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25 de Maio, 2026

Afonso Alves

Data da entrevista: 26 de Setembro de 2004

Pelo grande auditório do Europarque, palco de espectáculos de nível mundial, já passaram obras suas - por uma Banda Sinfónica Espanhola. Já foram pedidos arranjos seus, para os Estados Unidos, França, Suiça, e outros países. Teoricamente todas as Bandas portuguesas tocam ou tocaram obras suas, uma vez que foram vendidos milhares de exemplares. Segundo Cardoso & Conceição é claramente o compositor que tem mais obras e arranjos disponíveis, e, consequentemente o mais requisitado. É frequentemente solicitado a visitar Bandas, quer pela satisfação de o conhecerem quer para comentar ou explicar as suas obras, já que muitas tocam quase tudo o que é repertório seu. Das gravações que existem é raro encontrar um CD que não tenha no nome dos compositores ou arranjos, o nome Afonso Alves.

  • Considera-se famoso?

    A minha filha diz que sim. Filha é filha. Eu, francamente não me acho famoso de forma nenhuma. Apenas gosto de trabalhar com a música nomeadamente no âmbito da composição e gosto de a fazer.

  • Mas partindo do princípio de que todas as Bandas o conhecem, que teve um papel preponderante nos últimos anos com os seus arranjos, as suas obras, que todas tocam ou já tocaram repertório seu, não acha isso suficiente para ser famoso?

    Dizem bem. Sou uma pessoa conhecida, não famosa. A diferença é substancial. Há pessoas que se esforçam por me conhecer e gostam de me conhecer. Há quem me enderece rasgados elogios, quem me convide para as mais diversas participações, quem me gabe os arranjos e as obras, mas isso faz-me apenas conhecido, infelizmente não aumenta proporcionalmente os meus rendimentos. Famoso, no meu ponto de vista, é quando se é reconhecido e compensado até economicamente pelo seu trabalho.

  • A crítica, como lida com ela?

    Aceito a crítica com naturalidade. Como me exponho desde os doze anos, tive desde muito cedo que me habituar a ela. A crítica é diversa: há os que entendem que fazemos bom trabalho, há os que não entendem assim. Há os que criticam gratuitamente e há os que criticam no sentido evolutivo e que são competentes, francos e objectivos a criticar. Esta última crítica é útil e saudável. Mas temos de nos preparar para todos os tipos.

  • É capaz de alterar uma obra em função da crítica?

    Não em função da crítica mas em função do fim. Se me criticam e o que dizem é melhor, então altero. Não tenho problema nenhum. Mas se o conceito que tenho é no meu ponto de vista melhor, não altero mas explico porquê. Fundamento a minha decisão quando é necessário.

  • Dizem que escreve tanto e tão rápido que deve meter uma moeda no computador e sai um arranjo?

    O computador é uma ajuda. Há que saber trabalhar com ele. Mas acreditem: não faz tudo. Ajuda apenas. Por exemplo: um colega meu levava oito horas para paginar uma partitura, quando esse trabalho se faz em dez minutos. Saber operar bem com o computador e com o programa é fundamental. Usufruir dos recursos informáticos é de suma impotância para aumentar a rentabilidade. Mas, e a criatividade e a desenvoltura da mente? Criar uma melodia é fácil. Mas depois é necessário harmonizar, fazer acompanhamento, imaginar o ritmo, saber como é que vai acontecer na banda, quais são os naipes em que pode falhar, etc, etc é a desenvoltura da mente. Isto não depende do computador. Depende do compositor. É evidente que com experiência as coisas vão cada vêz sendo mais fáceis.

  • Quando escreve normalmente tem tudo na cabeça?

    Tenho a ideia mas ao escrever posso começar a desenvolver.

  • Gosta mais de fazer arranjos ou originais?

    Gosto mais de fazer originais. Estamos livres para fazer o que queremos Os arranjos são muito mais complicados. Manter sempre a ideia original e anexar o nosso cunho não é nada fácil. Fazer arranjo por fazer é simples. Respeitar a ideia original é difícil.

  • Quando começou a compôr?

    Aos vinte e um anos, mais ou menos, comecei a escrever quase para todos os grupos que me apareceram. Grupos corais, orquestras ligeiras, grupos de baile, Bandas, Big Banda, grupos de câmara, etc. Em relação á filarmónica, como eu nasci no meio, a partir de certa altura verifiquei que o repertório não era suficiente, e era demasiado repetitivo e ultrapassado. Eu sempre me coloquei no lugar do espectador, do ouvinte. Sob o falso pretexto de que “é o que o público gosta”, as bandas injectavam as mesmas obras, transcrições muitas vezes horríveis, ao longo do tempo, ano após ano. Felizmente agora já não é tanto, mas na altura em que me interrogava era de facto assim. E isso para mim foi motivador para escrever para banda filarmónica.

  • Quando diz que “felizmente agora não é bem assim” , sente-se responsável pela mudança?

    Sim. Também contribui para a mudança, naturalmente. Não posso usar de falsa humildade. Essa foi uma das razões porque comecei a escrever. Introduzir algo de novo. Mas, note-se, não fui só eu!

  • Que referências teve ou tem, que o influenciaram em termos de composição, de direcção, de condução de homens, que serviram de modelo relativamente á sua actuação nos cargos que ocupa?

    No âmbito da composição para banda, há um compositor que me influenciou muito, e por quem nutro grande estima e consideração: Amilcar Morais. É o meu ídolo em termos de compositores para Banda Filarmónica. Numa determinada altura, quando já todos os jovens estavam cansados das bandas pela faixa exígua de repertório disponível, aparece uma grande e revolucionadora novidade protagonizada pelo Amílcar Morais: As Pop Shows. Essa grande ideia veio de verdade alterar o sistema completamente. Ele sim, foi a alavanca da mudança. Muitos músicos que temos agora nas bandas, e eu sou um deles, teriam desistido se não se operasse essa mudança de repertório e naturalmente de mentalidade, que foi difícil na altura ! Houveram muitas resistências ! Mas conseguiu-se. Agora, inevitavelmente o Amilcar de Morais influenciou de forma indelével o meio musical filarmónico á uns anos atrás.

    No âmbito da direcção, assisti a muitos ensaios de Orquestras Sinfónicas, que por cá apareceram e por cá se extinguiram. O meu pai que trabalhava na extinta emissora nacional e portanto desde pequeno tive oportunidade de assistir a ensaios da orquestra, primeiro emissora nacional, depois RDP, Regie cooperativa sinfónica, onde fiz bons amigos. De todos os maestros com quem privei o que mais me influenciou foi o maestro Gunter.

    Entretanto aos 18 anos entrei para o exército, para a banda de musica da Reg.Militar Norte e comecei a aperceber-me do que é de facto a direcção e da sua importância. Comecei a aproveitar tudo o que podia. Dos meus 18 anos aos 23 foi um período frenético. Andava sempre á procura de oportunidades para prender coisas novas. Hoje temos tudo disponível em quase todo o lado. Mas há 20 anos atrás não era fácil. Eu ia á procura do conhecimento para onde pudesse, em Portugal ou no estrangeiro, na esperança de poder trabalhar com este ou com aquele maestro. Claro que tudo isto representava um esforço financeiro muito grande pelo que tive de acalmar o ímpeto de aprender. Foi nentão que através do Instituto Orff do Porto, onde dei aulas na classe de saxofone, conheci um maestro Finlandês a quem amigavelmente chamava-mos “Pecaleca” pois o seu nome era tremendamente difícil de pronunciar. Esse sim influenciou-me amplamente. A sua forma de estar, de trabalhar foi para mim totalmente nova. A sua filosofia era cativante. Ele via o músico como um tentáculo de um polvo, que era ele, o maestro, e esses tentáculos pertencendo-lhe tinham de ser geridos como se fosse ele próprio. Ele pensava como o músico, sentia as suas dificuldades, criava e desenvolvia empatia com os músicos e conseguia fazer muito bom trabalho. Esse maestro foi e continua a ser uma das minhas maiores referências.

  • Dizem que as suas obras são excelentes e fáceis. O seu repertório abrange quase todos os géneros e estilos para Banda Filarmónica. De onde vem essa facilidade?

    Como sabem as minhas obras são quase todas encomendadas pela empresa Cardoso & Conceição, de Sta Maria da Feira. Claro que essa empresa, como forma de rentabilizar o seu investimento, pensa na universalidade das Bandas. Eu, ao escrever, preocupo-me com isso. Contudo, algumas das minhas obras não são assim tão fáceis. A omissão alguns dos efeitos que pretendo é que torna as obras fáceis sob o ponto de vista técnico. Ou seja, o comodismo de alguns dos maestros em permitir tais omissões, nalgumas circunstâncias tornam as obras algo vazias, ou mesmo alteradas.

  • A falta de conhecimento de alguns maestros faz com que a evolução das bandas seja muito lenta?

    Exactamente. Quem não tem não pode dar. Eu sou de opinião que, quem quer dedicar-se à direcção deve estudar constantemente. Mas estudar com mais que um maestro. Maestros diferentes transmitem ideias diferentes. Depois optamos.

  • Acha que não é fácil escrever para Banda?

    Não é muito fácil realmente. Mas para mim é muito mais difícil escrever para um quarteto. Prefiro escrever para Banda.

  • Porque não há mais compositores a escrever para Banda?

    Há muitos novos compositores, agora se não escrevem para banda, ....

  • A única editora que se interessou pelo seu trabalho foi a Cardoso & Conceição?

    Neste momento sim. É a única editora com quem estou a trabalhar e estou bastante satisfeito com a relação.

  • Como vê a questão das cópias pirata, quer das suas obras quer dos outros compositores?

    Não vejo licitude alguma nesse acto. É abominável. Não se estimulam os compositores como seria desejável. É oportunismo quer das bandas quer dos maestros.

  • Quem são os responsáveis ou o responsável por essa pirataria?

    O principal responsável é o maestro. Mas as direcções são efectivamente também responsáveis. Não é tão difícil assim conseguir, legalmente, as obras que são objecto do seu repertório. Se o maestro fizer sentir á direcção da banda a necessidade da existência de compositores cada vêz mais e melhores e que para isso é necessário a assunção da responsabilidade por parte da banda em liquidar os direitos das obras, que não é assim tanto como alguma gente pensa, a banda, vai atender seguramente ao que lhe diz o maestro. O que se passa é que muitos maestros desvalorizam, por ignorância ou incultura, ou as duas coisas, o valor dos compositores e induzem, alguns, as direcções á fotocópia na falsa perspectiva de que lhes fazem economizar uns “cobres”. Digamos que sob o ponto de vista comercial é um roubo que fazem aos autores ou a quem os representa. No entanto há uma nova geração de maestros com carácter, evoluídos mentalmente que cumprem o seu dever. Infelizmente ainda são poucos mas as coisas irão mudar. Tudo se faz a seu tempo...

  • O início na música?

    Eu e o meu irmão aprendemos na banda da Foz aos 10 anos porque os nossos colegas andavam todos na musica. Durante o primeiro ano detestei o solfejo, que era o Freitas Gazul. Interrompi depois e voltei de novo passado um ano.

  • Quando decidiu ser músico militar?

    Aos 18 anos. Nunca tive dúvidas a partir daí.

  • Que escola acha que transmitem as Bandas do Exército?

    A escola dos chefes que as dirigem. Não há uma escola propriamente definida. É a dos maestros que passam por lá.

  • Em termos musicais vale a pena ser músico militar no Exército?

    Vale a pena. E sinto-me muito triste quando alguns músicos que passam pelas bandas do exército durante dois ou três anos e no fim, porque não tiveram oportunidade de continuar ou porque não quiseram concorrer ao curso de sargentos, vão-se embora e dizem que passaram por ali e não aprenderam nada. É que se não aprenderam, foi porque não quiseram! As bandas militares tem períodos destinados à instrução técnica e formação musical. Há professores qualificados para ministrarem esse ensino. A partir de Sargento o nível é exigente. E se os há que se deixaram baixar de nível, è devido à falta de profissionalismo e brio musical e não a deficiências da instituição militar.

  • Acha que um candidato a um curso de Sargentos músicos do Exército, fica habilitado, depois de frequentar esse mesmo curso, a assumir qualquer exigência?

    Sem dúvida. Quando termina o curso tem uma excelente preparação. Fica apto para qualquer tipo de repertório, para responder a qualquer exigência de qualquer maestro, na banda. Agora um músico é como um atleta! Se continua a treinar, a praticar regularmente, mantém-se sempre em forma. Se não o faz estagna. Acontece o mesmo com qualquer musico que acaba o conservatório ou a escola superior ou qualquer outro curso. Quando é conferido um diploma no fim de um curso, não significa que o seu titular irá manter toda a vida o mesmo nível do momento em que esse diploma lhe é conferido. Pode evoluir ou pode regredir.

  • O seu trabalho, em termos de composição, é reconhecido a nível militar ou pelo contrário não lhe atribuem qualquer importância e é a sociedade civil que lhe reconhece mérito, como sabemos?

    O meu trabalho é mais reconhecido na sociedade civil, evidentemente. É aí que eu desenvolvo maior actividade ao nível da composição. Porém tudo o que eu faço para a sociedade civil está também ao alcance das bandas militares. A minha capacidade está também ao dispor da instituição militar como é obvio. Se me solicitam alguma coisa eu colaboro como sempre o faço.

  • Já tocaram as suas obras na banda do exército?

    Sim já. Quer a banda em que sou músico quer outras, também militares.

  • Dirige uma conceituada banda filarmónica. A qualidade do trabalho que aí desenvolve está patente num CD gravado ao vivo sob o título Banda Alvarense “Concerto da Liberdade”. Dirige coros, dirige uma orquestra ligeira, é musico militar, compõe continuamente,... realmente dá que pensar. Como se desdobra para tudo?

    Muito trabalho. Mas acaba por ser fácil. É preciso conseguir boas equipas de colaboradores e depois organização. Motivar as pessoas com honestidade. Rentabiliza-se muito o trabalho em termos de tempo.

  • Hoje em dia um dos maiores problemas dos lideres é conseguir motivar as pessoas. Parece que o Maestro Afonso Alves tem algumas vantagens aí. Como funciona em termos de atitude com os músicos?

    Os músicos tem de ter o seu espaço livre. E aí eu não me meto. Só assim é possível fazer bom trabalho. Se os começo a condicionar, ou a “pressionar” para fazer apenas o que eu quero, sem os motivar a compreender a minha ideia, não conseguirei nada. O músico tem de se sentir livre, criativo e apoiado. Se não perde a sua liberdade de expressão. É assim que consigo acumular várias áreas.

  • Segundo as pessoas que trabalham consigo, é um líder por excelência; bom comunicador, exemplar no comportamento e na relação pessoal, está sempre disponível para colaborar e sempre pronto para trabalhar, pesquisa e procura evoluir constantemente. Confirma todos estes atributos?

    Procuro aperfeiçoar-me e aproximar-me o máximo possível dos músicos, da Banda e do público. Mas creio que é um pouco exagerado o que dizem a meu respeito. Procuro evoluir constantemente é verdade. Se sou de bom trato faz parte da minha educação e formação moral. Nos concertos, ponho-me no lugar do público. Procuro informá-lo de alguma coisa sobre a obra, sobre o compositor, para que fim foi escrita. Isto é importante para quem ouve. Pode parecer que não, mas é.

  • Que comentário faz relativamente á afinação da banda em palco, quando o público fica, ás vezes mais de 15 minutos á espera, saturado e muitas vezes decepcionado pela falta de respeito que a banda manifesta nesse cenário?

    Reprovável, reprovável ! A afinação em todos os grupos que eu dirijo não é na frente do público. Se verificarem, na Banda Alvarense, a afinação é feita fora do local do concerto. No palco apenas fazemos uma nota muito, muito breve, para correcções finais, antes de começar o concerto. Muitas vezes a forma como a banda afina define o tipo de banda que é. É um pronuncio do que vai acontecer.

  • Faz-se obedecer facilmente?

    Eu não costumo dar ordens. Peço colaboração. A minha força é a razão. Creio que é mais fácil sugerir que dar ordens. Depois de conhecer as pessoas é mais simples pedir a colaboração e consegui-la.

  • Que imagem crê que as pessoas tem de si?

    O que me chega é de satisfação. Mas detesto que me coloquem num pedestal, pois quanto mais alto se está mais violenta é a queda.

  • O projecto que está a desenvolver na Banda Alvarense é um projecto sólido, consistente, com vista a desenvolver a Banda ou para apostar na manutenção?

    Não. De forma nenhuma. Se a banda não pudesse dar mais a manutenção seria a solução. Mas a Banda Alvarense tem muito para dar. Tem excelentes músicos, a presente direcção é dinâmica, a aposta é na inovação. Ao longo destes três anos já fizemos trabalhos inovadores que nunca haviam sido realizados na banda. O mais recente resultou num programa sob o título “os cantautores” em colaboração com outra associação de Águeda, “Dorfeu” em que a banda com o grupo dessa associação, actuou em palco com um sucesso abismal, tocando musica de Sérgio Godinho, Zeca Afonso etc.

  • Na sua óptica quais são os requisitos para ser um bom maestro?

    A primeira coisa é saber relacionar-se com os músicos. Nunca se deve esquecer que o maestro é a peça mais importante do “puzzle”, mas não è o “puzzle”. Depois ter os conhecimentos mínimos relativos á arte da direcção. Entender o código patente na partitura, saber lê-la sem receios, e ser capaz de transmitir as suas ideias com fluência.

  • No seu ponto de vista, o cargo de maestro é de maior ou menor responsabilidade relativamente aos executantes?

    É de muita responsabilidade. Um maestro que se preze, naturalmente. Uma das responsabilidades é fazer com que o músico se sinta bem. Muitas vezes, em vez de dizer ao músico que está mal, não é salutar pô-lo a tocar. Mas mostrar, subtilmente, sem ferir sensibilidades, o que está a tocar bem.... Estudar a partitura muito bem e saber analisa-la em todos os seus aspectos é requisito fundamental. ... A bagagem do maestro tem necessariamente de ser grande. A ideia de alguns maestros de que “na batuta elas saem todas” é reveladora da sua ignorância relativamente á área da direcção.

  • Que acha dos outros compositores da nossa praça?

    Temos óptimos compositores, principalmente porque se preocupam em escrever bem e não apenas em ser diferentes. Não nos repetimos, cada um tem o seu estilo, diversificamos. Creio que temos muito bons trabalhos dos compositores actuais.

  • Temos bons maestros actualmente nas nossas bandas?

    Temos. Os melhores são os que estão cientes de que não sabem tudo. Esses, creio que são os bons, realmente, e que serão cada vez melhores no futuro. È que hoje os músicos tem também mais e melhor formação e cada vez exigem mais dos maestros. Estes tem forçosamente de se manterem sempre actualizados, sob pena de caírem no ridículo caso o não façam.

  • Considera que a sua Banda (Alvarense) tem bom nível?

    Considero que tem excelente nível. Com possibilidades de melhorar.

  • Está a dirigir uma banda numa região algo problemática em termos de rivalidade. Pelo menos é o que transparece para o exterior até por alguns artigos que são, pontualmente, publicados nos jornais locais, escritos, ou comentários de alguns protagonistas das bandas. Acha que a rivalidade nas bandas é útil?

    A rivalidade enquanto combustível para a qualidade é útil. Quando exacerbada é prejudicial. È uma região com muitos músicos e de qualidade, as bandas são todas de bom nível, as próprias regiões eram rivais tradicionalmente, mas agora é diferente na realidade de Águeda. A formação das pessoas é outra. Se eventualmente existirem rivalidades menos saudáveis facilmente as pessoas compreenderão que apenas servem para transmitir uma má imagem delas próprias, da banda a que pertencem e de toda uma região que tem muito para dar ao nosso universo musical.

  • Uma vez que é o único maestro em Águeda, “de fora da terra”, e em Àgueda existem cinco bandas, acha que as cinco são uma referência do concelho ou são apenas duas ou três?

    Todas as Banda do concelho de Àgueda são bandas de qualidade. Os parâmetros de avaliação tem naturalmente de ser diferentes. Há bandas que tiveram oportunidade, pela sua situação geográfica, de usufruírem de estabelecimentos de ensino relativamente às que geograficamente estão deslocalizadas. Como é o caso de Castanheira do Vouga. Naturalmente terá esta de ter uma avaliação diferente. Considerando a quantidade de habitantes em Castanheira e a proporção de músicos por habitante, creio que temos uma excelente banda e um grande trabalho. As cinco bandas são excelentes nas suas diferenças, virtuosas nos seus objectivos e inigualáveis na sua postura.

  • Que projectos tem para o futuro?

    Criar coisas diferentes. Há muitas ideias e vamos ter dois originais em breve.

  • Porque trabalha só com a firma Cardoso & Conceição como representante das suas obras?

    Temos, desde o primeiro dia, uma excelente relação de cavalheiros. Existe uma enorme confiança mútua imprescindível nesta área de actividade extremamente exigente e stressante o que faz valer a pena trabalhar com a empresa Cardoso & Conceição.

  • Que importância vê no site bandasfilarmonicas.com?

    Creio que assim que controlarem efectivamente os utilizadores do fórum, impedido-os de lançarem as sementes da discórdia, da calúnia, da maledicência, o site é excelente e faz imensa falta á comunidade musical. Oxalá todos músicos saibam merecer mais esta dádiva informática e o fruto do vosso trabalho.

  • Foi um grande prazer tê-lo connosco e conhecê-lo de perto. “Todas as palavras serão poucas para definir tão distinta personalidade. O compositor e maestro, Afonso Alves, é uma referência no universo das Bandas Filarmónicas. Jamais alguém escreveu tanto e tão rapidamente para Banda e com o mesmo sucesso. Sempre foi de excelente trato, modesto, compreensivo quanto à diversidade de opiniões, aberto a todas a ideias, críticas e sugestões. A sua elevada formação moral, a sua cultura sobre quase tudo o que diz respeito à música Filarmónica, permite-lhe granjear respeito e admiração de inúmeras Bandas que amiúde o solicitam, quer através de nós “C&C” quer directamente a ele, para estar presente em comemorações, fazer conferências, comentar obras ou acompanhar gravações do seu repertório. Nunca falha ao que se compromete. É irrepreensível relativamente aos compromissos que assume. É um prazer trabalhar com ele.” M.Cardoso “C&C” A administração do bandasfilarmonicas.com agradece ao maestro Afonso Alves a sua inestimável colaboração e à gerência da empresa “C&C ” o seu testemunho.