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Guimarães 2012
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A Federação Regional de Bandas Filarmónicas do Minho decidiu “retirar toda e qualquer participação no evento Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura” — revelou Adelino Domingues. A gestão do Projecto Música, liderado por Maria Miguel Mendes e pelo Maestro Rui Massena, decidira retirar do acordo de participação das Bandas do Minho, a constituição de uma megabanda de 1500 músicos e a composição de uma peça musical alusiva a Guimarães, por motivo de redução de custos. O presidente da Federação das Bandas Filarmónicas do Minho lembrou que as Bandas se tinham comprometido a dar trinta concertos em Guimarães durante o ano de 2012, sem lucros nem prejuízos, solicitando apenas que lhes fosse pago o transporte e uma refeição volante. O acordo de Participação das Bandas Filarmónicas do Minho no “Guimarães 2012” foi promovido numa reunião havida com a gestão do projecto música, no Palácio Vila Flor, estando presentes a maioria dos Maestros das 34 Bandas Filarmónicas do Minho, a 26 de Fevereiro de 2011. Pelos maestros presentes foi aí criada uma equipa técnica musical constituída pelos maestros Ilído Costa, Valdemar Sequeira, Luciano Machado e Fernando Marinho, para liderar a participação das bandas. As iniciativas resumiam-se à constituição de uma megabanda de 1500 músicos oriundos das Bandas Filarmónicas do Minho, trinta concertos dados durante todo o ano de 2012, composição de uma peça musical alusiva ao evento, um curso internacional de maestros e um curso de dirigentes associativos. Do entusiasmo à desilusão Com a gestão do projecto e com a produção, tinha sido acordado que a megabanda daria o concerto no dia 21 de Julho, na Pista de Atletismo de Guimarães, tendo a planta da utilização do espaço sido fornecida por Valdemar Sequeira e aceite pela produção. Esta iniciativa — lembra Adelino Domingues — “foi acolhida com entusiasmo pelas bandas do Minho e pelo público das bandas que dela ia tendo conhecimento. O orçamento para este acontecimento musical era de 33.000 euros”. O proveito que as bandas teriam com este concerto consistia apenas na promoção da música filarmónica amadora. A animação musical feita por trinta bandas, durante todo o ano, não deixava de ser um notável prejuízo, por lhes serem apenas pagos o transporte (400€) e uma refeição muito simples para reposição das energias gastas pelos executantes. A Federação de Bandas Filarmónicas do Minho achou por bem reunir a equipa técnica musical, antes de tomar uma decisão definitiva. Os maestros reunidos na cidade da Maia, a nove de Novembro, deram à Direcção da Federação o parecer de retirar a participação das bandas no evento “Guimarães 2012” visto os concertos, sem a megabanda, passarem a constituir uma perda notória. Com efeito, a gestão do evento de Guimarães “estaria a aproveitar-se da animação que as bandas trariam à cidade, com a garantia de público proporcionado pelas filarmónicas” — refere o comunicado final. Os maestros consideraram estarem as bandas do Minho a serem “desconsideradas e humilhadas, na medida em que elas representam séculos de cultura musical do nosso povo, possuem nos seus quadros muitos músicos com formação musical média e superior e fornecem muitos executantes de sopros para as orquestras nacionais”. Estes maestros acusam ainda a “Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura” de ser “um espectáculo de esbanjamento de dinheiros do Estado e da Comunidade Europeia, que o Povo terá de pagar”. A peça contratada para ser exibida pela megabanda contava já várias horas de trabalho e que os efeitos sonoros e visuais do grande concerto estavam também a ser tratados — conclui Adelino Domingues que exibe um dossier sobre as negociações com a Capital Europeia da Cultura — Guimarães 2012 — que fracassaram. Publicado no Correio do Minho