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11 de Agosto, 2026

Tema para reflexão

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“Não há fome que não dê em fartura”, reza o ditado popular, e esta expressão pode aplicar-se em inúmeros contextos da nossa existência, até mesmo no filarmónico. Talvez como resultado do incremento de qualidade que se tem verificado junto dos nossos músicos (embora seja sempre difícil fazer a destrinça do que é causa e o que é efeito) e talvez, também, como consequência de uma moda que, eventualmente, possa vir a desaparecer, têm proliferado as Masterclass de instrumentos e grupos instrumentais. Nada de errado, antes pelo contrário, não fosse o facto de grande número destes eventos coincidirem nas datas ou proximidade geográfica, lançando, muitas vezes, a confusão e o desinteresse, precisamente o inverso do desejado. Foi isto que, constatamos, sucedeu no findo período da Páscoa! Muitos alunos gostariam de trabalhar com todos os professores indigitados para fazerem as masterclasses, - algumas com absoluto fracasso e com professores de carreira internacional - outros, por optaram pelas que foram mais perto e ainda outros porque, provavelmente com alguma confusão não foram a nenhuma. Pecaram as organizações por falta de objectividade, pecaram os professores porque não analisaram se os eventos para os quais foram solicitados foram ou não bem programados e divulgados e se tinha sentido a sua existência, perdeu o meio porque se lançou a confusão e ao contrário do que seria de esperar o crédito destas masterclasse passa cada vez a ser menor. Soubemos de professores de reputadíssimo prestígio internacional que simplesmente não tiveram inscrições nas masterclasses para os quais foram contratados, apesar das organizações terem enviado cartazes de 150cm de altura, como se tal bastasse para atrair todo o mundo. Erro de dimensão igual ao tamanho dos cartazes. Por outro lado, uma masterclasse para alunos do mesmo professor - com quem trabalham todos os dias - também não nos parece que seja digamos,...lá muito ético. O espírito de uma masterclasse (Workshop) deverá ser promover o interesse pelo instrumento e acrescentar algo mais, aliando ainda a possibilidade de trabalhar com alguém diferente. A menos que a temática da master classe seja clara e objectivamente diferente do que normalmente se faz. Objectivos com sentido e direccionada a que se interessa é o que nosso entender deve pautar a organização de um masterclasse. Tudo o que se pense para além disto parece-nos pura fantasia que custa caro que tem de a patrocinar. Talvez a observação e análise do que, neste domínio, tem sido levado a cabo pela empresa Cardoso & Conceição possa dar pistas para reflexão e melhoria neste domínio. Com efeito, praticamente todas as Masterclasses organizadas pelo nosso parceiro registam uma adesão massiva cuja explicação deve merecer a atenção de quem tem em mente organizar uma iniciativa deste género. Em 2006, mais de mil pessoas passaram por masterclasses e workshops organizados pela C&C e, tanto quanto nos é dado a saber, 2007 vai a caminho de suplantar essa marca. Os próximos eventos, ainda nem sequer anunciados, estão já preenchidos, e isto tem, com toda a certeza, alguma razão de ser. A nosso ver, estudo aprofundado do meio, análise das necessidades, escolha adequada das datas, locais, intervenientes e conteúdos programáticos são condimentos essenciais para que uma Masterclass se imponha pela diferença e conquiste o seu espaço. Esta é, contudo, apenas uma opinião, assente em factos que atrás expusemos, que chegaram ao nosso conhecimento e quisemos partilhar com toda a comunidade filarmónica que diariamente nos visita. O nosso FORUM é um espaço privilegiado para se dar continuidade a esta discussão. O desafio está lançado!