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ENTREVISTA AO MAESTRO HÉLDER GONÇALVES
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Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora (SFCIA) | 2º Prémio – 2ª Categoria (1º não atribuido)

Dirigida pelo Maestro Hélder Gonçalves

Em 2014, um mês após ter assumido a direção artistica da SFCIA (Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora) participou no concurso do Ateneu Vilafranquense, na 3ª categoria. A classificação que obteve com a sua SFCIA foi, como tantas outras bandas, modesta. Mas esse resultado não o demoveu, nem à banda, de continuar o trabalho, orientado, de crescimento artístico. Dois anos após, nova participação, novo teste, e eis que o resultado foi completamente diferente. Não, não foi perfeito, garante o maestro, mas é notória a evolução. “Significa que estamos no caminho certo! Significa que o método e o trabalho são eficazes!”
Interpelado sobre se concorda com a classificação de 86.8 que o Júri atribuiu, o maestro refere:
– Quando nos sujeitamos a um concurso no qual existe um júri com 5 individualidades distintas, naturalmente com conceitos e ideais musicais independentes, devemos concordar com o resultado. Pessoalmente estou bastante satisfeito com os meus músicos, foram incansáveis e trabalhadores. Quando surgiu a ideia de concorrer a este concurso pensei em levar uma obra portuguesa original para banda que fosse relativamente nova. Daí a obra do Nelson Jesus “Porto de Saudades”, (2º prémio de composição em 2015 no concurso de composição da Banda Sinfónica Portuguesa) ser para mim a escolha certa. A obra leva-nos ao Porto e aos vários locais que marcaram de alguma forma o compositor na altura em que estudou na cidade. Destaco a forma como abordou a música portuguesa baseada em alguns vídeos que Michel Giacometti recolheu de músicas tradicionais no norte do País, a forma como explorou o som e a procura de novas amplitudes tanto solísticas com em bloco. Não posso deixar de agradecer ao meu amigo Nelson Jesus a confiança que depositou em podermos ser a primeira banda, após o concurso de composição da BSP, a executar esta obra magnífica. O Juri classificou-nos com a pontuação que entendeu, nós aceitamos e respeitamos.
A banda ficou motivada com a 1ª participação (2014), apesar de não ter conseguido qualquer prémio, mas decidiram voltar a concorrer em 2016. Foi para provar algo?
– A decisão de voltar a concorrer foi consensual. Todos os músicos decidiram participar sem vacilar. Sim, provamos que somos capazes de crescer, de evoluir. Provamos a nós próprios e fizemo-lo publicamente. Também é para isso que os concursos existem.
Sobre a preparação o maestro explica que “era importante que a banda percebesse logo de início a linguagem de cada obra e os seus vários desafios a superar tanto individualmente como coletivamente.
Quanto ao trabalho prévio Hélder Gonçalves conta-nos o método que se baseia numa fórmula muito simples “Ensaios gerais e de naipe devidamente estruturados com a colaboração dos professores da escola de música da banda. Naturalmente movidos pelo interesse em apresentar bom nível artístico conseguiu-se uma grande adesão aos ensaios. Este foi o plano estabelecido cerca de 2 meses antes do concurso. É evidente que desta forma o resultado teria de surgir. Não há segredos. Depois de sabermos o que queremos, com trabalho orientado e com disciplina conseguem-se bons resultados.

Quanto a reforços?..
– A minha política de reforços assenta nas reais necessidades da banda, ou seja, não quis de forma alguma deturpar a verdadeira alma e identidade da minha banda. Os reforços consistiram em instrumentos que a minha banda ainda não tem, por exemplo: trompas, contrabaixo de cordas, piano, levei também mais 1 tuba e 1 flautim.
O Maestro Hélder Gonçalves considera o Júri é absolutamente credível e comenta ainda que “não concorreria se tivesse alguma dúvida sobre a idoneidade de qualquer elemento que o compõe”.
O que diria aos seus músicos se a classificação não tivesse sido a esperada?
Independentemente do resultado, a banda já ganhou com a exploração de obras com linguagens diferentes, a união dos músicos e a solidificação do som coletivo. É claro, pedagogicamente as bandas crescem ao participarem em eventos desta natureza. O orgulho do trabalho final apresentado trará resultados visíveis tanto no imediato como no futuro. As bandas ou qualquer grupo cresce com objetivos. Caso contrário entra-se em monotonia e surge logo de seguida a desmotivação. É necessário, na minha opinião, que as bandas façam trabalhos diferentes dos que habitualmente fazem. Os resultados são naturalmente diferentes em termos anímicos, motivacionais, relacionais, artísticos, etc.
Quer destacar algum aluno, solista..?
Destaco todos os meus músicos. Somos um todo.

Voltará a concorrer no futuro?
Em princípio sim, se nos mantivermos em linha de crescimento como temos vindo a mostrar e tudo aponta nesse sentido!
Tem alguma crítica a fazer à organização do concurso?
Num evento destes há sempre pequenas críticas e pequenos ajustes. Sei que dá um trabalho enorme e por vezes não damos o devido valor a quem organiza. Apenas uma sugestão, meramente uma sugestão: Dar prémios mais sugestivos. Exemplo: gravação de CD..
Que significado tem este prémio para si e para a Banda?
Significa reconhecimento pelo trabalho árduo de 2 anos intensivos com resultados bem visíveis.

Se tivesse que dar referências artísticas da sua Banda o que diria – em poucas palavras?
Uma banda com músicos e pessoas fantásticas, com maravilhoso som coletivo, com afinação cuidada e sempre aberta para a abraçar programas diversificados.
O que é para si uma banda filarmónica maestro?
É acima de tudo uma escola na qual aprendemos a fazer música em conjunto independentemente do local de origem ou da profissão de cada um. É uma troca de experiências incrível, é uma escola pedagógica. Também cresci numa banda, (Banda Cabeceirense – Cabeceiras de Basto) a quem agradeço tudo o que me ensinaram. Foi uma ajuda para encontrar o meu caminho.
Referências bandísticas em Portugal:
Felizmente temos bandas com níveis fantásticos no nosso País, podia dar muitos exemplos mas posso destacar por exemplo: Banda de Famalicão e ARMAB.
Como maestro qual é o seu limite, Hélder?
Fazer o meu trabalho sério, sempre na procura de algo novo, sempre com rigor, mas acima de tudo fazer boa música…depois o tempo o dirá…

Que outras participações tem em vista para já?
Para já, a preparação do festival de bandas da Amadora e o concerto no Teatro na Amadora.
Existe reconhecimento pelo vosso trabalho da parte da autarquia?
Sim, estamos a trabalhar em conjunto um projeto futuro. A autarquia acompanha-nos.
Quer destacar alguma colaboração ou algum colaborador que foi importante apesar de não tocar?
Sim claro, o Presidente Joaquim Rocha, restantes elementos da direção, associados, pais dos alunos da escola da Banda, funcionários da SFCIA, Conservatório de Música de Sintra e amigos.
Parabéns pelo seu (vosso) prémio e muito obrigado pela atenção dispensada a esta entrevista.
