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IV Edição do “Filarmonia ao mais alto nível”
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Foi já há quase uma semana que teve lugar a IV Edição do Filarmonia ao mais alto nível mas os ecos do grande festival que se realizou no Europarque não deixam margem de dúvidas quanto à excelência do espectáculo que as bandas participantes proporcionaram. Temos a expectativa de, dentro em breve, publicar neste portal uma reportagem detalhada do evento, em complemento às apreciações que serão tecidas pelo painel de comentadores. Até lá, e para aguçar o apetite, publicamos aqui um texto de riquíssimo conteúdo, não fosse ele a expressão sincera de emoções vividas na primeira pessoa, por uma pessoa que, além do conhecimento de causa que lhe confere a sua experiência na área, é exímio no uso das palavras e expressão de sentimentos – Adérito Silveira. Um texto que vale a pena ler, e reler! Mais um Fantástico Festival de Bandas - Filarmonia ao mais alto nível Depois do deslumbramento que foi a 4ª Edição do Festival de Bandas, sinto-me pequeno para descrever a excelência da qualidade. Faltam-me os atributos de palavras concisas e certeiras que possam ajustar-se ao que se passou no Europarque no dia 26 de Outubro em Domingo soalheiro e convidativo… Assistimos à participação das Bandas de Vilela, S. Martinho de Fajões, Marcial do Vale, Sinfónica de Argoncilhe e a Brass Band do Conservatório de Fornos. Desfile de actuação que privilegia a redenção deslumbrante de uma assistência impressionante e numerosa. Ficámos vencidos e convencidos pelo desempenho notável das várias formações, onde a afinação e a coesão dos naipes foram uma constante, não faltando bons solos, aproximados a altos padrões de exigência, em decisivos impulsos de monumentalidade técnica e interpretativa. O calor da sala sentiu-se nos aplausos vibrantes no final de cada peça, e foram a prova insofismável de uma prestação a todos os níveis galvanizante que “obrigou” o público a não abandonar a sala. Assim, é fácil perscrutar o insondável mundo dos sons. É gratificante ouvir um grande concerto, no preenchimento de uma tarde de Domingo que vai ser difícil de esquecer. As Bandas Filarmónicas são hoje o produto de um trabalho sério e contagiante que tem sido feito no nosso país com maior incidência na região Norte Centro. Esta 4ª edição teve todos os ingredientes de fantasia filarmónica porque algumas obras apresentadas tinham auréola e magia e algumas bandas conseguiram executá-las com insuperável destreza técnica. Pena é que dirigentes de algumas orquestras portuguesas prefiram a estrangeirice de músicos sabe-se lá de onde; quem ouvimos tocar foram só artistas das nossas filarmónicas. O mundo filarmónico português ficou mais rico, com mais um festival onde a organização e todo o staff colaborativo se pautou pela intransigência de um trabalho digno de registo, denunciando a maturação e competência de quem anda nestas lides. Como corolário deste espectáculo sem laivos de hipocrisia ou arcaísmos bacocos, sentiu-se no final a unanimidade de reacções quanto à concepção e realização de um evento de tão grande envergadura e estupefacção. Aplausos para a Casa Cardoso & Conceição, na pessoa de Mário Cardoso que de forma indelével e intocável e (por que não dizê-lo?) soberba, concebe o engenho da libertação indigesta de espartilhos sociais pela congregação de um mundo de gente que ouviu religiosamente tocar centenas de músicos de gabarito: músicos, alguns, muito jovens mas impressionantemente preparados para a empolgância refinada de um bom escol de executantes do nosso país. Perante a sufocação de espanto e espasmo, o público aplaudiu esses músicos que pela sua juventude, suscitaram momentos de algum virtuosismo, inundando de satisfação todos os presentes, contrastando aqui e além com uma certa expressão sisuda de um ou outro maestro quando a linguagem da música exigiria a expressão de júbilo e disponibilidade corporal. Ficará como registo maior o rigor, a competência a força comunicativa, o esfusiante humor e alegria, a exuberância condutora de movimentos do maestro da Brass Band, o Prof. Kevin Wauldron. Os solos do trompetista Jorge Almeida da Banda de Fajões, nas suas deambulações tecnicistas, revelaram o fascínio de um instrumento que ganha cada vez mais adeptos. O modo como a Banda o acompanhou, fez lembrar um noivado genial nas revelações conexas de ambos os lados. Tocar assim, dá certamente prazer, reconforta a alma, humaniza a pessoa, e estou certo, espiritualiza o pensamento e a acção. Retenho da Suite nº 2 de Shostakovich a walsa nº2 como uma das mais belas páginas da criação musical de sonoridades diáfanas que tornaram possível a construção temática que impressionou e que nos arrebatou num verdadeiro convite à dança onde ninguém quis ficar sem par…os que não o conseguiram fizeram-no sozinhos de olhos bem fechados imaginando ao lado a mais bela e sedutora das mulheres. A apoteose da dança só terminou quando todos se sentiram embriagados e solenemente saciados. Com “Freitas” Fantasia Espanhola do compositor Luís Cardoso senti-me submerso na teia de sons arrojados e de fortes contrastes de dinâmica, que se ouviam em inesperadas alternâncias, numa espécie de jogo acrobático…que rapidamente se dirigem para a “Cidade Submersa”, sentindo-se um sufoco apertado de sons, empolgante psicanálise sempre à procura de um final feliz… ritmos e dissonâncias diabólicas procuram sair dos Infernos com a batuta enérgica e segura do maestro Ricardo. Seria injusto não referenciar o show-bizz do Grupo Supermetais, como parte integrante e habitual das várias edições. Este conjunto de jovens, vindo de Lagares – Penafiel, tivera a capacidade, o engenho e a arte de preparar o espectáculo de bandas ao público que ia chegando. A sua música, perpassada de algum humor e algum sarcasmo saudável deu o mote para que a festa redundasse num absoluto êxito. É justo dizer que estes festivais, têm transpirado música por todos os poros, e constata-se que em cada “Edição”, a qualidade tem demonstrado um entusiasmo do público a roçar o delírio, traduzido em ovações intermináveis e em promessas de voltar já proximamente no próximo festival. Não tenho dúvidas, a 5ª Edição fará emergir toda a transcendência fabulosa de mais um dia de música. O herói da tarde foi o compositor Alexandre Fonseca, reputado criador de inúmeras marchas e outras obras. As várias bandas, num propósito de homenagem, executaram uma marcha deste autor, que pelos aplausos manifestados, público e maestro se viram rendidos a tão justo reconhecimento. Esta empatia gerou momentos de forte emoção revelada na avassaladora carga emocional de muito do público presente. Voz agradável, inteligência lúcida das palavras, locução eloquente, pose argumentativa, e intervenção oportuna na apresentação das Bandas no Concerto, foram atributos de um protagonista de peso: o Dr. Salomão Abreu, actualmente Maestro da Banda de S. Martinho do Campo. Rendamo-nos à evidência do fenómeno que foi esta 4ª Edição do Festival de Bandas… Adérito Silveira - Maestro do Coro de Vila Real aderito.silveira@hotmail.com