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Banda Marcial de Fermentelos
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Parece que qualquer concerto na Sala Suggia, na Casa da Música, no Porto, tem sucesso garantido. Assim não é, mas assim foi. Casa cheia, onde cerca de 1200 pessoas estiveram presentes, entre elas muitas caras conhecidas das nossas filarmónicas. Até o sol fez questão de contribuír para este grande espectáculo. E o sol não acompanha o público somente até à Rotunda da Boavista, este entra mesmo na sala, tornando agradável e predispondo quem lá está para um agradável e bonito espectáculo como este foi. Com um repertório quase exclusivamente português, a Banda Marcial de Fermentelos, apresentou-se ao seu melhor nível, não defraudando quem ali se deslocou, mesmo a uma hora pouco habitual, pelo menos ao hábito dos portugueses (12 horas). Mais uma vez foi demonstrada a versatilidade de uma banda filarmónica, actuando com a soprano Joaquina Ly e o coro, composto por mais de 100 vozes, que vieram do Grupo Coral da Casa do Pessoal do Porto de Aveiro, Orfeão de Águeda, Orfeão Paraíso Social de Aguada de baixo, Orfeão de Vagos e Orfeão de vale de Cambra. Seria injusto aqui evidenciar qualquer uma das obras executadas, a meu ver muito bem escolhidas, no entanto gostava de realçar a actuação da banda e do coro, com obras de Fernando Lopes-Graça (com excelentes arranjos de Luís Cardoso), precisamente na altura em que comemora os 100 anos do seu nascimento. O programa apresentado foi o seguinte: Jorge Salgueiro Abertura para uma Rainha, op.30 Luís Cardoso Annus Primus In Principio Ferrer Ferran Mar-i-bel Carlos Marques “Balaú” Tubareg Fernando Lopes Graça Acordai Mãe pobre Convite Firmeza Jornada Canto de Paz Como “encore” a banda e coro executaram parte de Carmina Burana de Carl Orff. Até há poucos anos a esta parte, as nossas filarmónicas não passavam dos bonitos mas modestos coretos das nossas praças e jardins. Finalmente começam a pisar os grandes palcos no nosso país. E têm-no feito de forma brilhante, com grandes concertos e salas cheias. Que os responsáveis das grandes salas de espectáculos portuguesas vejam este exemplo da Casa da Música como uma boa aposta na música filarmónica portuguesa. É caso para dizer, abram alas para as filarmónicas… Vitor Dias