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ARMADA e ARMAB
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Datas são o que são, valem o que valem… Num dia em que se assinalou mais um aniversário, sobre os trágicos acontecimentos de Entre – os- Rios, a Armada mergulhou em águas bem mais calmas, e desta vez felizmente o trabalho foi dos músicos e não dos mergulhadores. Já aqui se disse a propósito, noutra peça, que no passado dia 4 Março de 2007, (Domingo) pelas 12:00 na Casa da Musica, no Porto, a Banda da ARMADA, sob a direccao de Délio Gonçalves, fez, para quem quis desafiar a chuva torrencial que pouco antes das dessa hora se fez sentir, um grandioso concerto, com casa cheia. Porém, no que concerne a Bandas de Musica este foi um raro dia de oportunidades, para quem aprecia este tipo de agrupamento. Noutro local, no CCB - Centro Cultural da Branca, pelas 17:00, a conceituada e cada vez mais nas bocas do mundo, Banda da ARMAB, sob a direccao de Paulo Martins, - comemorava o seu 67º aniversário com outro, igualmente grandioso concerto. De entre as obras que constituiram o programa, algumas de referência como “Egmont” de Beethoven, “Capricho Espanhol” de R. Korsakov, entre outras, foram ali apresentadas com grande brilho. Traçando paralelismos, tantas vezes “proibidos”, encontramos mais do que o que uma primeira análise possa deixar perceber. Desde logo e nos concertos deste dia, ambas actuaram com grande profissionalismo, reflexo, naturalmente do profissionalismo dos seus lideres e músicos naturalmente. Embora pertencendo cada uma a universos administrativos diametralmente opostos - um da esfera pública outro da privada - existem entre elas e também entre os maestros, algumas coincidências ineressantes: 1.Ambas são de excelente qualidade – obviamente uma civil outra militar; 2.Ambas são dirigidas por maestros jovens; 3.Ambos maestros com formação específica na área da direcção de Banda; 4.Ambos se formaram na Holanda; 5.Ambos com ideias completamente inovadoras quanto à da selecção do repertório; 6.Ambos “revolucionaram” as bandas a que pertencem atingindo o patamar superior de qualidade. 7.Ambos dirigem as Bandas à menos de 4 anos 8.Ambos são fagotistas. A grande diferença: A ARMADA é uma Banda profissional, centenária, e a ARMAB é uma Filarmónica que nasceu a 4 de Março de 1940 em Albergaria-a-velha, na freguesia da Branca. No entanto a questão de ser profissional, não é tão linear nem tão determinante assim. A Banda da Branca como é conhecida, “ARMAB” (Associação Recreativa e Musical Amigos da Branca) afirmou-se no panorama filarmónico português marcando a diferença pela qualidade, em estilo, em repertório, em atitude, em projectos e em organização. Contrariamente á maioria das bandas a ARMAB não busca a popularidade, garante o presidente, corroborado pelo maestro Paulo Martins. Busca a qualidade, a excelência. A ARMAB permite-se dispensar alguns serviços em romarias, “vários” refere o presidente, que poderiam até originar um bom encaixe finaceiro. Com um quadro de músicos superior a 80, quando actua em concerto fá-lo com grande nível. Nada se faz ao acaso ou de improviso nesta instituição. Tudo é planeado, preparado com detalhe e avaliado á posteriori. Exemplo disso é o CD a ser lançado a 20 de Maio no grande auditório do Europarque em Sta Maria da Feira. Um trabalho que permite apreciar o que de bom, de excelente, se poderá fazer numa filarmónica. Todos os aspectos, do repertório à escolha da editora (que recaíu em Cardoso & Conceição, com trabalho técnico de “Numérica”), passando por outros, tornam este CD, que já escutamos, um marco para o futuro. Mas sobre estes e outros pormenores, daremos conta a seu tempo, em entrevistas ao presidente e maestro da ARMAB.