Filarmónica Minerva de Ginetes

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Não é pretensão nossa entrar em detalhes, nem fazer uma história critica e completa sobre o passado da Filarmónica Minerva. O nosso objectivo é tentar recolher o máximo de informação possível colocando-a aqui de uma forma breve, atraente quanto possível, obedecendo à verdade sobretudo através do testemunho de pessoas que estiveram de certo modo ligadas ao seu passado, pois infelizmente não existem muitos manuscritos onde possamos colher toda a informação que desejaríamos. Contamos com a colaboração de todos aqueles que um dia fizeram parte desta instituição, como músicos, como membros directivos ou simples amantes desta grande família que representa a Filarmónica Minerva de Ginetes. Não queremos enaltecer uns ao detrimento de outros, pois como dizíamos noutra página, uns foram mais bem sucedidos que outros, mas todos trabalharam com a mesma força de vontade, dependendo muitas vezes o sucesso de circunstâncias meramente ocasionais. Para já um agradecimento especial ao senhor Guilherme Alexandre, que do alto dos seus 93 anos de idade, de uma forma lúcida e brilhante nos deu a conhecer algumas passagens ainda desconhecidas da história da nossa Banda. Igualmente à Direcção actual os nossos agradecimentos por terem posto à nossa disposição todo o material onde pudéssemos “beber” um pouco de informação, que neste caso são os livros de Actas que a partir de determinada altura começaram a fazer parte das reuniões desta instituição. Desde já também um agradecimento a todos os que queiram intervir quer com o seu testemunho quer com informações ou sugestões que possam trazer qualidade a esta página, tornando-a assim agradável aos olhos de todos aqueles que nos visitam. Primeiros Anos Em Agosto de 2006 a Filarmónica Minerva de Ginetes por iniciativa da sua Direcção comemorou oficialmente o seu Centenário. Todavia estamos convencidos de que a Filarmónica já existia alguns anos antes de 1906, pois segundo a tradição foi a Bandeira da Autonomia dos Açores hasteada pela primeira vez na Casa do Monte aos acordes de uma Banda de Música, e todos sabemos que esta Bandeira existia anteriormente a 1906, ou seja desde o ano de 1897.Foi o rico proprietário desta casa, senhor José Maria Raposo Amaral considerado o seu fundador pois durante muitos anos a pedido de várias pessoas custeou as despesas de manutenção desta Banda, quer na compra dos instrumentos quer na obtenção do uniforme. De salientar o papel desempenhado na altura pelo Dr. Carlos Bettencourt Leça radicado nos Ginetes , médico municipal grande amante de música tocador de vários instrumentos que orientou os primeiros músicos para a constituição da Filarmónica. Conta a história que mesmo a esposa deste senhor era uma pianista altamente qualificada. O primeiro maestro chamava-se Maciel, seguindo-se outros que desconhecemos o nome por falta de informação escrita. Em 1919, o senhor José Maria Raposo Amaral que até então tinha assumido toda a responsabilidade financeira da Banda decidiu entregar tudo a uma Comissão Instaladora, que começou a gerir os destinos da Filarmónica Minerva. Em 8 de Janeiro de 1920, foram homologados os Estatutos e empossada a dita Comissão constituída por nove elementos. Infelizmente, apesar de oficialmente constituída, com os seus Estatutos homologados, a Filarmónica Minerva um ano depois teve de encerrar. Segundo o testemunho do senhor Guilherme Alexandre, que menciona como facto de apoio a esta informação recordar ter 8 anos na altura, e este encerramento das actividades manter-se até ao ano de 1929. Os instrumentos estavam guardados no edifício ainda hoje existente ao lado da Igreja, conhecido pelo “Arquivo”. Conta-nos que os mesmos se encontravam na sala de entrada, sendo a parte superior do mesmo edifício o local onde funcionava a Junta de Freguesia na altura, cujo Presidente era um denominado senhor António de Melo. O Fundador, José Maria Raposo Amaral A determinada altura houve uma alteração na estruturação das classes da escola, havendo necessidade de separar os rapazes das raparigas necessitando para tal mais duas salas, sendo o espaço onde se encontravam os instrumentos no Arquivo escolhido para Sala de aula. Por esta razão todos os instrumentos tiveram de ser retirados sendo levados para uma “cave” existente na casa do senhor Dr. Carlos Bettencourt Leça, casa esta ainda existente e onde esteve localizada a Associação da Juventude de Ginetes durante alguns dos anos da sua existência. Reabertura da Filarmónica Em 1929 os senhores Manuel Pavão de Farias e Manuel Raposo dos Reis, homens dinâmicos e muito respeitados por todos decidiram dar de novo vida à Filarmónica. Conseguiram o apoio de 16 jovens que se comprometeram aprender música para que a Filarmónica iniciasse de novo as suas actividades. Convidaram um denominado Machado natural de Ponta Delgada, músico militar reformado que tomou a seu cargo preparar estes jovens que passado algum tempo com o apoio dos antigos músicos a quem foi pedido voltarem, “ressuscitaram” a nossa Filarmónica. Ensaiavam-se na Grota do Lodo, precisamente em frente ao Edifício da Sede actual, numa casa situada onde existe hoje a moradia onde viveu o senhor Alfredo Alves Correia já falecido mas ainda habitada por sua esposa a senhora Maria do Carmo. Conta-nos o senhor Guilherme num tom divertido que o senhor Machado, responsável pela Direcção Musical tinha um pequeno defeito. Gostava demasiado de tomar uns “copinhos” o que complicava um pouco a vida de todos não agradando evidentemente aos músicos muito menos à Direcção. Talvez um pouco por isso foi dispensado dos seus serviços dando lugar a um outro de que desconhecemos o nome. Todavia de entre os músicos na altura haviam dois que se destacavam pelas suas grandes qualidades e talento, o senhor Adelino Pereira e o senhor José Carvalho de Almeida, pois já tinham feito parte da Filarmónica antes desta ter encerrado. José Carvalho de Almeida Então, numa decisão cheia de bom senso decidiram convidar alguém da terra para assumir a sua orientação musical, recaindo a escolha sobre o senhor José Carvalho de Almeida que durante mais de vinte e cinco anos prestou inestimáveis serviços e que ainda hoje é recordado como homem bom, calmo, inteligente e muito respeitado que era por todos. Inauguração da Nova Sede A filarmónica durante a década dos anos 30 viveu sobretudo alicerçada num homem que era a imagem dela própria, o senhor José Carvalho de Almeida. Foi não só o responsável pela direcção musical como também membro muito activo na administração da mesma. Durante a sua permanência como maestro e membro da Direcção foi inaugurada a Sede actual a 4 de Agosto de 1940, embora nestes últimos anos a mesma tenha beneficiado de grandes melhoramentos, mantendo o essencial da sua apresentação arquitectónica intacta. A construcção de uma nova Sede, veio não só favorecer o espirito de camaradagem entre todos, tornando mais facil as condições para o ensino e a prática da música, mas também para servir de sala de espectáculo,onde muitas vezes foram projectados alguns filmes o que constituia um grande acontecimento na altura, bem como a apresentação de Teatro a favor da manutenção da Filarmónica.. Como curiosidade, e segundo o que consta na acta nº 26 de 10 de Agosto de 1941, a Direcção na altura recebeu uma carta do Comando Militar dos Açores a solicitar a cedência da Sede inaugurada no ano anterior para alojamento de militares. Embora fosse para pagar, a Direcção imediatamente recusou tal proposta, pois isso significaria o encerramento da Filarmónica. Felizmente não voltaram a insistir. Passaram-se 2 anos e nova crise se instalava na Filarmónica. Redigiam-se actas por tudo e por nada. Quando não eram os problemas habituais com os músicos eram os elementos da Direcção que entre si não conseguiam viver em acordo. Todavia mais uma vez todos os problemas foram ultrapassados até que em Julho de 1944 foi organizado um bazar a favor da Filarmónica e 2 meses mais tarde, em Setembro foram enviados para uma casa especializada em Lisboa todos os instrumentos que necessitavam reparação. No ano seguinte a Filarmónica continuava as suas actividades, sendo José Carvalho o único responsável em comprometer a Banda para serviços, que só seriam gratuitos para a freguesia de Ginetes segundo decisão de todos os membros da Direcção. Em 1946 A Filarmónica Minerva esteve presente num dos grandes acontecimentos na altura em Ponta Delgada que foi a Parada das Filarmónicas no quarto Centenário da cidade de Ponta Delgada. No ano seguinte foi construido um campo de “crocket” junto à Sede que infelizmente hoje já não existe. Em 1950 o senhor José Carvalho de Almeida magoado com a atitude de alguns músicos decide abandonar a Filarmónica. A Direcção na altura decide contactar nas Sete Cidades um denominado José Velho Quintanilha, por cento e cinquenta escudos mensais, mais transporte e alimentação normalmente cedida gratuitamente pelos membros da Direcção. Ao que parece este senhor não era pessoa responsável tendo faltado ao seu compromisso como maestro por ocasião de um Concerto muito importante. Foi substitui-lo à ”última hora” o Secretário da Direcção Senhor Carlos de Sousa Cabral. Escusado será dizer que este senhor José Velho foi de imediato dispensado dos seus serviços. Nova aproximação ao senhor José Carvalho de Almeida que mais uma vez regressa à direcção musical da Filarmónica, recebendo como prémio oitenta escudos mensais. Em 1952 a Direcção existente demite-se toda, pois já não havia a colaboração dos músicos novamente. Entre 1952 e 1957 as Direcções sucedem-se mas não passam mais que uma Primavera. Estamos numa profunda crise. Em 1958 com a chegada aos Ginetes do Padre António Ferreira Leite uma nova esperança renasce. Há uma nova energia que nasce, mas nunca com a força e o vigor de outrora. Foi uma época muito turva na vida da Filarmónica Minerva não existindo qualquer acta redigida até 1968. Sabemos que existia porque recordamos esses tempos, mas foram sempre de muita insegurança. Em Novembro de 1968 surge um jovem dinâmico, um verdadeiro lider capaz de incentivar os músicos, o senhor Alberto Reis Bettencourt Leça. Aí foi formada uma Direcção com gente responsável e grandes amantes da sua terra que se revia na própria Filarmónica e capazes de se fazerem respeitar e incentivar todos a trabalharem de mãos dadas. Começou aí o inicio de uma nova época na história da Minerva. Pena que não existem muitos manuscritos sobre a vida da Filarmónica nesse tempo. As actas, principais documentos de informação são muito raras, restando apenas a lembrança desses tempos na memória de uma geração que ainda existe, mas que um dia também irá desaparecer. E é aqui que precisamos da colaboração de todos aqueles que viveram esses anos tão importantes na história da nossa Filarmónica Minerva. Alberto Reis Bettencourt Leça Em 1979 a Filarmónica Minerva fez uma digressão ao Canadá e Estados Unidos. Infelizmente não existem documentos a testemunharem essa época em que a Minerva tanto se evidenciou. Em 1982 sabemos que a Direcção na altura foi empossada pelo Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores Dr João Bosco Mota Amaral e que a mesma Direcção era presidida pelo senhor Humberto Dinis Viveiros. Sabemos por testemunhos verbais que se seguiram anos de grande sucesso, mas infelizmente os seus responsáveis, os membros das diversas Direcções não tiveram o cuidado de deixar escrito em actas essas épocas tão prestigiantes da história da nossa Filarmónica. Humberto Dinis Viveiros A 26 de Dezembro de 1998 tomei posse como Presidente da Filarmónica Minerva que se encontrava bastante “moribunda”. Com um pequeno grupo de músicos, os únicos homens que apareceram para formar uma Direcção, apesar do apelo feito a outros que não músicos, tentámos durante 2 anos não deixar o “barco afundar”, mas as águas eram fortes. A Filarmónica estava dividida ao meio. De um lado os que a tudo se agarravam para que não se afundasse, do outro infelizmente como sempre os que esperavam mesmo que ela caísse. Estávamos a voltar a tempos antigos. Grandes feridas estavam abertas e muito dificeis de cicatrizarem. A 19 de Junho de 2002 como consta da acta nº 253 foi decidido entregar à Assembleia Geral a nossa demissão que só foi aceite a 21 de Setembro. Estavamos novamente em grande crise. A 5 de Abril de 2004, 2 anos depois, tomou posse uma nova Direcção sob a Presidência do senhor Armando Rodrigues, ainda actual responsável pela Filarmónica Minerva. De salientar o enorme esforço que tem sido feito nestes últimos anos para motivar toda esta gente. Neste verão de 2007, a nossa Banda cumpriu um dos seus grandes objectivos que foi visitar os nossos emigrantes no Canadá e Estados Unidos. Esperamos continuar a beneficiar dos seus acordes maravilhosos, pois sem eles a nossa terra não é a mesma, as nossas festas e os nossos arraiais não têm o mesmo “sabor”. Para que não volte mais estas nódoas do passado esperamos que todos façam a sua parte. Que os Dirigentes se sintam motivados para assumirem os seus compromissos e que os músicos se sintam respeitados para continuarem a manter viva esta mais bela instituição cultural da nossa terra que é a Filarmónica Minerva. Alberto Ponte


Dados da Banda

Morada: Grota do LODO n.1
CP: 9555-063 Ginetes
Telefone: 296295900 / 966182789
E-mail: minervaginetesa@sapo.pt
Website: http://www.igrejadeginetes.com/banda/entrada.htm