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29 de Julho, 2026

O que pensa sobre os Concursos e sobre as Bandas, quem as vai avaliar neste 1º Concurso

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Gostamos todos de saber se quem nos avalia está na mesma sintonia que nós e se partilha da mesma paixão pelo objecto, mesmo sabendo que são  figuras da mais alta estirpe.

Eis uma oportunidade para conhecer o que pensam estas proeminentes figuras da música bandistica, sobre os concursos, sobre as Bandas e a sua importância no contexto social, cultural, artístico e lúdico das populações.

Todos os convidados a pronunciarem-se sobre este assunto – elementos do Juri e não só – dispuseram-se de imediato a dar a conhecer a sua opinião.  Ei-la:

Sobre os concursos, relativamente ao interesse que tem quer para as bandas, musicos e maestros:

André Granjo: A única importância que atribuo aos concursos prende-se com a capacidade de motivação que estes desenvolvem junto das colectividades. A participação num concurso deve ser encarada dessa forma pelas estruturas das bandas, pelos seus maestros e músicos. A participação num concurso não deve nunca ser o objectivo mais importante de uma instituição: para mim os objectivos principais deverão ser sempre o de dar formação aos jovens, apresentar bons concertos e desenvolver a banda o mais possível do ponto de vista do seu potencial artístico para pôr a arte ao serviço do público que nos ouve. É exactamente aqui que entram os concursos: participamos em concursos para submeter o trabalho que fazemos à avaliação de colegas; para aferirmos se o que fazemos está no bom caminho e para unirmos os esforços de toda a estrutura no sentido de mostrar o que de melhor sabe fazer. Temos de partir para um concurso com a perfeita consciência de que cada membro do júri terá uma opinião diferente do nosso trabalho mas que em última análise ela representa a forma de ver de diferentes membros de um público a quem queremos mostrar os frutos da nossa arte. Pensando desta forma, a participação num concurso é pois de grande importância já que em determinados momentos a motivação dentro de uma colectividade é o oxigénio necessário para a manter viva e em crescimento!

Délio Gonçalves: Os concursos tem como principal missão o estimulo pedagógico em todas as vertentes do associativismo! Sejam elas as de carácter performativo instrumental (Músicos), como interpretativo (Maestros) até diretivo (Corpos gerentes das associações que tutelam as Bandas Filarmónicas). Não poder participar é perder mais uma oportunidade de avaliar todo este trabalho coletivo e demais simbiose artística, é perder a oportunidade de poder fazer parte da evolução artística que todos pretendemos na área concreta da música filarmónica amadora.

Ferrer Ferran: Realmente é sempre muito interessante este gênero de concursos, porque faz evoluir os respectivos agrupamentos. Os músicos, no seu conjunto evoluem pela e para a música, tratando de realizar e procurar essa perfeição exigida nestes eventos. Por outro lado os maestros trabalham com as bandas que participam nestes concursos, um repertório que de outra forma não faria parte dos seus concertos normais. A procura deste novo repertório provoca uma evolução nas bandas que participam nestes eventos e ao mesmo tempo para a música composta especificamente para banda. Neste sentido a música é sempre a vencedora, até os compositores evoluem ao comporem para estes concursos.

Tim Reynisch: Creio que existem vários factores envolvidos. Primeiro, o concurso introduz nas bandas concorrentes uma série de novas obras proporcionando um nível de trabalho que normalmente não existe. Segundo, a competição é meio maravilhoso para bandas e maestros observarem outros artistas e aprenderem o que fazer ou não fazer para melhorarem a sua própria performance. É perigoso atribuir atribuir demasiada importância aos concurso. Na minha pinião prefiro festivais onde não existe competitividade, ou onde todas as bandas recebem comentários ou recomendações mas sem existir vencedores ou vencidos. Existem critérios a serem seguidos é claro, mas a excelência na performance é muito subjectiva.

Relativamente a este que irão avaliar em que participam 15 bandas, naturalmente conhecem bem o regulamento elaborado pela organização “APB”, que comentam em termos da forma como está estruturado;

André Granjo:  O regulamento parece-me muito bem elaborado. Um regulamento é isso mesmo: serve para regular! É um conjunto de regras impostas a todos os que se querem submeter a concurso por forma a garantir que todos sabem ao que vão! Neste sentido o regulamento deste concurso parece-me cumprir perfeitamente essa missão. Gostei de ver um pequeno pormenor: o de não serem penalizadas bandas por não se apresentarem com um ou outro instrumento que esteja na partitura mas que a Banda não possua, dando a possibilidade de haver substituições. Este pequeno pormenor reflecte uma consciência por parte da organização relativamente à realidade das nossas bandas.

Délio Gonçalves: Na sua génese os concursos são todos idênticos! Pretendem exatamente proporcionar de uma ou de outra forma a evolução das bandas, do meio artístico musical amador em geral. Por isso na minha modesta opinião não existem formulas mágicas! existem sim ideias, que na sua diferença podem proporcionar a uns e outros essa oportunidade de andar em frente! Não nos podemos esquecer que muitas vezes os aspetos logísticos são condicionadores em absoluto da realização destes eventos! Mas no final o que todos procuramos é a referencia superior para os demais que procuram melhorar esta sua forma de vida através da música terem um ponto de referencia em comum e um lado para caminhar! Para mim, e preservando aquilo que é a diferença de opiniões e acima de qualquer uma a minha! Só há vencedores se por bem assim vierem participar neste ou em qualquer outro concurso. Mas é a minha opinião e é por ela que luto e trabalho. Discutir aspetos de pormenor, relacionados com a forma como é realizado e/ou avaliado, é desperdiçar tempo e energia necessária para outras coisas que são muito mais importantes! Importante mesmo é haver algo! Que mesmo com a maior quantidade de defeitos imagináveis, existe e faz com que através dele exista a capacidade e motivação para trabalhar e melhorar, com todos os defeitos mas também com todas as virtudes que nós enquanto seres humanos temos de nos interligar e viver em comunidade.

Ferrer Ferran: Acho o regulamento apropriado, dispor deste tempo limite faz com que seja um concurso atractivo e existe uma margem interessante na selecção de obra de livre escolha. O júri é internacional, o que per si também torna este concurso justo e atraente para os participantes.

Tim Reynisch: Parece-me estar na medida perfeita, nem demasiado confuso nem com demasiada pressão, mas continuando a ajudar os artistas.

Sobre as Bandas Filarmónicas, quer à escala mundial quer local, no que diz respeito ao desenvolvimento sociocultural das populações onde existem, que importância tem estas instituições?

André Granjo:  Para mim qualquer estrutura com potencial artístico é de vital importância para a sociedade. As estruturas amadoras são-no a um nível muito mais pessoal e essencial já que, para além de permitirem o usufruto artístico às populações onde estão integradas, ajudam a criar espírito de comunidade e identidade. As Bandas Amadoras, pensadas como centros artístico e formativos, são agentes de democratização do acesso à arte e à educação sobretudo em países como o nosso com tão grandes assimetrias económicas e educativas. É fundamental que nas regiões mais deprimidas e deficitárias do nosso país os agentes políticos e os mecenas invistam mais nas bandas e noutras estruturas artísticas para compensar o enorme défice que existe em relação aos grandes centros urbanos. As populações dessas regiões também pagam impostos e no entanto as instituições artísticas, para onde são canalizadas verbas desses impostos, actuam quase exclusivamente nas grandes metrópoles. É pois fundamental o investimento local por forma a equilibrar o usufruto de produtos artísticos. Não sendo viável a criação de estruturas artísticas profissionais em todos os municípios do país é pois imperativo que se protejam e apoiem as Bandas Amadoras e outros agentes artísticos amadores, para não castrar culturalmente uma parte substancial do nosso povo.

Délio Gonçalves: Absolutamente fundamentais quer no plano educativo quer no plano da identidade e cultura local. É consensual dizer-se que sem as bandas a música não chegaria a tantos de nós e é uma verdade inquestionável. As Bandas Filarmónicas tem secularmente uma importância incalculável no desenvolvimento humano das sociedades onde estão inseridas, não só ao nível da educação mas também ao nível do desenvolvimento social e humano das suas comunidades!

Ferrer Ferran: As bandas amadoras levam a cultura musical ao povo, fazem com que as crianças estudem música de forma a participarem desde tenra idade neste mundo e dando-lhes a oportunidade de virem a ser grandes profissionais.

Tim Reynisch: Acho que, muitas vezes, é dada demasiada importância aos concursos. No mundo das Brass Band, isto acontece certamente à custa da arte, e as bandas são incentivadas a tocar mais alto e mais rápido do que outros, mas a concorrência é a alma do movimento das Brass Band, e acho que acontece o mesmo para nas bandas filarmónicas de muitos países.

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Nos próximos dias publicaremos opiniões de várias figuras relacionadas com direção artística e com direcção administrativa (presidentes) sobre estes assuntos