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12 de Agosto, 2026

Banda da Armada

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Sob direcção de Délio Gonçalves, a Banda da Armada levou a "bom porto" no passado Domingo, na Casa da Música, um excelente concerto, que teve a particularidade tantas vezes esquecida, de integrar a música portuguesa. Foi o caso da soberba obra "Primavera" de Jorge Salgueiro (compositor da própria banda), com efeitos especiais conseguidos pelo sopro através dos instrumentos e também através de acessorios proprios para o efeito, que se seguiu à fantástica, poderosa e impressionante abertura "Glorious" de Stephen Melillo. Executaram depois, obras de Gershwin, Ottorino Respighi, e de novo Jorge Salgueiro com um arranjo dos míticos Queen. Detalhe importante neste Concerto e que não deve ser escamoteado, foi o facto da Banda da Armada ter convidado a pianista, Ingeborg Baldaszti, para executar a Rapsódia in Blue, o que fez de memória. Mais de que o facto desta conceituada artista ter estado em palco, merece relevo por ter vindo a convite de uma instituição militar -normalmente fechada à interacção com a sociedade civil - o que mostra a abertura da Armada a novos rumos no âmbito da cultura (neste caso da Música) que, são de saudar e arriscamos dizer, devem pautar a acção das instituições, ainda que militares, ao serviço das populações. Não é caso único, no meio militar, mas peca por ser raro. Foi enfim um concerto de alto nível, direccionado para um público especifico, conhecedor do repertório moderno e elaborado, onde a Banda da Armada deixou seguramente uma dignificante imagem no norte. Apesar de uma média de idades bastante jovem, desde o grumete ao chefe (oficial), naturalmente com grande potencial, esta banda transmite excelente imagem da instituição que representa. Quanto ao Maestro, a sua juventude patenteia-se na forma como dirige e como reage a banda – descontraida, liberta - e até na forma como o próprio entra em palco – igualmente descontraido e sem exagerados formalismos. Único reparo talvez, e se assim lhe podemos chamar, a forma como se processa o agradecimento aos solistas, um pouco morosa, torna extensos e já desvanecidos na parte final desse tributo, os aplausos do público. Fica pois um registo positivo, e os parabéns à Banda da Armada, nesta "viagem" costa acima, até ao coração cultural da Cidade do Porto.