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15 de Agosto, 2026

Banda “Sinfónica” de Famalicão

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Dois Violoncelos, dois Contrabaixos de corda, Oboé, Corne Inglês, dois Fagotes e todos os restantes instrumentos normais de uma filarmónica, constituíram neste concerto de Ano Novo o quadro musico-instrumental da Banda de Famalicão. Cheguei no início da Sinfonia Nº 1 O Senhor Dos Anéis - Johan de Meij, não posso portanto comentar as duas obras iniciais. Fiquei efectivamente surpreendido com a Banda. Está naturalmente diferente daquela que conhecia do tempo do anterior maestro. Muito diferente. Não a quero classificar quanto à qualidade de execução porque anteriormente a Banda executava bastante bem (no meu ponto de vista) o repertório que fazia. As diferenças de substância estão na atitude, no repertório, na interpretação e nova formação. A Banda mostrou uma atitude diferente, ao estilo da Banda Sinfónica Portuguesa, o que não significa que a atitude anterior seja criticável. O repertório, em termos de solistas, foi arrojado e próprio para concerto em recinto fechado. Gostei da interpretação. Ouvi as Variações Sobre “Cármen” de G. Bizet Para Clarinete - Jean-Louis Petit /Arr: Fernando Marinho (Clarinete Solista: João Pedro Santos) na Casa das Artes assim como ouvi a mesma obra e pelo mesmo solista, pela BSP no Rivoli, no dia de Ano Novo. Francamente apreciei mais em Famalicão. Não que não gostasse de ouvir no Rivoli, que gostei, mas porque a perceptibilidade, o equilíbrio entre a Banda e o solista foi melhor, - refiro de novo, no meu ponto de vista - em Famalicão. O João Pedro está de parabéns e o maestro e Banda também. As Czardas Para Xilofone - Vittorio Monti/Arr: Willy Hautvast (Xilofone Solista: José Carlos Almeida) foi também uma excelente obra de exibição. O virtuosismo do José Carlos deixou o público de “olhos em bico” e mostrou que no Xilofone se podem fazer coisas do “arco-da-velha”. Se conseguir no arraial que o Xilofone tenha a mesma projecção, nesta obra, que em recinto fechado, então vai com certeza colher muitos “louros” com a sua apresentação. A Banda, como Filarmónica, comportou-se bastante bem no acompanhamento a ambos os solistas. E sendo o maestro novo… O Ross Roy (Abertura para Banda) - Jacob de Haan foi mais uma obra de exibição. Desta vez do jovem maestro Fernando Marinho, que a dirigiu de cor, teve absoluto controlo de todas as situações. A Banda brilhou por completo e o maestro foi protagonista no espectáculo. A forma como estabelece a comunicação gestual com a banda e o seu estilo de direcção não passam efectivamente despercebidos. Expressivo, claro, atento às intervenções de naipes e de solistas, por vezes, aparentemente, “nervoso” mas a Banda reage bem. Significa que entre o maestro e a banda não há dificuldade de comunicação. Outra obra que me surpreendeu na interpretação foi a rapsódia Português Suave de Carlos Marques. Já super tocada, gravada e regravada mas, nenhuma, na minha óptica, das que já ouvi suplanta, na interpretação a que faz a Banda de Famalicão. Ouvem-se todos os temas perfeitamente e todas as variações. Há equilíbrio. Todas a intervenções de naipes ou de solistas estão bem cuidadas e os andamentos equilibrados também. Nota-se bem a diferença entre o que faz a Banda de Famalicão, nesta obra, e o que é normal ouvir-se. Não me foi possível assistir ao resto do espectáculo, com pena minha. Mas confesso que gostei bastante. O auditório estava superlotado com imensa gente de pé. Haviam, para meu espanto, imensas crianças e adolescentes entre o público. Foi a primeira vez que ouvi a Banda de Famalicão em recinto fechado e a avaliar pela audiência ou a Banda é muito querida naquela cidade ou então consegue mobilizar muita gente. Mario Aguiar, presidente da Banda, referiu em intervenção pública, durante uma pausa do concerto, que, “para fazer coisas novas só a juventude”. E “a contratação do Maestro Fernando Marinho” para a direcção artística da Banda, pela transformação que operou, “é exemplo disso”. Reconheceu o trabalho árduo e duro dos músicos e maestro e da responsabilidade que implica a mudança numa instituição com a que dirige. Referiu ainda, antes de desejar bom ano a todos, que “a musica tem um papel importante no desenvolvimento de uma sociedade melhor” e é no sentido desse contributo que a actividade da Banda se desenvolve. Foi breve mas plena de conteúdo a sua intervenção. Sobre a formação da Banda, (com cordas) será que se vai manter? O maestro Fernando Marinho tem essa intenção. Vai ser mais uma “Sinfónica”? É uma formação atípica que em arraial (pelo menos nalguns dos nossos arraiais mais ruidosos) talvez tenha de “obrigar” a entidade contratante a alterar as condições envolventes ao seu espaço de actuação, (o que será uma maçada para os festeiros) para que possa exercer a sua função dignamente. Caso contrário a Banda ver-se-á impedida de rentabilizar as cordas, podendo até “perder” alguns pontos em determinadas circunstâncias. De qualquer forma está uma Banda muito diferente. Está sim senhor. Que está à vista a vontade de mudar, não restam dúvidas a ninguém. Que o maestro tem “garra” também não há dúvidas. Que o projecto venha a ter sucesso, é o que desejamos e fazemos votos. M. Cardoso