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31 de Julho, 2026

Camerata de Sopros Silva Dionísio em Valência

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O V Congresso Ibero-Americano de compositores, maestros e diretores de bandas sinfónicas e ensembles que irá realizar-se em Llíria, Espanha, conta com a presença da Camerata de Sopros Silva Dionísio da ESML (escola Superior de Música de Lisboa), um ensemble de sopros português. Trata-se da primeira vez que uma formação portuguesa está presente no evento. Para além da participação desta instituição, podemos verificar, recorrendo ao sítio da internet relativo ao acontecimento, que algumas obras de compositores portugueses de referência se encontram no leque de escolhas de alguns dos participantes. Temos como exemplo a escolha da obra de Luís de Carvalho, “Fantastic Variations” pela banda Ateneo Musical de Cullera. A participação portuguesa neste congresso revela a crescente aposta na música e o crescimento do país neste mundo. Contamos, ainda, com o contributo do diretor da Camerata de Sopros Silva Dionísio, Alberto Roque, que nos concedeu uma entrevista, onde fala - entre outros assuntos - do ensemble e da participação, da Camerata, no evento. BF: De que grupo se trata a "Camerata de Sopros Silva Dionísio"?  AR: Trata-se de um ensemble de sopros da Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) (a base é um duplo quinteto de sopros, para esta participação, em vez de duas trompas, teremos quatro.) BF: Quando se fundou e com que objectivos?  AR: A Camerata de Sopros Silva Dionísio começou a sua atividade durante o ano letivo de 2009/2010, foi criada no sentido de preencher um espaço vazio na área da música de Câmara para médias formações de sopros. É um ensemble retirado da orquestra de sopros, que permite aos estudantes o contacto com um reportório mais específico. BF: Porque escolheram o nome do Silva Dionísio para a Camerata?  AR: Como justa homenagem a um grande músico que muito fez para dignificar a música para Sopros no nosso país. Foi um visionário e nós queremos ter essa postura com esta Camerata, olhar para o futuro e construir algo de novo e inovador. BF: Quem a dirige atualmente e (se for o caso) quem mais a dirigiu?  A Camerata é maioritariamente dirigida pelos estudantes da Licenciatura em Direção de orquestra de Sopros da ESML, sendo que em alguns programas eu posso dirigir algumas obras. BF: Para além da divulgação da música portuguesa no V CONGRESSO  a vossa participação tem mais algum intuito? AR: Tem o intuito de "relembrar" que o universo da música para sopros é muito vasto e não devemos apenas olhar para as Bandas (filarmónicas, Sinfónicas, etc..) como o único meio artístico para a promoção dessa música. BF: Na sua ótica qual é a verdadeira dimensão da importância de um congresso desta natureza para as nossas Bandas de Música e ensembles de sopro?  AR: É um importante momento de troca de experiências, quer para músicos, maestros e compositores, os quais podem de facto ter uma noção da quantidade de obras e qualidade artística que existe neste universo geográfico que é a Península Ibérica e a América Latina. É também um importante espaço de motivação para se olhar de forma mais atenta a outro tipo de repertórios, obrigando-nos a sair de uma certa "zona de conforto" que muitas vezes nos instalamos. BF: Será possível alguma vez realizar-se em Portugal um congresso similar?  AR: Eu tenho esperança que sim. Só depende de nós! BF: Qual será o vosso tempo de permanência em Valência?  AR: A Camerata Silva Dionísio estará de 15 a 17, onde realizará dois concertos. Eu estarei já presente no dia 13, para assistir a todo o Congresso, onde farei uma conferência sobre o projeto "Sons Ibéricos" da Orquestra de Sopros da ESML, um projeto de encomendas de obras a compositores portugueses e divulgação de obras da Península Ibérica. Irei ainda dirigir duas das Bandas Sinfónicas que participam no congresso, com uma delas apresentarei as "Variações Fantásticas" de Luís Carvalho e com outra farei uma estreia de um compositor brasileiro, atualmente a residir no Equador. BF: Quantas pessoas acompanham a Camerata?  AR: Estarão presentes dois solistas, estudantes da ESML, o Pedro Matos (voz) que cantará em duas das obras a apresentar e o Philippe Trovão (saxofone) que tocará uma obra num dos concertos. Acompanham, ainda, a Camerata um dos compositores do programa desta, o Daniel Davis (estudante de composição da ESML) e o recém licenciado em direção de Orquestra de Sopros, Artur Cardoso. Estarão também presentes no Congresso o compositor/ prof. de Composição da ESML, Carlos Marecos e sua esposa Margarida Marecos, os quais irão apresentar duas canções tradicionais portuguesas com uma das bandas sinfónicas que participam no congresso. BF: Quem financia a vossa participação?  AR: A ESML suportou a viagem da Camerata, a Associação de Estudantes da ESML suportou parte do alojamento, tendo tido alguns apoios de empresas, e a alimentação é suportada por cada membro interveniente. Mariana Azevedo