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Marcial de Fermentelos em jornada tripla
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Depois da jornada dupla da passada semana, a Marcial de Fermentelos terá esta semana jornada tripla ao actuar em Forjães na próxima quinta-feira, em Souto no sábado e em Refóios do Lima no domingo seguinte.
Assim, durante a tarde e noite de quinta-feira e até à 1 da madrugada, a Marcial estará no concelho de Esposende, a participar nas festas da vila de Forjães em honra da sua padroeira que, como em tempos mais recuados, continua a ser alvo de inúmeras romarias de devotos no dia do martírio da Santa Marinha, que pagam as suas promessas pela protecção das searas nos campos em seu redor, ouvem o tradicional clamor entoado em honra da santa no fim da missa da festa e incorporam a solene e imponente procissão cujo inicio quase toca no seu final.
Da procissão dois aspectos a reter. Desde logo o desfile de duas imagens de Santa Marinha, uma denominada “Santa Marinha antiga”, anterior imagem que se venerava na igreja antes da oferta por Rodrigues Faria, grande benemérito da Freguesia, das imponentes imagens de “Santa Marinha” e de “Santo António” que se veneram actualmente no altar-mor da igreja matriz da freguesia. O outro aspecto a reter é o cântico do hino a Santa Marinha, em frente ao monumental escadório, e a bênção aos campos e searas.
Findos os actos religiosos mais significativos, o arraial retoma com os divertimentos, as tasquinhas e outros elementos que fazem parte festa, sendo visível a satisfação com que forjanenses e forasteiros assistem, no adro da igreja matriz aos despiques das filarmónicas, reforçando os momentos de comunhão, de partilha, e de vivência. Nas festividades deste ano a Marcial actuará com a sua congénere Banda de Música de Pevidém.
Já no sábado, a partir das 14.30h, a Banda Velha estará em Souto, concelho de Arcos de Valdevez, participando nas festas em honra da Senhora do Carmo, onde estará em despique com a Banda de Música dos Mineiros do Pejão até à 1 da madrugada.
A freguesia de Souto ocupa uma área de cerca de 402 ha na zona confluente do vale do Vez e do Vale do Lima. Assim pode-se dizer que esta freguesia desfruta do privilégio de ter na sua área o encontro das águas do rio Vez com o Rio Lima. No livro “Inventário Colectivo dos Registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo”, pode ler-se: «Entre os anos de 1112 e 1128, D. Teresa fez doação à Sé de Tui de metade da terra reguenga que tinha nesta freguesia, no lugar de Fonte Arcada. Em 1258, na lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, ‘’Sancto Petro de Sauto”, é citada como sendo uma das igrejas pertencentes ao bispado de Tui. Em 1320, no catálogo das mesmas igrejas, que o rei D. Dinis mandou elaborar, para pagamento de taxa, São Pedro de Souto, enquadrada nesse tempo na terra de Távora, foi taxada em 50 libras. Em 1444, a comarca eclesiástica de Valença foi desmembrada do bispado de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta, até 1512. Neste ano, o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu a D. Henrique, bispo de Ceuta, a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em troca-a de Valença do Minho. Em 1513, o papa Leão X aprovou a permuta. Quando, entre 1514 e 1532, o arcebispo D. Diogo de Sousa mandou avaliar os 140 benefícios incorporados na diocese de Braga. Souto rendia 39 réis e 120 alqueires de pão terçado. Na avaliação efectuada em 1546, sendo arcebispo D. Manuel de Sousa, o estipêndio desta igreja foi calculado em 30 mil réis. No Censual de D. Frei Baltasar Limpo, de 1580, São Pedro de Souto pertencia à terra de Valdevez, sendo da colação do arcebispo. Segundo Américo Costa, a Mitra apresentava “in solidum” o abade de São Pedro do Souto. Este apresentava o cura de Tabaçô. Em 1581, Frei Bartolomeu dos Mártires retirou este direito ao abade de Souto, atribuindo-o à Mitra. Segundo a Estatística Paroquial, de 1862, Souto era da apresentação alternativa do pontífice e do bispo.»
No dia seguinte, domingo, a partir das 08.00h, estará em Refóios do Lima, concelho de Ponte de Lima, participando nas festas em honra do Santíssimo Sacramento, onde estará em despique com a Banda Musical Flor da Mocidade Junqueirense até à 1 da madrugada. Refóios do Lima é uma freguesia portuguesa do concelho de Ponte de Lima, com 16,40 km² de área e 2.282 habitantes. Situada a uma dezena de quilómetros da sede do concelho, a caminho de Arcos de Valdevez, a freguesia de Refóios do Lima consta em documentos desde os alvores da nacionalidade. Mas, os povoados romanos alvitram pela localidade, sendo a partir da Alta Idade Média povoação importante pelo seu Mosteiro ou Convento, dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, edifício com cerca de 10 mil metros quadrados de área coberta, fundado no século XII, por Afonso Ansemondes, nas imediações do seu solar. Dotou-o o seu filho e herdeiro Mendo Afonso com todos os seus haveres. Coutou-o D. Afonso Henriques. Enriqueceram-no com raros privilégios, fazendo-o “imediato à Santa Sé”, os pontífices Adriano IV e Alexandre III. Foi unido, em 1564, ao Mosteiro da Santa Cruz de Coimbra. Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, a sua igreja transformou-se em matriz da freguesia, ao mesmo tempo que se vendiam, a particular, os grandes edifícios conventuais e a quinta. Já então nada restava do espólio artístico dos períodos mais remotos do mosteiro. O antigo Convento guarda ainda no seu interior valores artísticos, como o refeitório, sala de música com belo tecto em estuque, aposentos do D. Prior com painéis de azulejos neo-clássicos, capela de São Teotónio com painéis representando trajes das Casas da Ordem, cozinha velha, etc.
Os interessados em acompanhar a Marcial podem reservar o respectivo lugar no autocarro através dos telefones 234191590 (Ester Pepino) e 234721004 (Barbearia Costa).