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Ainda o concerto da BSP na Casa da Música
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Sobre o Concerto da Banda Sinfónica Portuguesa no passado dia 4 de Novembro na Casa da Musica, sob a direcção de Jan Cober, pedimos ao Maestro André Granjo, (o primeiro Mestrado em direcção de banda em Portugal) que tecesse um comentário sobre o mesmo. Ei-lo: Foi uma excelente oportunidade! Foi uma excelente oportunidade para ouvir boa música tocada por excelentes músicos e maestro. Não será todos os dias que um maestro, mesmo o Jan que está habituado a dirigir algumas das melhores bandas da Europa, dispõe de um conjunto tão bom de jovens instrumentistas para trabalhar. A sonoridade geral da banda, apesar do meu local de audição não ser o melhor, foi rica e controlada tornando todos os momentos de clímax verdadeiramente impressionantes e contrastantes como aliás devem ser (o que nem sempre é fácil com uma banda de dimensões semelhantes à BSP). A musicalidade do maestro pôde assim transparecer dando a oportunidade ao público de ouvir não só uma banda tecnicamente perto da perfeição em termos de afinação, acerto, timbres, etc., mas tudo aquilo que está para além disso e que é em última análise aquilo que o público deve ouvir (os que foram para o auditório ver se a banda toca afinado, se é certinha, se é homogénea, se tem “impacto sonoro”, perderam com certeza 90% do espectáculo). Quanto ao repertório escolhido impressionou-me sobretudo a obra de Derek Bourgeois pela sua criatividade. De uma dificuldade técnica muito elevada, nomeadamente pelas constantes mudanças de compasso e contrapontos, foi de facto um prazer poder desfrutar desta obra interpretada por Jan Cober epela BSP. Se algo de menos conseguido aconteceu durante o espectáculo foi a meu ver o Quadrupelconcert de Badings. Posto perante a hipótese de ter um quarteto de saxofones profissional como concertante, e sendo holandês, Jan escolheu obviamente o dificílimo concerto do seu conterrâneo. Uma vez que conheço a obra relativamente bem através de uma gravação que o Jan fez com a Banda do Conservatório de Brabant e com o quarteto de Saxofones de Brabant (grupo para o qual Badings escreveu esta obra em 1984) tive a sensação de que houve alguns momentos em que faltou alguma coerência à interpretação. Isto em nada diminui tanto a capacidade técnica dos solistas, da banda ou do maestro, mas de facto é uma linguagem e uma escrita demasiado complexa e invulgar que faz com que 3 ou 4 ensaios sejam pouco, mesmo para os mais competentes profissionais, para conseguir produzir uma interpretação homogénea durante os cerca de 20 minutos de duração da obra. Para os que não se identificaram muito com Badings, aconselho uma audição atenta a outras obras talvez um pouco mais acessíveis em termos de linguagem como a Sinfonietta Nº2 ou a Suite Golden Age disponíveis em CDs da editora Molenaar. Por fim os meus parabéns a todos aqueles que permitiram este feliz casamento artístico que proporcionou a todos os que quiseram ouvir um excelente concerto. André Granjo (Maestro)