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26 de Julho, 2026

Banda Nova de Fermentelos abrilhanta a festa em honra de Santo António

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No próximo fim de semana, de sexta a domingo, decorrem na vila de Fermentelos as festividades em honra de Santo António. De acordo com a tradição, a organização é da responsabilidade daqueles que, sendo naturais ou residentes em Fermentelos, neste ano, completam 30 anos de idade. A participação da Banda Nova tem início com a entrada às 9 horas, animando a missa solene que tem lugar no Parque das Tílias pelas 10 horas, a que se junta o grupo coral Espranjar, mais uma das valências artísticas da coletividade, terminando o programa da manhã com o desfile na majestosa procissão. À tarde, a partir das 16 horas, terá a seu cargo o tradicional concerto, que decorrerá até às 19h30.

Sobre Fermentelos
A povoação de Fermentelos foi elevada à categoria de vila a partir de 1928. Esta povoação usufrui de uma bela situação na margem esquerda da Pateira, lagoa interior que concentra, essencialmente, as águas correntes do Rio Cértima e ainda as da Ribeira de Pano. Os seus habitantes sempre souberam tirar proveito dessa situação não só dispondo convenientemente, em plano mais elevado, as casas de habitação e outras, os respetivos arruamentos da vila com os monumentos que possui. Por outro lado, esta povoação ribeirinha e trabalhadora soube usar do aproveitamento das águas para irrigação dos seus vastos campos aráveis e férteis, e com a utilização do chamado moliço da Pateira, rico adubo orgânico, que durante séculos ajudou a fertilizar as terras, antes da invasão da adubação química.

A povoação não é rica em antigo património arquitetónico, mas é sob o ponto de vista turístico que ressalta da sua magnífica situação à beira da Pateira. Pode chamar-se a atenção para a Igreja Paroquial, da invocação de Santo André, com a sua torre ao centro da fachada, que é uma reconstrução dos princípios do século XX (1908) e o seu recheio, constituído por retábulos vindos de outras igrejas (segundo Nogueira Gonçalves). Ao centro do altar-mor, está fixada a notável pintura de Santa Teresa, em tela. a igreja possui uma bela custódia de prata do século XIX e ostente uma linda escultura de madeira do seu padroeiro.

Também a velha capela de Nossa Senhora da Saúde, a cuja romaria sempre acorreram muitas pessoas das redondezas, foi entretanto substituída por um templo moderno em 1957, onde não só se continua a venerar a imagem dessa invocação mas também a de Santo António.

Num dos seus largos, eleva-se também um cruzeiro de templete.
Como exemplares da arquitetura mais recente, temos o Miradouro da Pateira do qual se pode admirar a paisagem ribeirinha; o conhecido Monumento ao Emigrante encimado por um grupo escultórico, mesmo à beira da água, relativamente próximo da convidativa pousada-restaurante debruçada sobre a Pateira, de onde se pode apreciar um aprazível panorama sobre as águas brilhantes entre as duas margens da lagoa.

Além de tudo isso, possui duas bandas de música (a velha muito antiga), a Banda Nova e ainda a sua Associação de Futebol, e tantas outras Organizações e Associações que tanto enriquecem a nossa terra.

Quem foi Santo António?
Batizado com o nome Fernando de Bulhões, nasceu em Lisboa, entre 1191 e 1195, na Rua das Pedras Negras, junto à Sé de Lisboa. Na casa onde nasceu e viveu a sua infância está hoje a Igreja de Santo António, e na Cripta é possível ver um pedaço de um dos ossos do Santo, autenticado por Bula.

Educado no seio de uma família nobre para ser cavaleiro, na adolescência pede autorização para ingressar na Ordem dos Cônegos Regrantes de Santo Agostinho, na Igreja de São Vicente de Fora, partindo mais tarde para Coimbra, onde estudou teologia. A busca pela introspeção e a simplicidade conduzem-no até à recém-criada Ordem Franciscana e a deixar de lado, não só o hábito de agostinho, mas também o seu nome. Fernando adota o nome de António, em homenagem ao eremita Santo Antão, e dedica-se a pregar as escrituras, que tão bem conhece, sobretudo após a sua mudança para Itália.

O Sermão de Santo António aos Peixes, do Padre António Vieira, inspira-se precisamente na sua qualidade de pregador. Em Rimini, Itália, Santo António tentou pregar a palavra católica aos “hereges”, mas de nada serviu. O franciscano decide então pregar aos peixes, já que mais ninguém se dignava a ouvi-lo.

Contemporâneo e amigo de São Francisco de Assis, Santo António é um dos santos mais populares da Igreja Católica, e a sua imagem encontra-se nas várias igrejas portuguesas, italianas, brasileiras e também no sul de França.
Santo António morreu a 13 de junho de 1231, em Arcella, perto de Pádua, na Itália, e é por essa razão que 13 de junho passou a ser Dia de Santo António.
Ao amanhecer do dia 13, Santo António desmaia e, sentindo que a morte se aproximava, pede para ser levado para a pequena igreja de Santa Maria Mater Domini, em Pádua, onde tinha vivido. Muito fraco, por se sujeitar a uma dieta rígida e a vários jejuns, mas também por sofrer de hidropisia (acumulação anormal de líquido nos tecidos ou em certas cavidades do corpo), não aguenta a difícil viagem no carro de bois e tem de parar em Arcella, às portas de Pádua. Santo António morreu numa sexta-feira, no convento de Santa Maria de Arcella, e logo começaram as disputas pelo corpo do santo. A população de Arcella queria sepultá-lo na sua igreja e a população de Pádua exigia que a última vontade de Santo António fosse cumprida. Após a disputa, Pádua acolheu o corpo do santo e sepultou-o na igreja de Santa Maria Mater Domini. No ano seguinte, a cidade decidiu edificar uma Basílica em sua honra, e a pequena igreja onde está o corpo do santo foi integrada na construção. Oito séculos passados, a Basílica de Santo António continua de pé e ainda hoje é atração turística em Pádua.

Durante a cerimónia de inauguração da Basílica de Santo António, o túmulo de Santo António foi aberto e constatou-se que a sua língua se encontrava em ótimo estado de conservação, mesmo passados 40 anos sobre a sua morte. Símbolo da sua qualidade de pregador, a língua do santo foi retirada e colocada num relicário, onde continua exposta aos fiéis até aos dias de hoje.
A canonização foi feita em tempo recorde, e Santo António foi mesmo o canonizado mais rápido na história da Igreja Católica.

Com a instalação do corpo de Santo António na Igreja de Santa Maria Mater Domini, Pádua torna-se centro de peregrinação. A ela acorrem aflitos em geral, dos doentes aos endividados, todos em busca da ajuda do santo. São tantos os crentes a relatar a ocorrência de milagres que, menos de um mês passado sobre a sua morte, o bispo de Pádua decide pedir ao Papa Gregório IX o início do processo de canonização. Cumpridos todos os requisitos canónicos, o papa Gregório IX canonizou Santo António a 30 de maio de 1232, antes sequer de se cumprir o primeiro aniversário da sua morte.

700 anos depois, em 1946, o Papa Pio XII proclama Santo António Doutor da Igreja, com o título de Doutor Evangélico.

Sendo um dos santos mais populares da Igreja Católica, é normal que existam disputas, mas apesar dos dois nomes diferentes estamos a falar do mesmo santo. Santo António nasceu e viveu em Lisboa, viveu e morreu em Pádua. Em Itália, todos o querem seu, em Portugal não há dúvidas quanto ao nome Santo António de Lisboa. Para acabar com as discussões, o melhor é citar o que disse o Papa Leão XIII (1878 – 1903): “É o santo de todo o mundo”.

Fontes:
http://ameal.tripod.com/fermentelos.htm
http://observador.pt/explicadores/tudo-o-que-precisa-de-saber-sobre-o-santo-antonio/

 

Fernando Cozinheiro