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Banda de Famalicão na Casa da Música
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Não é muito meu hábito escrever crónicas sobre concertos, muito menos sobre apresentações de bandas amadoras de música mas, desta vez, decidi mesmo escrever sobre o que presenciei na Sala Suggia da Casa da Música no Porto. Em palco, a Banda de Famalicão com o jovem maestro Fernando Marinho e o também jovem tubista talentoso, Adélio Carneiro. Sala praticamente lotada. Estavam reunidas condições para uma boa hora de música e para mim, uma agradável surpresa! Com um programa nitidamente bem escolhido, o concerto começou com a “Fanfarra Olímpica e Tema” do compositor norte-americano John Williams com um excelente arranjo do maestro Marinho. Excelente naipe de trompetes e no geral, uma obra executada com precisão e muita energia. Excelente introdução! De seguida, a estreia mundial do “Concertino para Tuba e Banda Sinfónica” do nosso bem conhecido compositor, Carlos Marques. Sem ser uma obra com grandes inovações em termos de escrita musical, é uma obra bastante bem conseguida. Carlos não só explora a sonoridade nobre e suave da tuba bem como nos mostra o seu domínio no campo da orquestração para orquestra de sopros, enchendo a obra de vida, cores e nuances (de realçar o duo tuba – corne inglês. O solista Adélio Carneiro interpretou a obra magistralmente; excelente sonoridade, afinação e grande sentido musical, um verdadeiro regalo! Uma obra de audição muito agradável que, de certo, ficou na “cabeça” de muitos dos presentes na sala, eu inclusive!!! Obrigada Carlos! Johann de Meij é sobejamente conhecido no “mundo” da composição para Banda. Nesta interpretação do último andamento “Hobbits” da sua Sinfonia Nr. 1 “O Senhor dos Anéis”, a Banda de Famalicão demonstrou grande capacidade rítmica e dinâmica ainda que por vezes nas partes mais lentas, algumas lacunas na afinação. Quanto ao resto das obras interpretadas neste concerto, destaco sobretudo as peças do Duarte Pestana (“Paisagem Ribatejana, 5ª Fantasia Popular”) e do belga, Bert Appermont (“Saga Cândida, 7 Impressions of a Witch Hunt”). Duarte Pestana é, na minha opinião e das obras que ouvi dele, um verdadeiro mestre da arte de escrita para banda! Penso que a sua obra musical deveria de ser conhecida e tocada em toda a parte do planeta.... 5 Estrelas!!! Appermont, escreveu uma obra de belo efeito ao estilo de Marco Putz, arriscando-se um pouco pelos caminhos do jazz e da improvisação. De destacar os excelentes solos de saxofone alto, soprano e de trompete bem como o excelente naipe de trompas. Uma nota alta para a Banda de Famalicão e para o seu maestro Fernando Marinho que se encarregaram de nos proporcionar um excelente e variado concerto, mantendo um nível artístico elevado durante toda a “performance”. BRAVO a todos os participantes, maestro, solista e respectivos músicos da banda de Famalicão, os meus mais sinceros PARABÉNS!! Bravo também para a direcção artística da Casa da Música por darem oportunidade à divulgação e apresentação desta nossa grande tradição – as Bandas Filarmónicas Amadoras. Sérgio Carolino tuba solo da Orquestra Nacional do Porto professor de tuba e música de câmara na Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo (ESMAE – Porto) Artista Internacional Yamaha