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Maestro Francisco Ferreira
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Não sendo propriamente a pessoa mais isenta para comentar o trabalho desenvolvido pelo Maestro Douglas Bostock com a Banda Sinfónica Portuguesa entre 24 de 28 de Março último, não posso, no entanto, deixar de manifestar o meu regozijo pelo brilhante contributo que esta ilustre e conceituada personalidade do mundo da música nos trouxe a todos quantos tiveram o prazer de trabalhar com ele. Tratou-se de cinco dias de intenso e árduo trabalho divididos em duas partes: uma master class de direcção de orquestra onde estiveram presentes onze participantes e cerca de vinte ouvintes oriundos de vários pontos do país e também de Espanha. A master class teve como orquestra de apoio um ensemble constituído por músicos da BSP. Foi trabalhado um programa específico para este tipo de formação com obras de Richard Strauss, Charles Gounod e Antonin Dvorák, compositores que na segunda metade do século XIX escreveram obras que são a base do desenvolvimento da escrita musical para as orquestras de sopro. No dia 27 de Março, pelas 17 horas, decorreu na magnífica Igreja de São Francisco, no Porto, o concerto de encerramento integrado também nas comemorações do dia nacional dos Centros Históricos, cuja organização esteve a cargo da Câmara Municipal do Porto, através da Porto lazer. Para o efeito, o maestro seleccionou cinco participantes, Fernando Marinho, Hugo Folgar, Avelino Ramos, Hélder Tavares e João Pedro Fernandes para se apresentarem em público juntamente com o próprio maestro que dirigiu o último andamento da Serenata de Dvorak perante uma plateia composta por centenas de pessoas. Parabéns ao ensemble que esteve irrepreensível quer na execução quer na interpretação e também aos maestros que souberam conduzir (conductor) superiormente os músicos que tinham perante si. A segunda parte do trabalho centrou-se no concerto que a BSP realizou no domingo dia 28 na Sala Suggia da Casa da Música. Foi indubitavelmente um concerto de altíssimo nível com um programa de grau extremamente difícil e ao qual os músicos da BSP responderam com um profissionalismo ímpar perante uma sala praticamente lotada ainda que num Domingo de Ramos. Endereço daqui as minhas felicitações a todos quanto participaram naquele concerto. Tal resultado só possível graças a um empenho inexcedível por parte dos músicos que, de forma responsável, se concentraram do primeiro ao último minuto, mesmo depois de dias intensos de trabalho a dar aulas muitas vezes em escolas longínquas da cidade do Porto. Foram quatro ensaios nocturnos de cerca de duas horas e meia onde o maestro Douglas Bostock demonstrou total conhecimento do programa que trabalhou além de uma cultura musical que a todos encantou. A título de curiosidade, raras foram as vezes que o maestro teve necessidade de trabalhar especificamente um ou outro naipe. Sempre que o maestro parava, a sua comunicação era clara e precisa e a todos aproveitava. Todos os pormenores eram importantes desde simples articulações, respirações ou até análise de frases. A sonoridade devia corresponder a um bloco uniforme onde a mescla de diferentes timbres se deveria fundir com toda a naturalidade. As profundas exigências do maestro sempre foram compreendidas pelos músicos e certamente que ensinamentos de tão prestigiado nível, para quem dirige habitualmente algumas das mais conceituadas orquestras do mundo, ficarão na memória de todos quanto participaram neste evento. Para quem não conhece este maestro, convido todos a consultar a sua página pessoal dougalsbostock.net. Na qualidade de director artístico da BSP e em colaboração com um núcleo duro de músicos desta instituição, temos um objectivo comum que é elevar bem alto o nome desta orquestra e continuar a provar a quem de direito que, não obstante a orquestra de sopros não ser uma prioridade no tecido cultural, haverá certamente mais cedo ou mais tarde lugar para a criação de uma formação deste género a tempo inteiro! Por último alguém sabia que Sir Simon Denis Rattle é o presidente da Associação das Orquestras de Sopro de Inglaterra? Parabéns ao maestro Douglas Bostock, a todos os músicos da BSP e todos quanto apreciam o nosso trabalho. Só em uníssono e falando na mesma tonalidade poderemos chegar onde pretendemos para o bem de todos. Francisco Ferreira www.bandasinfonicaportuguesa.com