De momento não existem eventos registados
Lino Pinto – ex-maestro da Banda de Avintes
Clique na imagem para ver o tamanho original
A ACMA informou em 22 de Abril (ver notícia) que o novo director técnico/ artístico da Banda Musical de Avintes era Hugo Oliveira. Nada referiu sobre a saída do anterior maestro – Lino Pinto. Sobre esta "súbita" alteração na ACMA entramos em contacto com o ex-maestro, via email, e colocamos-lhe algumas questões, que nos parecem pertinentes, no sentido de esclarecer algumas dúvidas que possam pairar sobre o que terá levado à sua suspensão de director artístico da Banda de Avintes, quando tudo aprecia estar correr sobre rodas. Lino Pinto respondeu rapida e objectivamente às questões colocadas. Transcrevemos abaixo o teor do email resposta que o maestro nos enviou: Porque o dispensaram? Não sei! É uma incógnita que a direcção nunca poderá responder de forma satisfatória. O director-geral, um economista que assumiu funções há pouco mais de um ano, resolveu reestruturar a Banda, interrompendo abruptamente o acordo que a ACMA estabeleceu comigo de Setembro/2005 a Setembro/2007. Para essa reestruturação o director-geral "lembrou-se" (no fim de Março!) que é preciso amortizar o passivo e fazer obras. Não me parece uma razão aceitável, até porque a ACMA diz-se uma pessoa de bem que gosta de cumprir e fazer cumprir os compromissos que assume. O meu honorário sempre foi normal e negociável em meu prejuízo, cumpri com elevação o meu dever profissional, os objectivos artísticos foram sempre traçados além das possibilidades reais da Banda, mas realizados com sucesso. Além disso, nunca forcei o orçamento da Banda para a contratação de músicos, bem pelo contrário, contribui para que houvesse a participação, praticamente a custo-zero, de muitos músicos formados no conservatório. A ACMA COMO PESSOA DE BEM terá de cumprir o meu acordo até ao fim, por isso, não vislumbro qualquer poupança! Não obstante, a Banda perdeu um bom trompetista (o actual maestro, ao qual terá de lhe pagar por esta nova função!?). Que circunstâncias contribuíram para o facto? As circunstâncias mais óbvias foram expostas pela direcção – a falta de verbas devido à diminuição do número de serviços prestados pela Banda. As razões são várias, são as que têm afectado todas as Bandas em geral, não vale a pena estar agora a dissecar o assunto. A qualidade da Banda nunca esteve em causa, mas a meu ver, a intransigência com que os interesses mútuos eram tratados quer com as comissões de festas, quer com os próprios músicos e mesmo com outras Bandas de música, prejudicaram a imagem da Banda. Parece-lhe ter cabimento a decisão da direcção? Não! Não porque sou eu o lesado, mas porque acima de tudo sou um profissional de música. E, se há um profissional de gestão a por cobro a um acordo que eu tinha reiniciado há 6 meses, isto deveria ser tratado de forma profissional e responsável, para não falar de dignidade e respeito. Foi um acto lamentável, até porque há indícios de ter sido premeditado antes de se ter celebrado este último acordo por mais duas épocas. Estava à espera desta decisão? Não! Esperava que os "responsáveis" recuassem, reflectissem melhor, colocassem o orgulho de lado perante uma gestão tão "arrojada e corajosa" que populariza quem a pratica nem que seja em prejuízo de outrem. Até hoje, não houve diálogo comigo nem com os músicos, houve apenas uma aparição do director-geral no início da época. Desde a célebre dispensa por telefone nunca mais o vi, nem eu nem a Banda. Nem apareceu na minha despedida nem na apresentação do novo maestro… Estava consciente de algumas dificuldades da Banda, mas não esperava que a direcção lavasse as mãos como Pilatos. Sempre estive disponível para o diálogo e para a negociação, como aconteceu por várias vezes. No entanto, ser dispensado por telefone, por um director – geral que desconhece o que é uma Banda de música e talvez nem os próprios músicos, é imperdoável! Se o maestro que sempre os respeitou é tratado como um simples número, como serão tratados os outros? Então a direcção da ACMA que tanto gosta de fazer honrar os compromissos dos músicos, nem que para isso eles estejam contrariados durante anos, dá cobertura a um acto de gestão desta natureza? Pois bem, VIVA A LIBERDADE!!! No dia em que a honrada ACMA não cumprir o acordo que estabeleceu comigo por duas épocas, ou seja, pagar os respectivos honorários até ao fim do acordo, perde toda a moral, e os MÚSICOS estão LIVRES!!! Mas, A DÍVIDA PERMANECERÁ IMPERDOÁVEL! A sua vida sofre alguma alteração com a sua suspensão como director artístico da Banda de Avintes? Neste ano, para já, ficaram desprogramadas as procissões de 2 horas… Tinha algumas propostas de trabalho que rejeitei para estar mais disponível para a Banda, nesse sentido fico prejudicado se a ACMA não cumprir com os seus deveres. Eu gosto de trabalhar, por isso, tenho sempre muitos projectos para realizar: compor; aperfeiçoar as disciplinas que lecciono – Análise e Técnicas de Composição, Formação Musical, Instrumentação/Orquestração e Classe de Conjunto (Orquestra de Sopros da Fundação Conservatório Regional de Gaia), e investigar no âmbito da música. Quantos anos esteve neste projecto? Nove anos e meio de trabalho tranquilo e digno. A renovação do repertório foi ininterrupta, sublinhada pela estreia de uma ou mais obras por actuação, sem fugir ao grau de dificuldade das mesmas. Alguma vez atravessou períodos críticos, ou melhor, alguma vez esteve em risco a sua continuidade? Julgo que não. Com a entrada do director-geral pressenti que algo poderia acontecer … Que comentário lhe merece a sucessão e, já agora, sobre o seu sucessor, se quiser referir algo... A sucessão materializa uma traição e uma falta de ética abominável por parte de quem lhe dá cobertura. Só para se conseguir um lugar, agora trabalha-se gratuitamente em prejuízo de quem quer que seja? Isso é concorrência desleal e deplorável neste caso! Eu fui professor dele, fomos colegas e sempre com lisura e respeito no relacionamento, e… NÃO HOUVE UMA PALAVRA… É bom músico, mas com actos destes não protege nem dignifica a profissão dos músicos…