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10 de Junho, 2026

Banda Nova na festa de Nossa Senhora das Febres

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Na próxima terça-feira, dia 8, mais uma vez, volvidos dois anos, a Banda Nova deslocar-se-á a Perrães, uma povoação vizinha, da freguesia de Oiã, para participar nas festividades em honra de Nossa Senhora das Febres, onde, entre as 09h00 e a 01h00, atuará em alternância com a Banda Filarmónica de Mamarrosa.

Perrães é um dos lugares da freguesia de Oiã, confinante a noroeste com Fermentelos, situado nas imediações da Pateira e dos rios Levira e Cértima.
O epíteto Nossa Senhora das Febres, com que é invocada a padroeira desse lugar, provém do facto de, noutros tempos, os homens e as mulheres que trabalhavam nas margens lodacentas da Pateira, inundadas por águas pestilentas, ou que habitavam nas suas redondezas, sazonalmente, estavam sujeitos às repercussões de sezões ou “febres” de paludismo (malária), contra as quais se invocava um culto à Mãe de Deus.

Armor Pires Mota, um distinto escritor nascido em Oiã, no seu livro intitulado “Oiã – Terras e Gentes”, uma monografia histórica e sobre a freguesia de Oiã, publicado em 1991 e reeditado em 2012, refere-se assim à padroeira de Perrães: “Não chega a ter dois palmos e meio e tem o Menino ao colo do lado esquerdo, e do pequeno pedestal sobressaem alguns anjos, como se fosse Nossa Senhora da Assunção. A invocação de Nossa Senhora das Febres está intimamente relacionada com a existência do paludismo nas margens da Pateira, mal bastante endémico, ocasionando em várias épocas autênticas hecatombes. A Capela de Nossa Senhora das Febres era muito concorrida pelo povo, ido de várias partes para agradecer graças ou mendigar arrimo para os seus males, especialmente as febres palustres, uma vez que, em tempo de invernos a sério, as águas tudo inundavam e alagavam, transformando em pântanos e lodaçais as margens mais baixas dos ribeiros ou levadas que por aqui corriam e se espraiavam. Era um autêntico rodopio de devotos que cumpriam promessas, faziam novenas, pediam graças. Não havia terra à beira Cértima que não soubesse onde ficava aquele pequeno santuário, que dispunha de um pequeno alpendre a anteceder o templo, e onde havia no mínimo três imagens: Nossa Senhora das Febres, Nossa Senhora dos Inventos, e São Roque”.

Oiã
Oiã, uma freguesia do concelho de Oliveira do Bairro, tem mais de oitocentos anos, sendo que o primeiro documento que refere Oiã data do ano de 1220. O seu nome deriva de Oyana, nome ligado à cultura da Oliveira. O seu étimo oleana, que tem em sua raiz olea, assim dará a entender. Curiosamente, Oiã é a única localidade em Portugal a ter o seu nome constituído só com vogais.

Atualmente, Oiã é uma das freguesias mais populosas do distrito de Aveiro, sendo também uma das mais ricas e em próspero desenvolvimento. Este facto deve-se grandemente a alguns fatores fundamentais. Contudo, a localização é o seu maior trunfo. Oiã está situado a 5 quilómetros da sede do concelho, está a igual distância do nó de acesso à autoestrada A1 (Aveiro Sul), a 18 quilómetros da cidade de Aveiro e 9 quilómetros da ligação à autoestrada A17. Para além disso, Oiã possui uma estação e uma zona industrial em expansão.

Fernando Cozinheiro