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26 de Julho, 2026

ENTREVISTA AO MAESTRO LUCIANO PEREIRA

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6º Concurso de Bandas do Ateneu Vilafranquense

Orquestra de Sopros Academia de Artes de Chaves | 1º Prémio – 1ª Categoria (Categoria sinfónica)

Dirigida pelo Maestro Luciano Pereira

A Orquestra de Sopros da Academia de Artes de Chaves tem apenas 8 anos de existência e foi criada como disciplina do curso básico de música. A Orquestra de Sopros ampliou-se para um grupo autónomo dentro da Academia de Artes e sob a batuta do Prof. Luciano Pereira tem granjeado os mais rasgados encómios. Atualmente é composta por alunos e professores da Academia e antigos alunos que mantém fortes laços de amizade com a instituição que lhes serviu de plataforma para a vida profissional. Dos 108 jovens que participaram na Orquestra vencedora no Concurso Ateneu Vilafranquense, menos de 20% são licenciados em música sendo a maior parte destes, professores na Academia. Os restantes estão ainda a estudar.  A Orquestra conseguiu até à data, em concursos nacionais e internacionais com Bandas de Música, 6 prémios. Em 2010 foi galardoada com o 2º Prémio – 3ª Categoria no III Concurso de Bandas Ateneu Vilafranquense. Em 2012 recebeu uma Menção Honrosa na III Mostra Musical do Eixo Atlântico e em 2014 foi galardoada com o Prémio Tauromauia da 2ª Categoria do V Concurso de Bandas Ateneu Vilafranquense, sagrou-se vencedora da categoria de Agrupamentos Maiores da IV Mostra Musical do Eixo Atlântico e foi agraciada com o 1er Grand Prix, o Diffwinds Award e uma Menção “pela valorização da tradição musical portuguiesa” no Diffwinds 2014 – Luxemburgo. Ainda no mesmo ano viria a conseguir o 1º Prémio na Secção Académica do I CIB Filarmonia D’Ouro. Recentemente, foi galardoada com o 1º Prémio na 1ª Categoria do VI Concurso de Bandas Ateneu Vilafranquense.

Segundo o Maestro Luciano, continuar a aumentar o nivel artístico dos alunos é o principal objetivo na orquestra.

Sobre a razão porque participam em concursos, Luciano responde que “ é extremamente importante participar porque é um trabalho muito focado, com um objetivo específico e esta forma de trabalho possibilita um crescimento bastante acentuado…”

 Quanto ao tempo de preparação para dignificar a prestação e vencer a “concorrência” o maestro responde que apenas começou a trabalho em Janeiro depois de reunir com os seus chefes de naipe e definir a estratégia de trabalho, que não tem nenhum segredo! Trabalho não tem qualquer segredo! A estratégia e o método talvez. Mas isso tem a ver com a formação de cada um, com a maneira que cada um considera ser a mais eficiênte para se atingirem os objectivos propostos.

Reações e emoções pós resultado (classificação) do concurso:

Já participamos várias vezes e não atingimos os resultados que pretendíamos e nunca desistimos nem fizemos eco disso através das redes sociais ou através de declarações públicas menos propositadas. Fiz sempre as minhas observações a quem de direito, discuti pontos de vista nos meus círculos pessoais e aceitei o resultado, mesmo que em momentos possa ter discordado dos mesmos. Aos meus músicos passei sempre a mensagem de que independentemente de tudo o trabalho tem que continuar e cada experiência traz mais informação nova para que possamos continuar a crescer.

Vencer a 1ª categoria é um feito. Que significado tem para si este prémio Maestro Luciano?

– Significa reconhecimento. A concorrer há 4 edições, vencer o 1º Prémio na 1ª categoria significa que estamos no bom caminho. E é claro que sendo a 1ª categoria tem um significado especial, poder figurar numa lista que tem algumas das bandas mais icónicas do país é relevante para um grupo que não renega as suas raizes filarmónicas.

Qual foi a Metodologia utilizada na preparação dos ensaios?

– Planeamento, reunião com professores, definição de uma estratégia de trabalho e ação. O trabalho nunca se faz sozinho. Para se conseguir ultrapassar limites é preciso que haja uma equipe de chefes de naipe (alguns professores, outros não) que se entregue ao trabalho e perceba a parte essencial que têm no processo. É importante ainda que os músicos estejam dispostos, disponíveis e empenhados no trabalho. E nesses aspectos, sou um sortudo. Depois é construír em conjunto, de forma metódica e com empenho.

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Concorda com a classificação?

– Sim!

Referências bandistícas em Portugal:

– A ARMAB e a BSP como exemplos de excelência e a Banda de Loivos como a minha filarmónica, onde aprendi o que é isto da filarmonia. A BSJSMF (Banda Sinfónica de Sta Mª Feira) como a base de partida para o projecto da Orquestra de Sopros da AAC, como prova do que se consegue fazer com jovens músicos sem ocupar outros espaços.

Como maestro qual é o seu limite?

– Quero chegar aos 90 anos feliz da vida porque tive a oprotunidade de fazer aquilo que gosto! E se olhar para trás e sentir que fiz um bocadinho de diferença para as pessoas com quem lido, tanto melhor. Principalmente para os meus miudos.

Se não ganhasse o que dizia aos seus músicos relativamente à classificação?

– Que temos de continuar a trabalhar para ganhar espaço e respeito e para sermos melhores. Parecido com o que lhes disse…

Recomenda vivamente às Bandas que participem em concursos?

– Completamente! Foi o que fiz sempre! Aos que não ganharam prémios os meus parabéns pela coragem de participar e coragem para continuar a trabalhar!

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Porque participaram na 1ª Categoria (a maior!) em vez de tentar ganhar a 2ª e só depois a categoria môr!?

– Porque uma vez que no regulamento passou a constar um nível específico de dificuldade das peças de escolha livre, consideramos que não deveriamos baixar o nível de dificuldade da peça escolhida por nós. E também porque consideramos que estava na altura de subir um patamar no concurso.

Considera o Juri é de insuspeita qualidade?

– Sim. Embora todos tenhamos direito a não concordar com os resultados.

Quer destacar algum aluno, solista..?

– Não claro que não! São todos alunos a destacar pelo esforço, dedicação e abnegação! Destaco abnegação! Ninguém é remunerado e no entanto têm um ritmo de trabalho intenso, muito para além do que seria suposto numa orquestra académica ou numa disciplina de Classe de Conjunto. Trabalham muito mas sempre com a certeza de qu e só assim se consegue crescer e evoluir. Todos se esforçam ao máximo, desde alunos a professores!

 E agora? Que outras participações tem em vista?

– Estamos efetivamente a analisar hipóteses de participar em vários eventos, nacionais e internacionais, que a seu tempo divulgaremos.

Da parte da autarquia de Chaves existe reconhecimento pelo vosso trabalho?

– Sim, sim a autarquia está connosco e reconhece a mais valia que somos para a região. Penso que fomos importantes na mudança que se deu na visibilidade que Chaves e a região envolvente tinha ao nível musical. Começam a surgir jovens músicos de excelente qualidade que fazem a sua formação na AAC e são músicos desta orquestra. E o Município sempre nos reconheceu como um grupo de vanguarda e que mais do que dar visibilidade ao Concelho, tem aberto o caminho para que a qualidade seja geral e cada vez maior.

Quer destacar alguma colaboração ou algum colaborador que foi importante apesar de não tocar?

– A colaboração é a palavra chave desta orquestra. E todos são extremamente importantes para que possamos andar sempre no limite das nossas forças. No entanto, não posso deixar de referir o nome do “nosso presidente”, o Marcelo Almeida, que embora seja um dos fundadores da Orquestra de Sopros da AAC, já não toca connosco por razões de força maior mas que continua a ser capaz de descarregar uma carrinha de percussão debaixo de chuva torrencial para que os nossos miudos tenham todas as condições para fazer o seu melhor. E se existe um espírito especial nesta orquestra, ele representa-o na perfeição.

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 Maestro, muitos parabéns pelo prémio, pelo entusiasmo e pela energia que irrradia ao falar de música. Parabéns também a toda a orquestra e muitas felicidades para todos.

Muito obrigado pela atenção dispensada a esta entrevista.