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08 de Agosto, 2026

Falecimento do Maestro Gunther Arglebe

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A Orquestra do Norte (ON) vem manifestar o seu mais profundo pesar pelo falecimento do maestro Gunther Arglebe, maestro adjunto da ON desde a sua fundação. O maestro português de ascendência alemã faleceu ontem pela manhã, aos 77 anos, vítima de várias complicações de saúde. Gunther Arglebe iniciou-se aos seis anos no estudo de violino. Aos 12 entrou no Conservatório de Música do Porto na classe de Flauta, passando mais tarde para o curso de Viola. Em 1947, quando se fundou a Orquestra Sinfónica do Porto, passou a integrar a instituição como terceiro flautista, ascendendo rapidamente a líder da secção das flautas. Imbuído pelo sonho de dirigir uma orquestra, ruma a Munique para iniciar o curso de Direcção de Orquestras, Ópera e Coros, uma vez que em Portugal ainda não existia a formação. Terminou a formação em Wurzburg, na classe de Hans Reinartz com um exame de estado no Conservatório Estadual da Baviera. Em 1962, regressa a Portugal e, até 1965, como director artístico da Orquestra de Câmara Pró-Música do Porto, realiza cerca de quarenta concertos. Cria, mais tarde, na Juventude Musical do Porto, um coro e um grupo de ópera, levando à cena obras como Bastian e Bastienne de Mozart (1962) e Il Filosofo de Campagna de Galuppi (1966). Em 1967 é então criado o Círculo Portuense de Ópera, com o qual leva à cena a Ópera Rita de Donizetti. Transforma assim meros amantes da música num grande coral sinfónico. No mesmo ano Arglebe é nomeado director do Orfeão Universitário do Porto e Maestro sub-director da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. Foi ainda nomeado Principal Maestro Convidado da Orquestra de Câmara de Wurzburg, com a qual dirigiu os primeiros concertos na Alemanha. Em 1969 aceita o convite para dirigir a Orquestra Sinfónica do Porto. Em 1992 é convidado para integrar o projecto Orquestra do Norte ao lado de José Ferreira Lobo. Aqui desempenhou papel fundamental e estruturante, pela sua intervenção enquanto chefe de orquestra e também pela sua dedicação à organização e aconselhamento no plano artístico. Dotado de um peculiar sentido de humor, cultivou uma relação peculiar com as orquestras que dirigiu, utilizando esse humor instrumentalmente. As suas qualidades intelectuais permitiram-lhe um pensamento abrangente sobre a partitura possibilitando-lhe assim uma abordagem profunda das obras cuja direcção tinha entre mãos. As afinidades com o reportório germânico eram evidentes. Este reportório permitiu-lhe trabalhar com rigor formal, muitas vezes austero mas eficaz, resultante da sobriedade, clareza e eficácia do gesto. Na linha dos grandes chefes alemães, o seu estilo interpretativo era sóbrio e de bom gosto. Evidente na fidelização ao texto, ao plano formal da obra, ao equilíbrio dos planos sonoros! A maior parte dos maestros portugueses são generalistas, mas poucos abordaram todos os géneros como Gunther Arglebe, e muito poucos a ópera! Alguns compositores portugueses contemporâneos tiveram o privilégio de contar com as suas interpretações.