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Sociedade Musical e Desportiva de Caneças
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Decorreu no passado dia 29 de Março, na sede da Sociedade Musical e Desportiva de Caneças (SMDC), o IV Encontro de Bandas Amadoras organizado pela colectividade, que contou, para além da banda anfitriã, com a valiosa contribuição das bandas da Associação Recreativa e Musical 1º de Maio do Catujal e da Agrupación Musical de Parcent, esta última oriunda de Alicante, no país vizinho. Apesar da muita chuva, que obrigou a cancelar o desfile inicial, a festa foi bonita e teve momentos de grande qualidade musical, com três bandas, três maestros, ou directores se quisermos, três sensibilidades distintas, de que resultou um espectáculo diversificado. Avançou primeiro a banda do Catujal, sob a batuta de Luís Filipe Santos, com a marcha “Hoch Heideckdudg” de Wossnes, seguindo-se “Ross Roy” de Jacob de Haan, “A Morricone Portit”, banda sonora da autoria de Roland Kermen, “Festa Paesana”, também de Jacob de Haan, finalizando com a rapsódia “Português Suave” do português Carlos Marques. De assinalar que o maestro Luís Filipe Santos dirige a banda do Catujal desde Dezembro de 2002 e que, para participar no evento, acendendo ao convite que lhe foi endereçado a pouco mais de um mês da data proposta, se obrigou, a aos seus músicos, a um enorme esforço para conseguir montar o seu concerto. Afinal valeu a pena, pelo sucesso conseguido, demonstrado no caloroso aplauso da sala cheia, prémio mais que merecido para a muito jovem banda do Catujal. Seguiram-se os “amics” de Parcent, da Comunidade Valenciana. Oriundos de uma região onde a tradição filarmónica e não só, “obrigam” à apresentação de trabalho de qualidade, a banda dirigida por Pedro Fluxiá Palacio, não deixou créditos por mãos alheias e ofereceu um concerto cheio, com as “cores” de Espanha, num repertório à imagem do próprio director. Três Pasodobles a abrir, “Borja Lloret”, “Suspiros de España” e “Como Las Proprias Rosas”, de F. Pérez Devesa, A. Alvarez e V. Ruiz Gómez respectivamente; seguiram-se os “intermédios” “En los Jardines de un Monasterio” e “En un Mercado Persa” ambos de Albert W. Ketelbey, intervalados com a interpretação de “Serenade”, O.P. 22, de Bourgeois; a terminar, depois de apresentadas as obras “Als Moros Vels”, Marcha Mora da autoria de J. F. Ripoll Martins, típica da “Costa Blanca”, e “John Williams in Concert” de Paul Lavender, a banda de Parcent executou, com brilho, de Jacob de Haan, a obra “Oregon”. A encerrar, a banda de Caneças, apostada em não se deixar ficar para trás, arrancou uma das suas melhores actuações, desde que a acompanhamos, vai para dez anos, oito dos quais sob a direcção do maestro Carlos Gomes, que vem desenvolvendo excelente trabalho, quer na banda quer na escola de música da associação. “La Allambra”, Pasodoble de Llano, “Carmén” de Bizet e “Una Noche en Granada” de Emilio Cebrian Ruiz, constituíram o prato forte da exibição; já em tom de festa a banda arrancou uma excelente selecção dos “Rolling Stones”, com arranjos de Ken Dye, e “Trombones Triumphants” de Don Keller. O inevitável extra, a cereja no bolo, foi “El Gato Montez”, que levou ao rubro toda a plateia, cheia ainda, três horas depois de iniciada a função. A concluir cabe aqui dizer que, apesar de todas as atribulações por que passou a organização desta edição, dos avanços e recuos, de encontros e desencontros, valeu o esforço de todos quantos se envolveram nela. Tornam-se necessárias mais iniciativas deste género, para dar outro sentido à existência das bandas filarmónicas, cultivar o intercâmbio de experiências, a realização de encontros, festivais, a concurso ou não, é uma das formas de divulgação do trabalho das muitas filarmónicas, que, seja a “conjuntura” favorável ou desfavorável, não desarmam, e mantêm-se em actividade por esse país fora. Ricardo Fonseca