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09 de Agosto, 2026

Banda de Espinho na Casa da Música

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Já assisti a variadíssimos concertos por Bandas na Casa da Música - a quem aproveito de novo para felicitar por ter aberto o seu espaço a mais esta nobre instituição da Cidade de Espinho e uma das referências musicais em Portugal – e, sinceramente nunca me senti defraudado nas expectativas. Pelo contrário, as expectativas foram quase sempre ultrapassadas. Isto, claro, no que concerne às Bandas Filarmónicas. Conheço relativamente bem as Bandas, sei como funcionam, como se preparam para eventos para os quais tenham de se “transcender.” E, quando chega o momento de darem o máximo de si, de mostrar que são capazes de valiosas realizações, não é a mim que surpreendem. É a elas próprias! As nossas Bandas são efectivamente capazes de excelentes projectos, naturalmente umas encontram-se mais bem preparadas que outras, porém, uma grande parte, não tem ainda suficiente confiança em si para os enfrentar. Por exemplo, como foi o caso, actuar em grandes Salas de Concerto, quer por convite quer promovendo as próprias os eventos, que obriga de facto a uma atitude e trabalho prévio, diferentes, é, no meu entendimento, uma eficaz forma de progresso a vários níveis. Apenas o trabalho de arraial, como é sabido, não motiva nem responsabiliza da mesma forma. É do senso comum que só fazendo coisas diferentes se obtém resultados diferentes. E é sendo diferente que se atraia a atenção daqueles que podem vir a precisar dos nossos (seus) serviços. Muitas das nossas jóias da Música queixam-se que vai faltando o trabalho mas na verdade poucas se preocupam em fazer algo para contrariar essa tendência. É necessária criatividade. É fundamental que se seja o mais possível original. A Banda de Espinho, que nos últimos anos passou por períodos de grande adversidade, chegando-se até a pensar que encerraria as portas, tem vindo, cada vez que se apresenta em público, a mostrar que tem sempre algo de novo para dar. Foi considerada notável em vários concertos, assim como outras da nossa praça, e não interessa se foi igual à Sinfónica de Berlim ou à Banda da Guarda de Paris. Interessa é que o auditório se deliciou com a sua actuação. Interessa que interagiu, que comunicou bem com o público. No ano passado no Europarque, na sua primeira actuação no Festival Filarmonia ao Mais Alto Nível, a banda surpreendeu, (entre as várias razões que levaram o painel de comentadores a relevar a sua prestação artística) com a inclusão de bailarinos, numa das suas obras, e de outros adereços, que fixou a atenção do público do princípio ao fim da sua actuação. Foi considerada uma revelação quer pelo nível quer pela criatividade. Poderá comprovar-se esta alusão pela leitura da revista alusiva a esse evento, relativamente à opinião dos comentadores. No último programa do ciclo, no encerramento a 26 de Abril, novamente convidada precisamente por ter sido uma Banda diferente, voltou a apresentar um novo programa com elevada criatividade. Não se pretende distinguir esta banda como “a melhor” longe disso! Não é isso que está em causa. Apenas relevar o facto de fazer excelente trabalho artístico e, ainda, implementar novas formas de interagir com o público nas suas apresentações, sem exagero... Apoio convictamente esta atitude. Na Casa da Música, o facto de fazer a obra do Luís Cardoso, Canções da Tradição, com um coro a 4 vozes foi simplesmente espectacular. Veio torná-la diferente. Foi uma delícia ouvir um grande coro acompanhado pela Banda, cantar as canções tradicionais, que todos identificamos e cantamos desde pequenos, mas desta vez ouvimo-las de uma forma diferente. Não tem nada que saber, dirão uns, ou que tem de especial, dirão outros. É verdade! Mas até agora ninguém fez. Do restante repertório, todo ele maravilhoso, destaca-se “A gloriosa”, uma obra monumental. Foi a primeira audição no país, segundo o maestro Hélder Tavares, e foi algo realmente impressionante. Adorei. Parabéns. A, Abertura Sinfónica - James Barnes e Innuendo – Queen /Arr. Jorge Salgueiro haviam já passado pela Casa da Musica, mas também nestas não faltou entusiasmo e primor característico da Banda de Espinho. Foi pena no Paris Montmartre, não ter sido permitido à Banda levar os Bailarinos e os restantes adereços como aconteceu no Europarque. Seria um momento ainda mais encantador que valorizaria de forma substancial o programa. Pena que a Dir. da Casa da Música não entenda assim… A Banda de Espinho mais uma vez fez um excelente trabalho. Desde Vila Franca de Xira, que ficou a “milímeteros” de vencer o concurso, tem demonstrado que “já não é o que sempre foi” apesar das incríveis limitações institucionais. Aos corais e respectivos directores artísticos gostaria também de expressar os meus mais sinceros parabéns pela qualidade que apresentaram, pela entrega entusiasta ao projecto e pela disciplina e organização em palco. Gostei. Obrigado a todos por me terem proporcionado, a mim e à minha família, um domingo diferente. Mário Cardoso