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Banda de Carlão relançada para o futuro
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Será que vinte anos é o tempo necessário para fundar uma Banda de Música, conseguir um quadro efectivo de músicos superior a 55, adquirir todo o instrumental, conseguir sede própria com condições invejáveis para o exercício da música, contratar um corpo docente de excelente nível e criar uma Academia de Música? Bom, parece que vinte anos é suficiente. Talvez até mais que suficiente... no litoral. Mas não é fácil encontrar nos grandes centros, exemplos de feitos extraordinários em matéria de Bandas de Música, por comparação com o que se vê nalguns locais do interior transmontano, a mais de 160 Km do litoral. Porquê? Dirão alguns que “no interior pode proporciona-se a este tipo de coisas porque ali não existem muitas opções para os jovens”. Dirão outros, “nos centros urbanos tudo é possível porque tudo está à mão”. Bem, o mais importante é que as coisas se façam, que surjam ideias e projectos úteis à sociedade, seja onde for, que sirvam de facto o bem comum e de preferência que aconteçam em muitos lugares. Em Carlão, aldeia do concelho de Alijó, existe uma Banda com menos de vinte anos de existência. Esta jovem Banda conseguiu tudo o que acima se refere pela férrea força de vontade de vencer de um senhor que tem à data 65 anos: Guilhermino Silva. Hoje a Banda de Carlão (com 19 anos) é uma instituição respeitada de tal forma que no passado dia 22 mereceu, quer do Presidente da C.M.de Alijó quer do Dr. António Alves Martinho, Governador Civil do distrito, os mais elevados encómios. Guilhermino Silva, líder deste projecto durante este 19 anos, conseguiu para a Banda de Carlão tudo o que pode almejar uma instituição de cariz musical. Foi por isso, justamente, homenageado pelo presidente da Câmara com a atribuição das Chaves do Município, galardão atribuído apenas 4 vezes na história da autarquia. O actual maestro é João Paulo Fernandes, vencedor do 1º Concurso de Bandas de Aveiro e assistente do maestro António Saiote na ESMAE – Escola Superior de Musica do Porto. Veio suceder a José Eduardo o maestro que iniciou o projecto de renovação artística na Banda mas que, por imperativo de ordem profissional não lhe foi possível dar continuidade, pelo que foi o próprio a recomendar o seu sucessor. O corpo docente é constituído por professores de nível superior. A avaliar pelo entusiasmo patente nos músicos, nos docentes e nas gentes de Carlão, que encheram por completo o auditório onde ocorreu o evento, o futuro da Banda será risonho. O novo presidente, Victor Silva, filho de Guilhermino Silva, referiu que, apesar de lhes ser reconhecido o mérito pelo feitos conseguidos, querem mais. E tudo farão para que esta dinâmica não pare. No fim, Guilhermino Silva foi ainda homenageado pelos filhos que lhe ofereceram uma peça única, em porcelana: Um coreto com uma Banda de Musica. Uma surpresa que o pai agradeceu emocionado. O evento do dia 22 de Dezembro em Carlão foi histórico. Foi nesse dia que a Banda apresentou o novo maestro, a nova Academia - que irá chamar-se “Academia Guilhermino Silva” -, o Staff da nova Academia, um novo programa, apresentou novas ideias, foram-lhe reconhecidos todos os méritos e foi homenageada, na pessoa do seu fundador. Guilhermino é um homem feliz e a Banda de Carlão, que transpira entusiasmo e “garra”, vai muito provavelmente dar que falar. O Maestro João Paulo, conhecendo-lhe a “fibra”, vai fazer com que esta Banda se transcenda. Vai ser um caso sério no interior. “Um exemplo destes dever ser dado a conhecer a todo o país”, referiu em discurso directo o Presidente da Câmara, Dr. José Artur Fontes Cascarejo, no momento da homenagem. Por sua vez, o Governador Civil do distrito de Vila Real, Dr. António Alves Martinho, depois de tecer rasgados elogios ao homenageado, e conhecedor da obra musical que a Banda havia terminado de tocar, “Português Suave”, exclamou: - Como este, venham mais cinco! É mais um caso de sucesso em Trás-os-Montes reconhecido publicamente. Em breve, neste site, em entrevista, Guilhermino Silva contar-nos-á, passo a passo, como é possível criar um projecto de sucesso para uma instituição musical, em 19 anos, com tudo o que lhe faz falta.