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Escola Luciano Cordeiro – Mirandela
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E quando as crianças e os jovens se apropriam da música como algo que as enleva e as torna dóceis, o mundo é capaz de girar e evoluir para o lado do bem. Realizou-se mais um concurso regional para flautas de bisel na Escola Luciano Cordeiro em Mirandela onde participaram 19 candidatos que representaram as escolas de Alijó, Sabrosa, Ribeira de Pena, Montalegre, Boticas, Valpaços, Alfandega da Fé, Mirandela e dois alunos do Colégio de Nossa Senhora do Amparo do 4º ano de escolaridade. Esta 4ª edição teve como peça obrigatória a “Pequena Serenata de Mozart”. Foi uma festa da música pontificada por um espírito de classe de execução e de confraternização dos vários alunos e escolas representadas. Fez-se luz, mais uma vez num projeto sempre muito dinâmico e abrangente onde a Escola Luciano Cordeiro continua na vanguarda promovendo estes concursos como janela aberta para a descoberta de alunos com capacidades musicais. Este agrupamento de escolas é pois um lugar privilegiado e um espaço aberto no cruzamento dos vários saberes. A música nos jovens é a linguagem mensageira do poder da comunicação e do fortalecimento para a conquista de uma personalidade que mais tarde se irá impor a uma sociedade complexa e exigente. Pena é que tantas escolas e tantas mentalidades torpes e mesquinhas passem à margem da força da expressão da música como exercício da valorização dos sentimentos e do bom convívio. Desta forma banaliza-se uma área suprema na cultura dos afetos e da comunicação que envolve e contagia. Mas a organização deste concurso teve a ambição da proeza em convidar dois agrupamentos de excelência que mostraram a veemência graciosa e avassaladora da depuração do som resultante de sonoridades bem timbradas e coloridas permitindo à assistência um entusiasmo de grande envolvência. O Quarteto de Cordas da Espoarte de Mirandela e o Quinteto de Sopros da Banda Marcial da G.N.R do Porto impressionaram na beleza dos trechos e na evocação de uma estética mesclada de cores e movimentos que em alguns pontos favoreceram a interiorização do aconchega da alma e noutros produziram um entusiasmo fulgurante que as palmas da assistência e o movimento dos corpos não conseguiram disfarçar. A desenvoltura da técnica aliada à profundidade da expressão foram notas que tocaram os presentes. Sublinhe-se ainda que o Quarteto Espoarte interpretou Beethoven e surpreendentemente os candidatos juntaram-se, interpretando em conjunto a peça obrigatória de Mozart. O resultado deste tão inesperado cozinhado foi simplesmente saboroso… Houve três prémios para os alunos laureados. O vencedor, João Francisco Paulo Morais, foi distinguido com um trompete e um livro sobre história da música. Ao 2º premiado, Sara Freitas Monteiro, foi-lhe atribuída uma flauta alto, bisel e um dicionário da “Porto Editora”de 2013. A Sara Freitas Pinto recebeu uma flauta alto, bisel e um livro sobre história da música. É de salientar que os prémios distribuídos tiveram como patrocinadores a Casa “Cardoso e Conceição” que ofereceu um belíssimo trompete pelas mãos de Mário Cardoso. Esta grande figura da família filarmónica não precisa de apresentação pelo que ao longo de tantos anos tem feito pela música e pelos músicos portugueses. As palavras proferidas no momento da entrega do instrumento foram uma espécie de celebração apologética à dimensão da música no contexto das bandas filarmónicas acrescentando que elas têm sido ao longo de décadas um dos pilares do próprio desenvolvimento das nossas orquestras e bandas militares. Seria tremendamente injusto não mencionar o nome do professor Francisco Sousa, homem simples e de contacto fácil, dotado da virtude da singeleza e da simplicidade que em todas as edições tem sido o responsável principal, o grande obreiro, a pessoa a quem a música e a região de Valpaços muito devem. Estar sentado comodamente num banco de jardim e passar reconfortante ali um bom bocado é como desfrutar do singular prazer de estar vivo. O professor Francisco não terá muito tempo para usufruir desse prazer porque a música o tem absorvido, não lhe tirando, contudo, a boa disposição nem a permanência de um sorriso… Felizmente que este professor está numa escola com visão e com futuro e, assim trabalhar a música não é tão difícil, antes, é um permanente e aliciante desafio. Como a corrente de um rio que corre firme para o mar também alguns professores e diretores de escolas acreditam na música como suporte e alavanca para as decisões do homem sublimadas no bom senso e no prazer indizível de ouvir a grande harmonia cósmica. E quando as crianças e os jovens se apropriam da música como algo que as enleva e as torna dóceis, o mundo é capaz de girar e evoluir para o lado do bem. Aquele iluminado palpitar de sons tocado por crianças são como estrelas que trazem até mim, num tropel, a esperança de continuar a viver e usufruir as tamanhas lições da vida. Ouvi isto em tempos…ainda hoje o recordo! aderito.silveira@hotmail.com