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Banda Nova participa nas festividades de Boelhe
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No próximo dia 27, último domingo de agosto, cumprindo-se a tradição, Boelhe celebra a festa em honra de São Gens e de Nossa Senhora do Rosário, vivida de forma intensa pela comunidade. A Banda Nova de Fermentelos, pelo terceiro ano consecutivo, depois de muitas outras participações no passado, regressa a essas festividades. Para alternar com a nossa formação, na edição deste ano, à semelhança do que aconteceu no transato, marcará presença a Banda de Rio de Moinhos.
Ano após ano, as festividades de Boelhe, das mais fortes de toda a região do Sousa e Tâmega, vividas de forma intensa, enchem-se de romeiros para participar nas cerimónias litúrgicas e de arraial, que, geralmente, apresenta artistas de renome, ranchos folclóricos, grupos de bombos e as melhores bandas filarmónicas. As sessões de fogo-de-artifício, que também constituem uma das grandes atrações, das mais fortes de toda a região do Sousa e Tâmega, são bem conhecidas pela duração e, sobretudo, pela potência de rebentamento, capaz de fazer estremecer qualquer um. Atraem milhares de pessoas de toda a região norte de Portugal e são consideradas das maiores de todo o concelho de Penafiel.
Boelhe é uma freguesia do concelho de Penafiel, localizando-se no seu limite. É dominada pela igreja de São Gens, classificada como Monumento Nacional desde 1927, uma relíquia arquitetónica dos primeiros tempos da nacionalidade. É considerada a mais pequena igreja românica de toda a Península Ibérica e situa-se junto à nova Igreja, quase no centro da povoação, num local rebaixado, que enferma de pouca visibilidade. A Igreja de São Gens de Boelhe, edificada entre os meados e o final do século XIII, caracteriza-se por ser uma das mais conseguidas expressões decorativas do românico rural. Na fachada norte, a cachorrada apresenta uma assinalável variedade de motivos que vão desde cabeças de touro até homens que transportam pedra. É de realçar a qualidade patente na construção dos muros, nos quais é visível uma apreciável quantidade de siglas geométricas e alfabéticas. De arquitetura românica, integra a Rota do Românico do Tâmega e Sousa, sendo a sua construção geralmente atribuída à rainha D. Mafalda de Saboia, mulher de D. Afonso Henriques.
Em relação à vida deste santo, existem poucos documentos históricos e, por isso mesmo, poucas são as certezas, mas tradicionalmente é considerado padroeiro dos atores e comediantes. Ao que parece, Gens viveu no tempo do imperador romano Diocleciano (fins do séc. III), era ator e, em determinada ocasião, representava o papel de um cristão a receber o Batismo ridicularizando essa mesma situação. Foi nessa altura que recebeu a graça da fé e, terminada a sua representação, declarou-se cristão. Como esta nova religião era perseguida na altura e ele não quis retratar-se, foi condenado à decapitação. Venerado na Europa, sobretudo no sudeste de França, S. Gens foi “adotado” para Portugal por influência de D. Mafalda, esposa do primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, e originária da Casa de Saboia. Conforme já referido, foi a responsável e obreira pela construção da Igreja de S. Gens de Boelhe, datada do século XII, hoje monumento nacional.
O início do serviço será às nove horas, prolongando-se até perto da uma da madrugada. Para a viagem em autocarro pode inscrever-se no placard afixado no café da Banda Nova ou através de um dos contactos gerais da coletividade. Acompanhe-nos, dê-nos o seu apoio e goze com a nossa música.
Fernando Cozinheiro