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10 de Agosto, 2026

Um fantástico festival de bandas

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Já não se encontram, com a necessária objectividade e lucidez, adjectivos para descrever a importância, o impacto e o sucesso de eventos como a “Filarmonia ao mais alto nível”. Teve ontem lugar a III Edição deste Festival, uma vez mais organizado pela Cardoso & Conceição e a descrição daquilo que se viveu no grande auditório do Europarque afigura-se tarefa árdua, não só pela diminuída lucidez de quem se entusiasma com realizações deste tipo e, desse modo, perderá, talvez, o necessário distanciamento que se exige a quem cabe descrever um acontecimento deste nível, mas também porque o inequívoco sucesso das edições anteriores, repetido também nesta edição, deixa pouco a acrescentar ao que se disse aquando desses eventos. Assim, nada melhor do que dar a palavra a quem, com uma atitude mais distanciada – mas não menos apaixonada – terá melhores condições para se pronunciar quanto àquilo que se passou ontem, e de uma forma que vai muito para além da descrição dos factos, esses tão semelhantes aos de jornadas anteriores. Adérito Silveira, que nos brindou já com 2 brilhantes artigos na Rubrica “Notas Soltas”, escreveu o texto que abaixo publicamos na íntegra e que vale, por si só, todas as descrições exaustivas que eu pudesse aqui tentar. Uma leitura que vale por toda a notícia! Um fantástico festival de bandas Evento que simboliza um dos exponenciais acontecimentos das bandas filarmónicas decantados em momentos de boa música e saudável alegria. Festival de Bandas, acontecimento temperado a partitura de Filarmonia ao mais alto nível onde um pedaço da família filarmónica esteve presente – deliciando-se. No Europarque, em Santa Maria da Feira as Bandas deram brilho, colorindo um espaço que aos poucos ficou silenciado pelo menu musical oferecido e recheado de belíssimas composições, algumas, reflectidas e ampliadas até ao detalhe ínfimo e intimista… Este Festival de Bandas, foi qualquer coisa que nos tocou e acendeu em nós a chama viva de querermos voltar para o ano numa nova edição (a IV) para saborearmos novas músicas e novas interpretações, escutando outros agrupamentos filarmónicos e diferentes mundos como espaços de alimento espiritual e oportunidade de saborearmos estéticas novas e paixões retumbantes… Estamos pois, decididos e predispostos a viver estes mundos que vitaminam em nós a vontade da procura de novas descobertas, muitas vezes deslocadas dos lugares e percursos habituais; com este gesto graduamos ao máximo as expectativas e a sensibilidade, porque é nestes sítios onde as bandas tocam na fraterna união, que certificamos os nossos limites da compreensão musical, que acertamos o coração pelo tamanho enorme que o mundo filarmónico representa. Por cada viagem que fazemos a este reino de fascínio, ficamos com a sensação plena de atravessamos a fronteira inóspita do mal e as fraquezas humanas, passando para o vivificante prazer da vida em harmonia. O Festival “A Filarmonia ao mais alto nível”, na sua III edição, teve como bandas representadas: A Banda Municipal de Valpaços, Filarmónica Boa Vontade Lorvanense, Filarmónica Verdi Cambrense, Banda Musical de Fornos, e a Orquestra Filarmónica de Vermoim. Todas elas proporcionaram momentos altos de interpretação em fluxos emocionais levados por correntes magnéticas, em que o público se deixou arrastar por tal força. Ouvir tantos músicos tocar, foi uma experiência tonificante para todos quanto povoaram uma grande sala, fincados na lucidez e compreensão de valores indispensáveis a uma sociedade que se quer justa e livre a princípios morais e humano - os sons, inalienáveis nas suas subtilezas e força, aos poucos, perfumaram aquele espaço numa dimensão impressionante e mágica… Quase no final, houve a revelação de um conjunto de obras que mudaram o rumo da história do consignado repertório habitual de bandas filarmónicas. A Orquestra Filarmónica de Vermoim, apresentou três peças surpreendentes num universo de contrastes, sobressaindo mais pela nitidez técnica e pela agilidade demonstradas, não comprometendo nunca a dinâmica e coloridos dos seus fraseados. O resultado global foi de muito bom nível, e só podemos agradecer a um conjunto de pessoas, apaixonadas pela música, a realização destes festivais, que com esta qualidade, dão expressão a uma arte que nos ajuda a aprender a viver reforçando a nossa intelectualidade e a nossa força afectiva e social. Ao Maestro da Banda de Valpaços, Francisco Sousa, meu antigo e brilhante aluno, um abraço sincero de parabéns e o meu obrigado por ter trilhado os caminhos da música que com tanto carinho e entusiasmo lhe tentei incutir. Ao Mário Cardoso e Maestro António Ribeiro, o meu reconhecido apreço pelo trabalho e talento manifestados ao mundo profundo da música filarmónica e à sua grande família. Adérito Silveira (Maestro do Coro de Vila Real) aderito.silveira@hotmail.com