De momento não existem eventos registados
Concerto pela Banda Nova na Igreja Matriz de Cedrim
Clique na imagem para ver o tamanho original
No próximo domingo, 25 de outubro, pelas 17 horas, a Banda Nova atuará mais uma vez em Cedrim, na sua igreja paroquial. A atuação inicia-se com a entrada pelas 16 horas, junto ao edifício da Junta de Freguesia, percorrendo o arruamento a partir daí até à Igreja Matriz, onde é venerado São João Batista, padroeiro da paróquia. Com este concerto, a Banda Nova pretende relembrar a longa e grande amizade que liga a coletividade à povoação de Cedrim – a freguesia que, em 1921, com a mediação do professor Artur Nunes Vidal, natural de Fermentelos e residente em Cedrim, cedeu o instrumental da sua banda, extinta pouco antes, possibilitando assim o estabelecimento mais célere da Banda Nova de Fermentelos. Com esta atuação, pretende-se retribuir também as várias colaborações que essa povoação tem dispensado nos últimos anos à nossa coletividade, destacando-se, entre outras, as participações nos desfiles das “Marchas Populares” e a atuação do “Grupo Baile na Eira” no âmbito da iniciativa “Setembro – Mês Cultural”.
A freguesia de Cedrim do Vouga está situada no extremo oriental do concelho de Sever do Vouga, no limite com o concelho vizinho de Oliveira de Frades, já no distrito de Viseu. O povoamento da área que hoje corresponde à freguesia de Cedrim remonta a períodos recuados da História do Homem. No chamado Monte do Castêlo, fixou-se no primeiro milénio a. C. uma comunidade, num povoado fortificado de características castrejas. Aí foi recolhido, recentemente, um machado de pedra e um pequeno vaso de cerâmica. O local está classificado como Imóvel de Interesse Municipal.
Durante séculos, os habitantes deste castro abrigaram-se em simples cabanas de ramagens, vivendo exclusivamente da pastorícia e da agricultura rudimentar. Posteriormente, com a romanização e o progresso natural da sociedade, essa gente começou a descer para os locais mais férteis da encosta, à procura de pão mais abundante e de lugares menos agrestes. E assim surgiu Cedrim e os outros pequenos núcleos populacionais dos arredores.
No que se refere ao topónimo “Cedrim”, defende Bluteau que se trata de um modalismo ou corrupção de “Synedrim” ou “Senedrim”. Contudo, a sua raiz é latina, uma vez que deriva do étimo “Cetarini”. A freguesia é mencionada em vários documentos antigos, aparecendo, em 1050, sob a forma de “Cedarim” e “Zedarim”; em 1284, surge como “Cedari”; em 1747, como “Sedrim” e, em 1768, “Cedrim”, forma que atualmente persiste, embora haja quem acrescente “do Vouga”.
É sabido que o surgimento de Cedrim é anterior à fundação da nacionalidade, facto que é atestado por um documento pertencente ao Convento de Pedroso (Gaia), onde consta que, em 1017, D. Gonçalo, filho do Conde D. Mendo Luci, comprou metade do mosteiro de Cedrim, adquirindo a outra metade 33 anos mais tarde, em 1050. Nada se sabe quanto à fundação e vida desse mosteiro de monges e freiras da Ordem de São Bento que, em 1117, foi visitado por D. Teresa, mãe do primeiro rei de Portugal, de passagem para as Caldas de Lafões (São Pedro do Sul). Provavelmente, este convento era, como muitos outros, filial do que a nobre condessa Mumadona Dias fundou em Guimarães, no ano de 927, com 25 coutos, freguesias e algumas marinas de Aveiro. A avaliar pelo seu patronímico hebraico, presume-se que o mosteiro de Cedrim tenha sido construído, ou apenas estabelecido, sobre um Senedrim israelita (tribunal judaico destinado a julgar as transgressões do ritual Thalmúdico).
Cedrim parece ter sido uma honra, território privilegiado imune ao poder real, desde muito cedo. Pelo menos é o que dizem as Inquirições de 1258. Já nessa altura estava integrada no termo de Sever. Perdeu parte do seu território, ao longo dos tempos, através de determinados lugares que transitaram para Oliveira de Frades. Entre 1895 e 1898 pertenceu ao concelho de Albergaria-a-Velha e a partir de 1900 passou a ser freguesia independente.
A população de Cedrim dedica-se predominantemente à agricultura, mas também à criação de aves e à exploração de bovinos. Por outro lado, as oficinas de carpintaria e estofagem também têm um papel importante na vida económica da Freguesia.
É de referir a existência da Zona Industrial de Cedrim, cujas infraestruturas foram inauguradas no dia 26 de Julho de 2003, composta por várias dezenas de empresas que empregam várias centenas de trabalhadores.
Lendas
A freguesia de Cedrim é rica em histórias antigas e lendas, que alimentam o imaginário do povo e que vão sendo transmitidas de geração em geração.
Quanto à Lenda das Mouras, segundo os antigos, os Mouros fixaram-se no Cabeço das Mouras e aí tinham uma entrada subterrânea que ia do Castêlo até ao Rio Vouga, por onde iam com os cavalos beber água. Terá sido um homem que, ao ir tomar banho ao rio no Poço de Peiges, descobriu essa entrada e decidiu entrar. A certa altura, já conseguia ouvir os galos cantar em Cedrim. De facto, era convicção de muita gente que os Mouros habitaram o Castêlo e tinham passagens subterrâneas até à beira rio, no local indicado por uma fonte chamada Fonte das Mouras.
A Pedra da Roca é outra lenda relacionada com o Monte do Castêlo. De acordo com o que a mesma reza, uma moura levava uma pedra à cabeça desde o Castêlo até ao monte de Ribeiradio para a fiar numa roca. Acontece que esta pedra pesa mais de 30 toneladas e, ainda hoje, pode ser encontrada na margem direita do caminho que dá acesso a Ribeiradio.
Outra história associada ao Cabeço das Mouras reza que aí existe um grande tesouro encantado e que várias pessoas, há cerca de 50 anos, foram lá ler o livro de São Cipriano, mas nada conseguiram por deficiências mágicas. Diz-se que, há mais de cem anos, foi também ao dito local um grupo de indivíduos que, quando leu o dito livro, viu a terra abrir-se, com uma forte trovoada, de onde alguém atirava objetos para fora.
Dizem também os antigos que a zona de Santo Adrião era muito frequentada por gente do Porto que vinha procurar tesouros e, ao que parece, levaram alguns. Dizem igualmente que na área do Vieiro, no sítio da Fonte do Mourinho, onde ainda hoje existe uma nascente de água, se encontrava uma caldeira de libras e que as cabras tinham já rompido o arco da caldeira.
Figuras Históricas
No âmbito histórico-cultural, destacam-se algumas personalidades locais, que, no seu tempo, muito contribuíram para o orgulho da população de Cedrim, nomeadamente o padre Celso Tavares da Silva (1916 – 1996), a quem o Papa João Paulo II concedeu o título de Monsenhor, no ano de 1982, Albino Costa, nascido em 1878, emigrado no Brasil, onde se afirmou como distinto jornalista e empreendedor nas áreas da construção civil e indústria pecuária, o Cónego José Simões Pedro, que, através das suas obras e dos seus comoventes sermões frequentes nas missas de São João, está presente na memória de todos os cedrinenses, e, finalmente, o professor Artur Nunes Vidal.
Nascido no ano de 1882, em Fermentelos, Artur Vidal veio a falecer em Águeda, em Maio de 1952. Matriculado na escola distrital de habilitações para o Magistério Primário, em Aveiro, terminou o seu curso em Junho de 1902. Cinco anos depois, foi colocado em Cedrim, onde também dirigiu um curso noturno para adultos. Tendo sempre a preocupação de instruir, cultivar os outros, fundou o “jornalzinho” escolar A Lição, cujas edições se encontram na Biblioteca Paroquial de Cedrim, graças a uma oferta de seu filho Alexandre da Costa Vidal.
Em 1921, foi para Águeda lecionar na Escola Primária Superior, de onde passaria para a Escola Comercial e Industrial da mesma cidade, onde exerceu as funções de professor, secretário e, pontualmente, diretor. Deixou diversos livros e folhetos, alguns de teor musical e outros sobre assuntos variados, como regras de bom escrever, lembranças de Fermentelos, etc.. Sendo um apaixonado pela música, fundou várias tunas, em Fermentelos e noutras localidades. Tocava com perfeição vários instrumentos, como violino, violão, rabecão e flauta. Em 1909, fundou em Cedrim uma Tuna de 12 elementos que, nesse mesmo ano, foi transformada em Filarmónica, já com 26 elementos. Presidiu também a Junta de Cedrim e, em 1919, foi administrador do Concelho de Sever do Vouga.
Património
Para satisfazer a sede de cultura dos seus visitantes, a freguesia tem para oferecer um património que é, essencialmente, uma herança cultural, gerado por múltiplas gerações que, à sua maneira, compreenderam a necessidade de transmitirem algo aos vindouros. Aconselha-se uma visita ao Miradouro do Castêlo, do qual se alcançam vistas sobre todo o vale do Vouga, aos edifícios religiosos, como a Igreja Matriz, onde é venerado São João Baptista, palco do concerto no próximo domingo, e as várias capelas, ou mesmo ao moinho Geraldo, pequeno, mas provavelmente um dos mais antigos desta área, dado que se calcula que terá cerca de 700 anos.
A Igreja Matriz foi construída segundo o estilo de então o joanino tardio e rural. O portal, bem trabalhado, é rematado por um frontão sinuoso, centrado, à maneira de pedra de armas, por uma cartela emoldurada por palmetas e folhagens com a seguinte inscrição “S. João 1786”. Em plano superior, assenta um nicho com a imagem do patrono, ladeado por duas janelas encimadas por frontão curvo. A Igreja foi, por duas vezes, objeto de obras de restauro e ampliação de vulto, tendo sido as primeiras no início do século XX, promovidas pelo Pe. Joaquim Tavares Dias, e as segundas, em 1970, por iniciativa do Pe. Arménio Pires Dias, das quais resultaram o aspeto moderno que hoje ostenta.
A Capela de Nossa Senhora dos Milagres ostenta a data de 1692. No retábulo com breves talhas antigas, existem três esculturas de calcário, obras comuns do século XVII Virgem com o Menino, Trindade e um Santo. As obras de restauro, realizadas há alguns anos, acrescentaram-lhe uma pequena torre ao lado.
Quanto à Capela de Santo Amaro, a construção que remonta ao século XVII. Apesar de modesta, a fachada principal conserva a porta em arco inteiro, empenas inclinadas, de granito, onde assenta a sineira. No interior, na parede do altar, sem retábulo, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, ao centro, ladeada pelas de Santo Amaro e São Francisco.
De entre o património edificado, merecem ainda referências as capelas de Nossa Senhora dos Remédios, em Santo Adrião, e a Ecuménica da Redouça, onde é invocada Nossa Senhora da Guadalupe, o Cruzeiro Fontanário, em granito da região, situado no Largo do Chafariz, e Anta de Corredor, em Santo Adrião.
Finalmente, merece referência as manifestações de arte rupestre do Monte do Castêlo – um pequeno povoado de Cedrim (Santo Adrião), no Vale do Vouga, na encosta da Serra do Ladário. São inúmeros os cabeços existentes no Monte do Castêlo, cada qual com o seu nome, desconhecendo-se já a origem de alguns. Os principais são Cabeço Pequeno da Lomba, Cabeço dos Assobios, Lameirinho Verde, Encosta, Cabeço do Sol, Cabeço do Sino e Cabeço das Mouras. O Monte do Castêlo, situando-se a cerca de 500 metros de altitude, é o ponto mais alto da Freguesia e está assinalado com uma cruz de ferro, aí colocada a 10 de Junho de 1973. No cimo deste altaneiro morro, existe um marco geodésico que divide duas freguesias (Cedrim e Ribeiradio), dois concelhos (Sever do Vouga e Oliveira de Frades), dois distritos (Aveiro e Viseu) e duas províncias (Beira Litoral e Beira Alta). A avaliar pelos vestígios aí encontrados, nomeadamente inscrições em algumas pedras, pode deduzir-se que os restos da edificação que se encontram no topo do Cabeço remontam a época muito anterior ao domínio romano, talvez 500, 1000 ou até 2000 a.C..
Fontes:
http://retratoserecantos.pt/
http://www.cedrim.pt
Fernando Cozinheiro