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Paulo Vidal, um presidente com 83 anos de idade.
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Uma breve conversa com o presidente da Banda Leverense e ficamos a conhecer um homem decidido, que não vacila face à adversidade, uma figura com grande experiência e longa vida. Nasceu no romântico dia dos namorados, 14 de Fevereiro de 1927 em Lever, Vila Nova de Gaia. Em 1957 emigrou para a Venezuela e aí ser tornou carpinteiro de profissão. Havia aprendido sozinho a tocar trompete. Na altura, atendendo á dificuldade em adquirir instrumentos cá, “chegava a enviar muitos instrumentos da Venezuela para Portugal”. A música esteve sempre ao lado do Sr. Paulo Vidal. Aliás, toda a sua família está ligada á música, filhas, netas.. uma família de músicos de várias gerações. Em 1990, volta a Portugal e reencontra-se com os seus velhos amigos, por casualidade músicos. Foi então que pensaram em “reerguer” a Banda Musical Leverense. Juntaram-se, e, mãos à obra. Fundada a 8 de Dezembro de 1832, um período de agitação pela guerra civil, surgiu por influência das forças militares instaladas na "Fábrica de Arcos de Ferro de Verguinha. Inicialmente titulada de “Banda Marcial de Lever”, em 1987, a banda foi-se degradando aos poucos, todos os músicos foram-se dispersando , até mesmo o próprio maestro, restando apenas 17 elementos. “Tínhamos um longo e árduo trabalho pela frente mas não desistimos”, afirma o Sr. Paulo. A formação dos jovens músicos era uma preocupação. Acreditava e continua acreditar que os jovens são o futuro e "deve-se investir neles". De tal forma que o Sr. Paulo, mesmo sem carreira de músico, ensinava os mais jovens e mais tarde veio a fundar uma Academia. Uma obra que proveio de muito esforço da sua parte e de alguns apoios autárquicos. O Câmara de Vila Nova de Gaia tentava apoiar estas iniciativas, porém tornava-se complicado pedir-lhes apoio pela existência de 4 bandas e pela rivalidade que existia entre as freguesias. Felizmente, como nos revela o Sr. Paulo “hoje em dia as bandas têm uma boa relação, tanto vamos nós a Crestuma como eles a Lever, é igual.. agora não há rivalidades como antigamente. E ainda bem”. Sim, também subscrevemos. Na verdade filarmonia significa isso mesmo, convívio saudável em paz e harmonia entre as pessoas. Contudo, apesar da resistência da Câmara, o Sr. Vidal não desistiu e insistia até ao fim, e sempre conseguia! Continua a dar todo o seu apoio à banda e ainda o faz. Por exemplo, segue-a para todo o lado, como diz “até mesmo nas procissões mais longas”. Este jovem com 83 primaveras, conseguiu para a Leverense uma casa de ensaio, uma academia e não ficará por aqui! - Sr. Vidal, qual é o seu próximo passo? “Para já, conseguir uma nova farda para banda!”, confessa o presidente com grande entusiasmo. Desde a sua entrada como presidente da banda, de 17 elementos iniciais a banda é agora constituída por 75, todos jovens! E ainda um coro! Juventude é o melhor sinónimo para destacar a vivacidade da Banda de Lever tal como transmite o presidente. A faixa etária centra-se entre os 10 anos e quarenta e poucos. Apenas um jovem tem cerca de cinquenta anos. É um homem interessante o Sr Vidal. Referiu-nos, acerca das difculdades de outros tempos: “antigamente, era querer e não poder fazer nada. Hoje em dia é querer, acreditar, e tudo se consegue fazer com esforço e dedicação". É verdade. Paulo Vidal, um exemplo de dedicação, de luta por aquilo em que acredita. Precisamos destas pessoas para que a música filarmónica continue a existir e a evoluir. Entrevista realizada dia 18 Junho 2009 em Sta M.Feira Por Rute Cruz, (Dep de Comunicação C&C)