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A Música Portuguesa em Taiwan
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Para os que não puderam estar presentes na última conferência da WASBE, gostaria de partilhar algumas linhas sobre esta fantástico evento e sobre a primeira participação de uma banda portuguesa na história destas conferências. Na qualidade de membro da Artistic Planning Commitee desta última conferência, cargo para o qual fui convidado pelo actual Immediate Past-President Dr. Leon Bly (Alemanha) e que ocupei entre 2009-2011, tive a oportunidade de participar no planeamento artístico das actividades que decorreram entre 3 e 9 de Julho passado na cidade de Chiayi em Taiwan e ainda coordenar com o Dr. John Carmichael (EUA) um painel diário intitulado – “ The Wind Band - The traditional link between classical and popular music”. Neste painel pude partilhar algumas obras dos nossos compositores Fernando Lopes-Graça, Carlos Garcia, Pedro Louzeiro e Jorge Salgueiro, tendo sido um momento importante para a nossa música e para as inovações que temos alcançado em Portugal no que diz respeito à prática musical das nossas Bandas. Temos felizmente uma nova geração de compositores que se tem dedicado à música para Banda e procurado novas linguagens e novas formas de inserir as Bandas na produção cultural do nosso país. Deixo-vos aqui dois exemplos que partilhei em Taiwan: A obra “Novus Mercatus” de Carlos Garcia (Torres Vedras,1983) foi composta para um projecto de “vídeo mapping” realizado por Rui Gato e que pode ser visto no seguinte link - http://vimeo.com/15199385, sem dúvida uma forma diferente de promover e inserir as nossas bandas filarmónicas em eventos culturais. No caso de Pedro louzeiro (Lagos, 1975), a sua associação à Orquestra de Sopros do Algarve permitiu a edição do CD – Água, a seiva da Terra, no qual se podem ouvir duas obras encomendadas com diferentes propósitos. A obra “Proclamação”, para trompete solo e Banda foi composta para assinalar o Centenário da República Portuguesa e a obra “Água, a seiva da Terra” composta para assinalar o dia mundial da água. Recomendo a audição destas obras pela sua inovadora linguagem musical e pela interessante ligação a eventos nacionais ou mundiais, os quais por vezes não potenciamos como possíveis promotores da actividade artística das nossas Bandas. Além destes painéis diários e de várias conferências (em anexo programa total), durante esses dias tivemos o prazer de ouvir algumas das melhores bandas da Asia, entre as quais a famosa Tokyo Kosei Wind Orchestra, The Philarmonics Winds Singapore, entre outras, e vindas de outras regiões a United States Coast Guard Band, Norwegian Wind Orchestra que se apresentou com o famoso tubista Osteiyn Baaadsvik e ainda a União Filarmónica do Troviscal. A nossa representante, sob a direcção do seu maestro André Granjo, apresentou um programa inteiramente português: - Marcha Portuguesa (1814) – João Domingos Bomtempo (1775 –1842) - Noturno (1977) – Joly Braga Santos (1924 – 1988) - “Wind” para trompete e Orquestra de Sopros (2011) – João Madureira (1071) - Omnisciências Parte II, para Banda e Electrónica (2011) – Jaime Reis (1983) - Sinfonia Breve nº1 (1959/vers. Banda 2011) – Álvaro Cassuto (1939) - Tétis (2010) – Luís Cardoso (1974) - Cantos Populares Portugueses, Op.105 (2003) – Jorge Salgueiro (1969) Todas as obras foram recebidas com grande entusiasmo por parte de uma plateia composta por aproximadamente 1000 espectadores, sendo de referir que a obra “wind” para trompete solo, interpretada por Luís Granjo, recebeu uma especial ovação, fruto de uma irrepreensível interpretação por parte do solista, o qual veio várias vezes ao palco para receber as muitas palmas que se ouviram após a sua apresentação. Este concerto deixou uma imagem muito positiva do trabalho que se tem desenvolvido em Portugal por algumas das nossas Bandas Filarmónicas e outras que vão agora surgindo como a Banda Sinfónica Portuguesa, as quais devem servir de exemplo a todas as nossas bandas, no sentido de incentivar a qualidade musical, procurar novos repertórios e envolver novos públicos. Esta participação abriu sem dúvida um caminho para que no futuro se possam ouvir mais Bandas portuguesas nas conferências da WASBE, a qual selecciona as bandas que participam nas suas conferências com base na qualidade do trabalho enviado em gravações e no preenchimento de uma candidatura na qual se indicam as principais orientações musicais da Banda e do seu maestro. Importante foi também a participação do nosso saxofonista Artur Mendes, o qual foi seleccionado para integrar a International Youth Wind Orchestra, tendo sido o primeiro português a participar nesta orquestra de sopros! Esperemos que esta não seja a última e que mais jovens possam participar na mesma. A WASBE é sem dúvida uma grande referência no mundo das Bandas e ser sócio desta instituição é uma fonte de informação preciosa. Nesse sentido gostaria de dizer a todos que infelizmente ainda somos muito poucos portugueses nessa condição (apenas 7 !!!!), o que para um país que tem cerca de 800 Bandas é manifestamente pouco. Aconselho uma visita ao site www.wasbe.org e informo que como sócio recebemos trimestralmente uma revista de muito boa qualidade e anualmente um pequeno livro com artigos importantes sobre repertório, análise de obras, entrevista com grandes maestros e compositores, etc…. Para terminar gostaria de deixar uma mensagem que nos foi dada pelo presidente da WASBE e que pretende incentivar as Bandas de todo o mundo a associarem-se na ajuda às bandas do Japão, as quais, segundo a Associação de Bandas do Japão, terão perdido instrumentos, partituras e instalações, com o terramoto e Tsunami sofridos há alguns meses atrás. Serão cerca de 1500 as bandas afectadas! Uma das formas de podermos contribuir será comprar a obra “The Sun Will Rise Again” de philip Sparke, o qual compôs a mesma para esse efeito e todos os direitos da mesma serão revertidos nessa causa. A editora é Anglo Music Press, England, UK. Outra possibilidade é organizar concertos de beneficência para estas Bandas e enviar as receitas para a Associação de Bandas do Japão. Vamos tentar fazer algo por estas pessoas que como nós acreditam que as Bandas são algo de muito especial nas suas vidas! Obrigado. Maestro Alberto Roque