Sociedade Filarmónica Lira Fratenal Calhetense

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A Sociedade Filarmónica “Lira Fraternal Calhetense” foi fundada em 1888 e seus Estatutos aprovados em 1 de Junho de 1935, pelo Governador Civil, Substituto do Distrito Administrador da Horta, Luciano Manchado Soares. Pois, foi no ano 1888, que um grupo de Calhetenses, cheios de vontade e entusiasmo pela cultura da nossa terra, formaram a filarmónica “Lira Fraternal Calhetense”, composta então por 16 tocadores, os quais compraram tantos instrumentos, tantos quanto eram os seus executantes, os quais foram adquiridos com os proventos de resíduos de óleo de baleia, apanhadas nos mares dos Açores e elaboradas em grandes caldeiras no ar livre existentes no nosso porto velho e ainda com a ajuda do nosso amigo brasileiro Manuel Ferreira, que aqui residia. Naquela data, cada instrumento custou 1 águia em ouro. À falta de documentos, por estimativa dos antigos, em 1888. Fundada, ainda segundo os antigos, por um grupo de republicanos. Acontece por essa época aquela victória eleitoral da República (com gente da Calheta) e um dos fundadores é dos mais prestigiados republicanos de então, Manuel Pereira Gomes, professor da escola (no âmbito das escolas móveis criadas, para o ensino de adultos, após o 1910) estabelecido nesta freguesia, e autor de uma notável cartilha, ainda hoje citada em algumas didácticas. Fosse como fosse, era um agrupamento musical pequeno; cornetins: Francisco Faidoca (Francisco da Silveira), Manuel Pereira Gomes e Manuel Fernandes Leal (filho do professor Manuel Fernandes Leal); barítono: António Americano (António Machado); trombones: João Caçolha (João Gonçalves) e João Pimentel; trompas: Mestre António Pequeno (António Garcia) e Braga (Garda-Fiscal); contra-baixo: Manuel Homem; Bateria: Amaro de Azevedo e Castro, João Garcia e Manuel Luis. O Braga, tocador de trompa, era também o ensaiador. Posteriormente, substituiu-o Manuel Pereira Gomes. O Hino, ainda o mesmo de hoje - e nem se deve pensar em outro- compô-lo um certo Lúcido, da Ilha Terceira. Que vida terá vivido a “Lira Fraternal Calhetense” nesta primeira fase? Fácil não terá sido. Nunca o foi para nenhuma filarmónica. O que sabemos é que fechou as suas portas, por meados da década de 10 deste século, quando emigrou para os Estados Unidos, Manuel Homem de Freitas, na altura seu regente. No decorrer, talvez por meados dos anos 20, veio do Brasil, para onde emigrara, Manuel Ferreira. Veio de visita à familia. Como tantos, levara ao partir, o amor e a saudade da Terra e de tudo o que deixara. Tocador em rapaz na “Lira Fraternal Calhetense“, consigo levara e consigo trazia o amor e a saudade dela. Quer ver o seu instrumental. Encontra-o, abandonado, na casa da Eira, hoje do Manuel Palmeira (Manuel Silveira Cardoso). A humidade de chuva e o sorrio do mar próximo entram-lhe livremente, pelo tecto de forro apodrecido e mal retelhado, pelas frinchas da porta a desconjunturar-se, pelos buracos das paredes de pedra solta e sem cal. Oxidam-no, destoem-no. Conhecera, no Brasil, trabalhando nuna fábrica de instrumentos de sopro, o senhor Moniz. Sabe-o, regressando definitavamente, na Madalena, ocupado no exercício do mesmo ofício. Procura-o e manda com dinheiro de Manuel Ferreira, o senhor Moniz reparar o velho instrumental. A freguesia reanima-se. Uns poucos jovens querem fazer reviver a “Lira Fraternal Calhetense”. Começam a aprender música com o padre Lourenço, da Ribeirinha, nesse tempo nosso Páraco. Foi por 1928...1929. E a “Lira Fraternal Catelhense” ressurge, finalmente, no ano de 1930. Com o guarda-fiscal Gregório Reis, o senhor Gregório, na Regência (músico de certa fama, para isso aqui fora colocado por influências várias). Se havia a música da Calheta - a música da Calheta não podia faltar. A filarmónica foi progredindo, ano após ano com sacrifício de muitos, ininterruptamente, até esta data, passando a sua sede nos anos de 1950 para um antigo barracão de canoas baleeiras, onde a teve por muitos anos. Teve ainda como regentes José da Clara, José Garcia, José Faidoca Novo, Mário Faidoca, Manuel Cardoso, Arlindo Silveira Garcia, Manuel Xavier Soares, grande músico e Mestre que foi e agora rege-a o Maestro Floriberto Miguel Goulart Ferreira, professor de música doutorado, que hoje a ensaia e rege com dedicação, ocupar o lugar que ocupa; o de uma das melhores ao lado das melhores Filarmónicas do Pico. Em 20/12/1975 fez a sua primeira gravação para o Emissor Regional dos Açores e nesse mesmo dia foi-lhe ofertado o seu primeiro estandarte pela Lusa-Americana D. Fátima Furtado e tem tido o apoio de muitos emigrantes, bem como o pessoal aqui residente, para que a mesma pudesse sobreviver até esta data. Esta filarmónica a nível musical tem tido um grau bem acentuado, quer nas festividades religiosas, quer nas profanas, na Ilha ou fora desta. Na vida de qualquer Sociedade, por mais modesta, como na de qualquer comunidade ou país, há datas, acontecimentos, nomes de pessoas a salientar e a fixar. Da primeira fase da “Lira Fraternal Calhetense” (1888 / primeira metade dos anos 10 deste século), apontamos tudo o que conseguimos apurar. Da segunda fase, que começa em 1930, de entre o muito que sucedeu, fixamos: Em 1930 – a sua estreia, na Festa de São João do Cais do Galego, freguesia da Piedade, a 24 de Junho; Em 1977 – Ida ao Faial, à Horta, tocar na festa da Senhora das Angústias, a convite da Comissão daquela Festa; Em 1985 – Ida à Ilha da Graciosa, propriamente à Vila de Santa Cruz, tocar na Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, a convite da Comissão daquelas Festas; Em 1985 – oferta pelo Governo Regional, em cerimónia presidida pelo Secretário Regional da Educação e Cultura, Dr. António Maria Mendes, de novo instrumental; Em 1986 – ida ao Faial, à cidade da Horta, tocar nas Festas da Senhora das Angústias, a convite da Comissão de Festas, ida à ilha das Flores, tocar nas Sanjoaninhas de Santa Cruz, a convite da Câmara Municipal do Concelho de Santa Cruz; Em 1987 – Ida ao Faial, na cidade da Horta, tocar na Festa da Senhora das Angústias, a convite da Comissão daquela Festa; Em 1987 – Ida à Ilha da Santa Maria, Vila do Porto, tocar nas Festas de Santa Maria de Agosto, a convite da Câmara Municipal da Vila do Porto; Em 1989 – Ida aos Estados Unidos da América (Nova Inglaterra) e Canadá (Toronto), a convite dos nossos emigrantes; Em 1990 – Ida à Ilha da Terceira, à Festa de São Carlos, a convite da sua comissão; Em 1991 – Ida a Portalegre ao Encontro de Bandas, com passagem por Castelo da Vide, a convite da Região de Turismo de São Mamede; Em 1997 – Ida à Atalaia, concelho de Lourinhã, em intercâmbio com a Sociedade Filarmónica “U. R. M. - Marítima de Atalaia”; Em 1998 – Terceira gravação efectuada pela RDP – Açores; Edição da Segunda Cassete; Em 1999 – Ida a Moura, Distrito de Beja, em intercâmbio com a Sociedade Filarmónica União Mourense “Os Amarelos”; Em 1999 – Integração na Federação de Bandas Filarmónicas das Ilhas do Ocidente; Em 2000 – Ida à Vila da Lagoa – Ilha de São Miguel, intercâmbio com a Sociedade Filarmónica “Lira do Rosário”; Em 2001 – Ida a Alcoentre, concelho de Azambuja, em intercâmbio com a filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Alcoentre; Em 2003 – Ida a Castro Verde, em intercâmbio com a Socidade Filarmónica 1º de Janeiro; Em 2004 – Ida a São João da Pesqueira, em intercâmbio com a associação de acordeonistas do Távora e Douro-Sul; No que se refere a pessoas que, de algum modo, têm apoiado a “Lira Fraternal Calhetense”, não podemos esquecer os que daqui partiram, uns, por imposição profissional, a cumprir obrigações em diferentes ilhas do arquipélago e no continente, outros embarcados no grande sonho e na grande aventura da emigração, em tempos idos, principalmente para o Brasil e Estados Unidos da América do Norte, hoje ainda para os Estados Unidos e também, muito, para o Canadá. Partem levando consigo a saudade e o amor à terra e a tudo o que é da terra, em lugar privilegiado, a nossa filarmónica. De todos muito apoio lhe tem vindo. Estes homens, esta gente que achamos de memorar, com todos os que participaram na vida da nossa filarmónica e lhe deram alguma coisa de si. Principalmente amor, serviram a nossa gente, a nossa comunidade (e servindo a nossa gente, a nossa comunidade, serviram a Ilha, o Arqueipélago, o país) sem nenhum interesse pessoal. Que os não esqueçamos. Que aprendamos e sigamos a lição que nos deixaram.


Dados da Banda

Morada: Edifício Polivalente - Calheta de Nesquim
CP: 9930 CALHETA DE NESQUIM
Telefone: 292 666359
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