia da Gravação do nosso 1º CD. Lançado durante o ano de 2004. A 23 de Agosto de 2004, a convite da Câmara Municipal de Monção, participou no Programa da RTP 1- Praça da Alegria, em representação do concelho. De entre os seus 16 Regentes, além do actual, é de justiça destacar a acção do maestro João Luís Rodrigues, por ser aquele que mais tempo esteve à frente dos seus destinos e que, por isso, mais contribuiu para a sua existência, pese embora o seu abandono por três vezes: em 1929, por ter emigrado para o Brasil, onde permaneceu dois anos; de 1941 a 1943 e de 1946 até Setembro de 1950, para ir reger a Banda de Riba de Mouro. Porém, a ele se deve hoje a existência da Banda, porque em anos de crise, como dos anos 60, em que a nossa juventude emigrou em massa para fugir à guerra do ultramar, a Banda ficou reduzida a um limitado número de componentes, mas nunca desfaleceu e foi capaz de ultrapassar as dificuldades, adaptando o reportório aos músicos de que dispunha e mantendo a Banda Sempre no Activo. A Banda está federada na Federação de Bandas Filarmónicas do Minho e tem participado anualmente em várias romarias, festas e concertos, assim como encontros de Bandas, dos quais destacamos: Festivais Ibéricos de Bandas, realizados em Monção; Festivais de Bandas do Alto Minho, realizados em Viana do Castelo e noutros concelhos do distrito; Festivais de Bandas organizados pela Junta Central das Casas do Povo e pelo INATEL; Encontros de Bandas em Tuy, Lanhelas, Alcanede e Pêro Pinheiro. Vários dos seus componentes que seguiram a carreira profissional, fazem hoje parte de Bandas do Exército, G.N.R. e P.S.P., e outros seguem o estudo da música em Escolas Profissionais. Tem em funcionamento uma Escola de Música, na qual leccionam 6 professores, 4 da própria Banda e 2 do Conservatório de Música de Tuy - Espanha. É constituída por 63 elementos de ambos os sexos, sendo seu Regente, desde 1977, o maestro António César Carreira Gonçalves Lages.


Dados da Banda

Morada: Lugar das Cruzes
CP: 4950-770 Tangil
Telefone: 251 565 414 / 963 200 426 / 963 031 602
E-mail: geral@bandatangil.pt
Website: http://www.bandatangil.pt