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Banda Sinfónica La Artística Manisense em Coimbra
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A Banda Sinfónica “La Artística Manisense” de Valência, brindou o público presente no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coímbra, no passado sábado dia 9 de Outubro, pelas 21h30, com um concerto soberbo. Exactamente como notíciamos anteriormente . Mais de 80 músicos em palco – entre sopros e percussão - sob a direcção do jovem D. Pere Vicente Alamá, interpretaram com excelência as obras: Goya; La Lyenda del Beso; Soleriana; Jubal la (esta com a presença do compositor que acompanhou a banda); V sinfonia de Shostakovich, e, El baile de Luis Alonso. Como extra, e para surpresa do auditório, “A casa da Mariquinhas” num arranjo do nosso compositor, Afonso Alves. O jovem maestro, D. Pere Vicente Alamá, de apenas 31 anos de idade, mostrou como interpretar a música espanhola e, claramente, homenageou neste concerto a musica do seu país. Das sete obras que tocaram, apenas duas não eram de compositores espanhóis. Fantástico! Não deixou de ser gentil com a nossa música. Mostrou, com uma sinfonia cuja qualidade está acima de qualquer dúvida, até onde a Banda pode chegar em termos de repertório e de nível. As centenas de pessoas que estiveram presentes no auditório podem testemunhar a excelente qualidade desta Banda. Mas que este maestro realçou sem rodeios a musica da sua terra, também não há dúvida ! O maestro Pere Vicente Alamá, no meu entendimento, merecia uma medalha de reconhecimento pela sua prestação em prol da divulgação e promoção da sua identidade cultural. É uma boa lição para nós. Quando vamos a Espanha tentamos impressiona-los com a música deles, e de outros, e porventura de sete peças, tocaríamos uma portuguesa?.... Claro, eles são simpáticos e dirão, muito bem, muito bem, baterão palmas e sorriem... Mas depois perguntam: O que há para além do fado? É o Jacob Haan, o Ted Hugens, Rossini, Wagner...são excelentes, mas, que raio; tem vergonha dos vossos compositores? Conheço muita gente do meio em Espanha, já ouvi, já defendi e já comentei muitas vezes, algumas questões desta natureza. Os espanhóis defendem a sua cultura como ninguém. Os Franceses, os Italianos, os Alemães, etc, idem. Nós temos vergonha de apoiar o que é nosso. A nossa Banda “La Artística Manisense” não interpretou o fado da Mariquinhas da mesma forma que nós. Naturalmente. Não é a cultura deles. Mas quem somos nós para apontar defeitos às outras cinco obras que tocaram da “sua especialidade” ? Aprendamos! O que é nosso é nosso. Ninguém o fará melhor que nós. Deixemo-nos de ser imitações e sejamos nós próprios. Maestros, dirigentes, defendamos a nossa cultura como os outros defendem a deles. Nós somos tão bons como os outros. Ou queremos andar sempre a reboque?!... A Banda Sinfónica “La Artística Manisense” bem como o seu maestro estão de parabéns. Digamos que cumpriram, primorosamente, a sua missão. É uma excelente Banda, uma excelente embaixadora da cultura do seu país. M.Cardoso