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08 de Agosto, 2026

As maravilhas de uma orquestra de saxofones

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A exuberância artística e a excelência instrumental estiveram - no sábado - de volta ao Conservatório de Música de Vila Real. Absorvente do princípio ao fim. Duas horas inteiras e intensas de boa música, davam ao público apenas espaço para respirar, sem cefaleias, porque os saxofonistas eram de eleição. Em momentos de maior vertigem interpretativa a Orquestra Portuguesa de Saxofones (OPS) deslumbrou todo o Auditório do Conservatório Regional de Música de Vila Real. Este concerto esteve inserido no “MusicAlvão”, festival de música que tem lugar todos os segundos sábados de cada mês e que vai ter o seu epílogo em Junho deste ano. Revelando um multifacetado conhecimento dos vários géneros da música, a OPS, patenteou uma execução técnica impressionante, que levou ao rubro os ouvintes que não regatearam aplausos, até mesmo antes do tempo. Neste particular, é bom que o público seja mais comedido e não se antecipe no batimento das palmas, pois esse desmesurado entusiasmo, pode mesmo perturbar a concentração do maestro e dos próprios músicos. Por precaução, o público deve seguir a sinalética do maestro, pois, este, no percurso da obra vai mostrando os insondáveis caminhos da criação e a sua conclusão coincide inexoravelmente com a impulsiva redenção da arte através do absoluto silêncio gestual do maestro… Voltando à orquestra, diremos que o que mais nos impressionou foi a juventude dos artistas que tocaram os vários tipos de saxofones de forma virtuosista, quer na estonteante dinâmica executiva, quer na forma carnal e espiritual como os sons saíam, dependendo isso do estilo das obras, a tal ponto que, aos poucos o palco parecia cada vez mais próximo dos ouvintes e, estes pareciam também absorver e tornar mais pequeno o espaço sonoro. À primeira vista, antes da “Salvation is Created” de P. Chesnokov, - obra em homenagem às vitimas das recentes intempéries que assolaram o mundo - ninguém diria que toda aquela juventude iria erguer-se acima de todas as expectativas na arte maior de que é feita a vida das emoções mais fortes. Mas…aquelas meninas que tocaram os saxofones sopranos produziram sons orgânicos prefaciando a luz claramente distinta a tal luz que dá a sensação de ouvirmos a tal matéria sonora de que é feita a própria vida. A interpretação que ouvimos, devolveu-nos algumas das melhores qualidades deste tipo de orquestra pela riqueza da individualidade de timbres, pois cada voz distinguia-se claramente sem prejuízo da fusão da sonoridade colectiva. Em “Concertino da Camera”, de J.Ibert, o solista Luís Lima, mostrou dotes técnicos e interpretativos de dimensão absolutamente excepcional. Uma nota final sobre o maestro António Filipe Almeida Fonseca de 23 anos. É justo testemunhar a sua direcção meticulosa e segura que envolveu e fez vibrar os músicos. Com o seu quê de tocante, a sua hipnose gestual levou cada movimento ao ínfimo pormenor do som. Depois de o ver, fiquei com a sensação de que estamos perante um maestro com um futuro fulgurante e promissor. Com certeza que Filipe Fonseca deve conhecer os clássicos da “literatura” do saxofone como por exemplo Ben Webster, Duke Ellington, Count Basie, Charlie Parker, entre outros…Tal como Platão, também este jovem maestro, sabe que a música penetra no interior da alma e que o seu poder triunfa sobre todos nós. Uma nota apenas, menos favorável, prende-se com alguma falta de público jovem ligado à música quando esses músicos estudam nas áreas da própria oferta de espectáculos. O corrupio de actividades musicais do Conservatório Regional de Vila Real tem sido fantástico abordando as várias vertentes da música com intérpretes nacionais e estrangeiros, ficando a certeza que os nossos músicos estão a ser bem preparados e deixam-nos de orgulho quando lá fora mostram que em Portugal há boas escolas de música e talentos que as sabem aproveitar. Adérito Silveira (Colaborador)