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Banda Marcial de Fermentelos celebra aniversário com bandeira a meia haste
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A Banda Marcial de Fermentelos comemorou no passado sábado as solenidades alusivas à passagem do 147º Aniversário da instituição.
Por causa da chuva que teimosamente persistiu em cair, não foi integralmente cumprido parte do programa estabelecido, designadamente a entrada que tradicionalmente antecede a missa, o desfile e a romagem ao cemitério, que ficou reduzida à simbólica colocação de uma coroa de flores na pedra tumular, logo depois da prestação de honras fúnebres a Abel Ferreira, que enquanto executante se manteve sete décadas ao serviço da Marcial.
Assim, do programa previsto, cumpriu-se o hastear as bandeiras na sede social, a celebração da missa na Igreja Matriz de Fermentelos, o concerto de aniversário, onde foi cumprido um minuto de silêncio em homenagem a todos os associados, dirigentes, maestros e executantes falecidos e o jantar de confraternização.
Mais tarde, durante o jantar de confraternização, perante casa cheia, o Presidente da Direcção, Jorge Mendonça proferiu a intervenção que se transcreve de seguida.
Senhores Convidados,
Caras Amigas, e Caros Amigos:
Começo por cumprimentar o Senhor Presidente da Assembleia Geral da Banda Marcial de Fermentelos, que preside a este Jantar de Aniversário, e na sua pessoa cumprimento todos os presentes.
Senhores Convidados,
Caras Amigas, e Caros Amigos:
Encontrando-nos aqui e agora para solenizar a comemoração da passagem do 147º Aniversário da Banda Marcial de Fermentelos, queremos desde já manifestar o orgulho da Direcção a que tenho a honra de presidir, pela presença de tantos e tão grandes Amigos da nossa associação.
Presença que, passe a imodéstia, é o reconhecimento público pelo trabalho que a Banda Velha desenvolve em prol da cultura e em favor da sociedade, através do funcionamento, dez meses em cada ano, de uma Escola de Música sempre viva na sua essência, e do desempenho, de alta qualidade, de uma banda que não só enobrece uma vila, como é o orgulho de um concelho e de uma região.
Caros Amigos:
Nos seus Poemas Inconjuntos, escreveu Alberto Caeiro, que a espantosa realidade das coisas, é uma descoberta de todos os dias.
E por isso, embora sabendo que ao ocuparmos os cargos para que fomos eleitos, teríamos incómodos em vez de estatuto social, despeito em vez de reconhecimento, e tormentas em vez de gratidão, todos nós avançámos para o nosso exercício com humildade, e com a inabalável convicção de que as tarefas, apesar de terem finalidades, nunca têm fim.
Fizemo-lo, de peito aberto, imbuídos daquele espírito de missão próprio da classe dos dirigentes associativos, para quem, servir o objectivo das suas instituições, é a única recompensa que reconhecem e aceitam.
E como todos sabemos, a nossa caminhada não tem sido fácil!
Mas também sabemos que esta é apenas uma pequena etapa de uma longa jornada de quase século e meio, muitas vezes exuberante e devastadora, é certo, mas outras meramente trivial, e na qual tem sido essencial, antes de mais, privilegiar o colectivo em detrimento do individual.
É por isso que não podemos sentir-nos menorizados por admitirmos, com modéstia, que alguns erros terão sido, porventura, cometidos nesta gestão que já vai no terceiro mandato.
Apesar disso, porque procuramos sempre ter uma atitude de aprendizagem e de melhoria contínuas, e porque sabemos que ser dirigente, maestro, executante ou simplesmente associado ou adepto da Rambóia, é ser inconformado por natureza, é ter alma quente, é querer sempre mais e melhor, este é um testemunho de fé e de amor de todos quantos estão ligados a uma colectividade que desde 1868 se mantem ininterruptamente ao serviço de uma causa.
É por isso que este, sendo o testemunho de uma causa, não o é de uma qualquer causa, mas sim daquela que é a causa da Banda Marcial!
Mas é também o testemunho do espírito de aventura, e do sentimento de liberdade, abnegação, esforço e dedicação, e quantas vezes inédito e muito à frente no tempo, na adopção de novas ideias.
É que se há uns quem se queixam do vento, e outros que esperam que o vento mude, aqui na Marcial optamos por ajustar as velas.
Um exemplo dessa perspectiva de futuro e dessa capacidade de antecipação, é a exposição Águeda, sentir e ouvir que retracta a importância das filarmónicas de Águeda, e que em boa hora foi acolhida pela autarquia dois anos depois de aqui termos deixado o desafio da criação de um Museu da Filarmonia.
Mas também já assim havia sido com a presença da Marcial na Casa da Música, quando pela primeira vez aí actuou uma filarmónica civil.
E também com a realização do concerto Alma – Cantata Profana, quando se juntaram no mesmo palco uma banda, uma mezzo-soprano e os oito grupos corais do concelho de Águeda; ou até mesmo com o reconhecimento pelo governo da República, do interesse da programação das nossas actividades, como sendo de interesse para efeitos de mecenato cultural.
E apesar da susceptibilidade da questão, foi também de forma pioneira que este ano avançámos para a implementação de um regulamento das honras fúnebres e da homenagem.
Por isso, para nós também não será surpresa se daqui a uns anos vier a ser institucionalizado o Estatuto do Dirigente e do Músico Filarmónico e aprovado o Regime Jurídico da Actividade Filarmónica, reptos que já por nós aqui foram lançados e deixados à consideração de quem pode e de quem manda, mas que pelos vistos não quer.
Minhas Senhoras e Meus Senhores, Caros Amigos:
É por tudo isto, que a história da Marcial tem uma indiscutível importância no panorama filarmónico nacional, no qual é reconhecida como um testemunho vivo de uma instituição que há 147 anos desenvolve uma actividade na defesa do direito à formação e ao enriquecimento cultural da comunidade em que está inserida.
Uma actividade que, importa realçar, no seu todo não tem retorno económico, e que só tem sido possível levar a cabo graças ao trabalho desenvolvido por todos os associados, dirigentes, maestros, executantes, responsáveis pela formação, pais e encarregados de educação, e fiéis acompanhantes por esse país fora.
Mas também pela dedicação de todos aqueles, e são muitos, que anónima e desinteressadamente, dizem presente em todos os momentos, cientes que muito mais importante do que o que já está feito, é seguramente o que ainda está por fazer.
A todos, quero, em nome da Direcção, transmitir publicamente o nosso Muito Obrigado pela vossa afectividade, pelo vosso sacrifício, pela vossa dedicação, pela vossa emoção, e pela vossa compreensão, e dizer-vos que todos não somos demais para elevar ainda mais alto e levar ainda mais longe, o nome da Banda Velha.
Um agradecimento que, obviamente, é extensivo a todos os patrocinadores e a todos os mecenas da Marcial, pela colaboração e apoio que têm prestado à instituição.
E a todos os colegas dirigentes associativos, maestros e compositores, a quem agradecemos por terem aceitado o nosso convite para estarem presentes nesta nossa comemoração: é sempre com gosto que vos recebemos em nossa casa.
Agradecemos também a todos os membros das diversas Comissões de Festas, e a todos os Amigos da nossa colectividade aqui presentes.
Mas também aos ausentes, permitindo-me destacar o Senhor Abel Ferreira uma figura incontornável da história da Banda Velha, a quem dirigimos um até breve, Ti Abel!
E também à Câmara Municipal de Águeda, à Junta de Freguesia de Fermentelos, e à UBA – União de Bandas de Águeda, estamos gratos pelo contínuo apoio que nos têm dado.
E porque nenhum dever é mais importante do que a gratidão, entendeu a direcção da Banda Marcial de Fermentelos congratular o Município de Águeda, a Freguesia de Fermentelos, e a União de Bandas de Águeda, com uma lembrança singela, neste que é o último jantar de aniversário do ciclo de 3 mandatos que a curto prazo terá o seu final.
Termino agradecendo aos representantes da imprensa e a todos os presentes, por honrarem a Banda Velha com a vossa comparência neste momento de confraternização e solidariedade, deixando a todos um sincero obrigado por permitirem que partilhemos convosco o testemunho da nossa causa, uma causa que tem as partas sempre abertas a todos quantos se sintam capazes de fazer mais e melhor do que aquilo que tem sido conseguido.
Muito Obrigado.
O Presidente da Direcção:
Jorge Mendonça