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05 de Agosto, 2026

Banda Marcial de Fermentelos

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A Banda Marcial de Fermentelos apresentou-se, no passado fim-de semana, em dois concertos em recinto fechado, assim culminando a sua época de inverno: no sábado, pelas 21.30h, no pavilhão da escola básica c+s de Arrancada do Vouga, numa actuação integrada no ciclo “Concertos de Inverno”, inserido numa parceria entre a Câmara Municipal de Águeda aí representada pela vereadora Elsa Corga, e a União de Bandas de Águeda–UBA que se fez representar pelo presidente António Silva; na tarde de domingo, e em ano de comemoração do centenário do nascimento dessa proeminente figura local e verdadeiro ‘mestre dos sete ofícios’ que foi Manuel Cid Teles, juntou-se à festa de celebração do queijo da Serra da Estrela que decorreu em Oliveira do Hospital, E se em Arrancada do Vouga a Banda Marcial de Fermentelos actuou no seu concelho e perante um público conhecido, já em Oliveira do Hospital a apresentação da Marcial estava integrada no ciclo “Bandas em Concerto” organizado pela Delegação Regional da Cultura do Centro onde a aguardava um público expectante que praticamente esgotou a lotação da Casa da Cultura César Oliveira. Sob a direcção do maestro Hugo Oliveira, os programas escolhidos para ambos os concertos primaram pela diferença, uma forma muito própria da Marcial para evidenciar a versatilidade dos seus desempenhos, estabelecendo uma ponte entre o repertório tradicionalmente associado ao movimento filarmónico e um repertório inovador e contemporâneo. Em Valongo do Vouga, a Rambóia deu início ao concerto interpretando o paso doble AMIGAS DE LA ARMÓNICA, do compositor Martinez Gallego, a que se seguiu a abertura de ópera GUILHERME TELL, da autoria do italiano Gioachino Rossini, conhecido pela celeridade que impunha ao ritmo de composição das suas obras. A terceira peça interpretada foi o poema lírico sinfónico UNA NOCHE EN GRANADA, composto pelo espanhol Emílio Cebrián Ruiz, em três andamentos: Meditacion en la Alhambra, Mujer Granaina e Fiesta Gitana en el Sacro Monte. A Marcial encerrou o concerto com duas obras do compositor fermentelense Luís Cardoso, começando com DISCO SELECTION, uma selecção de temas pop escolhidos de entre os mais conhecidos na memória das pessoas, cuja interpretação, em Dia do Pai, foi dedicada pela Banda Marcial de Fermentelos a todos os Pais do mundo, e de uma forma muito especial aos que se encontravam presentes no concerto. De seguida interpretou a obra CANÇÕES DE OUTRORA, uma rapsódia que apresenta arranjos de vários temas de canções já com algumas décadas, mas que ficaram na memória das pessoas, fazendo parte integrante do cancioneiro popular português, assim como da própria identidade cultural do país. Já em Oliveira do Hospital, a actuação teve lugar na Casa da Cultura César de Oliveira, iniciando-se com a interpretação do paso doble EL TORICO DE LA CUERDA, uma obra do jovem compositor espanhol Luís Serrano Alarcón, que tem peças da sua autoria interpretadas em mais de 20 países. Fazendo justiça à versatilidade do seu repertório, que oferece uma vasta gama de interpretações, desde as mais tradicionais (incluindo marchas, rapsódias e transcrições de orquestra), até obras contemporâneas, algumas das quais exclusivamente compostas para a instituição, a Marcial prosseguiu o seu concerto interpretando uma obra de Richard Wagner, um compositor alemão que se notabilizou pelas suas óperas (ou "dramas musicais", como mais tarde foram chamados), notáveis pela complexidade da sua textura e pela riqueza da sua harmonia e orquestração: trata-se da abertura de ópera RIENZI, que teve um período de composição superior a dois anos e conta a história de um homem eleito pelo voto popular para fazer com que Rome a great city once again.Roma voltasse a ser uma grande cidade. De seguida interpretou o poema sinfónico, INFERNO, uma obra em relação à qual não há certeza quer quanto à sua origem quer quanto ao respectivo compositor. Muito embora as partituras mais antigas tenham a indicação C. San Fiorenzo, até hoje não é pacífica a interpretação desta indicação, uma vez que tanto pode referir-se ao compositor italiano Cesare San Fiorenzo (1834-1909), de Génova, que foi professor de piano, já que a linguagem usada é ao estilo da época em que viveu e esteve activo, como tratar-se de uma referência à Capela de São Fiorenzo (Chiesa di S. Fiorenzo – C. di San Fiorenzo), que existe em Bastia Mondovi, perto de Génova, onde estão uns conhecidos frescos do séc. XV, de autor desconhecido, e que reproduzem uma visão aterradora do inferno. Foi pois com este INFERNO, em relação a cujo autor não há nenhuma certeza, que a Marcial deu sequência ao seu concerto. Continuou o concerto com a interpretação da obra PAISAGEM RIBATEJANA - 5ª fantasia popular, um original para banda concebido pelo talentoso compositor Duarte Ferreira Pestana, um músico militar de elevada craveira que muito doou ao património musical filarmónico deste país. Para finalizar, a Rambóia despediu-se de Oliveira do Hospital com a interpretação de POP-HIT, um arranjo de Luís Cardoso, um ‘homem da casa’ e um dos mais profícuos compositores de originais e arranjos para banda do actual panorama nacional. Ambos os espectáculos terminaram com evidentes manifestações de agrado por parte dos públicos presentes, que aplaudiram de forma entusiástica a inovação que a Marcial continua a patentear nas suas apresentações, registando de forma efusiva a qualidade das interpretações. Um êxito que se espera repetido no próximo concerto, a ter lugar no Centro Cultural de Campo Maior, no dia 2 de Abril, e que constitui um bom augúrio para a época filarmónica que se avizinha.